https://noticiabrasil.net.br/20260520/china-e-russia-sao-campeoes-de-multipolaridade-afirmam-especialistas-50557433.html
China e Rússia são campeões da multipolaridade, afirmam especialistas
China e Rússia são campeões da multipolaridade, afirmam especialistas
Sputnik Brasil
Visita de Vladimir Putin a Pequim reforça parceria estratégica com Xi Jinping em energia, tecnologia e comércio, enquanto analistas veem fortalecimento da... 20.05.2026, Sputnik Brasil
2026-05-20T19:39-0300
2026-05-20T19:39-0300
2026-05-20T21:57-0300
panorama internacional
rússia
ricardo cabral
vladimir putin
xi jinping
china
estados unidos
pequim
brics
exclusiva
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/05/14/50557149_0:296:2964:1963_1920x0_80_0_0_0b0184c377ee2109a88a92588a739cb6.jpg
A visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin, à China representa o estreitamento de laços entre os dois países. Abrangendo reuniões com autoridades chinesas, sobretudo o chefe de Estado chinês, Xi Jinping, a agenda oficial ocorreu com guarda de honra, hinos nacionais e abraços calorosos, em meio às celebrações do 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança e do 30º aniversário da parceria estratégica.Dentre os assuntos abordados, destacaram-se setor energético, energia nuclear e outras fontes, cooperação espacial e agenda econômica bilateral. No comércio, o volume chega a superar os US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhão).Na ocasião, os dois presidentes assinaram uma declaração conjunta sobre o mundo multipolar, reafirmando a posição da Rússia e da China na promoção e defesa de um estado de multipolaridade, em contrapartida à ordem hegemônica promovida pelos EUA."China e Rússia são dois campeões de um processo de formação de multipolaridade", afirma Bernardo Kocher, professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele avalia que os dois países se consolidam como protagonistas de uma transição na ordem internacional, ainda marcada pelo unilateralismo de Washington.Em sua visão, o papel hegemônico dos Estados Unidos apresenta sinais de crise, agindo de maneira instável a fim de impedir esse declínio de influência. Para Kocher, está em jogo não um novo tipo de bipolaridade de potências — como na Guerra Fria —, mas uma disputa de dois lados. "O primeiro é o projeto americano de 'unimultipolaridade'. Ou seja, os EUA são o 'uni' e a 'multipolaridade' é o conjunto de vários países que estão adquirindo poder."Kocher avalia que, apesar das tensões internacionais e do risco de novos conflitos, China e Rússia atravessam um momento de relativa estabilidade interna e coordenação estratégica. "É um momento tenso e até delicado por causa da possibilidade de guerra, mas também não é um estresse total, porque pelo lado russo-chinês a situação está sob controle."Em sua avaliação, o encontro refletiu justamente esse equilíbrio entre cautela diante do ambiente internacional e confiança nas perspectivas econômicas e tecnológicas da parceria.Ao comentar a relação energética entre China e Rússia — especificamente o gasoduto conjunto Força da Sibéria 2, que levaria o gás russo aos chineses —, Kocher avalia que ela não representa uma dependência limitadora para Pequim, mas parte de uma estratégia mais ampla de diversificação.Segundo ele, o fornecimento de gás por gasodutos cria vínculos específicos entre produtor e consumidor, mas isso não impede a autonomia chinesa. Além de Moscou, o país importa gás de mercados como Catar, Austrália e Estados Unidos, e recebe gás por outras conexões terrestres da Ásia Central.Para o pesquisador, essa dimensão da economia chinesa e investimentos contínuos em fontes alternativas reduzem riscos de vulnerabilidade energética. "É um país gigantesco, consome rios de energia em escalas colossais, mas também trabalha muito para produzir energias alternativas."Kocher argumenta ainda que relações energéticas envolvem dependência mútua, não apenas do comprador. Ao citar o histórico dos gasodutos entre Rússia e Europa, ele afirma que mudanças políticas alteraram esse cenário. "O próprio vendedor também tem que tomar cuidado", diz, ressaltando que existem "ambiente e meios materiais para compensar qualquer tipo de desigualdade nessa troca".Sobretudo o professor destaca o papel da China como um ator internacional importante para o cenário geopolítico. Uma semana antes do encontro de Putin com Xi, o presidente dos EUA, Donald Trump, também foi a Pequim para tratar assuntos de chefes de Estado. Antes dele, outras autoridades, como o premiê do Reino Unido, Keir Starmer; o premiê do Canadá, Mark Carney; e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, também foram à China.Para Ricardo Cabral, editor do canal Geopolítica & História Militar e coautor do livro "Guerra na Ucrânia: análises e perspectivas", a visita de Putin reforçou a dimensão estratégica da relação entre Moscou e Pequim em meio às tensões internacionais, complementando o ponto de Kocher. Ele destaca também que a agenda entre os dois presidentes vai além da diplomacia protocolar.Cabral menciona que a cooperação entre Moscou e Pequim ultrapassa o comércio tradicional de energia e commodities, avançando para áreas como meio ambiente e tecnologia.Para ilustrar seu ponto, os russos buscam desenvolver sistemas próprios de inteligência artificial, como o GigaChat AI, que podem ser foco de cooperação com a China através de data centers, softwares e semicondutores, permitindo "não só a compra dos chineses, como também aportes tecnológicos aos russos".Em sua avaliação sobre a multipolaridade, o analista geopolítico vê que a parceria sino-russa ganha mais peso no cenário internacional, combinando cooperação estratégica e projeções econômicas favoráveis ao BRICS. Cabral pontua também que o crescimento dos dois países, além de outros membros do grupo, como Índia e Brasil, poderá reposicionar o equilíbrio global nas próximas décadas."A China cresce para assumir, talvez daqui a uns dez anos, a primeira economia mundial, e a Índia seria provavelmente a segunda […]. Se a Rússia mantiver o ritmo de desenvolvimento, nós teríamos, entre as cinco maiores economias do mundo, quatro do BRICS — quem sabe o Brasil também."
china
estados unidos
pequim
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/05/14/50557149_188:0:2919:2048_1920x0_80_0_0_09ac9931e4938cc799e3a4932610e113.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
rússia, ricardo cabral, vladimir putin, xi jinping, china, estados unidos, pequim, brics, exclusiva, ásia e oceania, eua, multipolaridade, cooperação, cooperação bilateral, cooperação econômica, tecnologia, comércio
rússia, ricardo cabral, vladimir putin, xi jinping, china, estados unidos, pequim, brics, exclusiva, ásia e oceania, eua, multipolaridade, cooperação, cooperação bilateral, cooperação econômica, tecnologia, comércio
China e Rússia são campeões da multipolaridade, afirmam especialistas
19:39 20.05.2026 (atualizado: 21:57 20.05.2026) Especiais
Visita de Vladimir Putin a Pequim reforça parceria estratégica com Xi Jinping em energia, tecnologia e comércio, enquanto analistas veem fortalecimento da agenda multipolar e do BRICS.
A visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin, à China representa o
estreitamento de laços entre os dois países. Abrangendo reuniões com autoridades chinesas, sobretudo o chefe de Estado chinês, Xi Jinping, a agenda oficial ocorreu com guarda de honra, hinos nacionais e abraços calorosos, em meio às
celebrações do 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança e do 30º aniversário da parceria estratégica.
Dentre os assuntos abordados, destacaram-se setor energético, energia nuclear e outras fontes, cooperação espacial e agenda econômica bilateral. No comércio, o volume chega a superar os US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhão).
Na ocasião, os dois presidentes assinaram uma declaração conjunta sobre o
mundo multipolar, reafirmando a posição da Rússia e da China na
promoção e defesa de um estado de multipolaridade, em contrapartida à ordem hegemônica promovida pelos EUA.
"China e Rússia são dois campeões de um processo de formação de multipolaridade", afirma Bernardo Kocher, professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele avalia que os dois países se consolidam como protagonistas de uma transição na ordem internacional, ainda marcada pelo unilateralismo de Washington.
Em sua visão, o papel hegemônico dos Estados Unidos apresenta sinais de crise, agindo de maneira instável a fim de impedir esse
declínio de influência. Para Kocher,
está em jogo não um novo tipo de bipolaridade de potências — como na Guerra Fria —,
mas uma disputa de dois lados. "O primeiro é o projeto americano de 'unimultipolaridade'. Ou seja, os EUA são o 'uni' e a 'multipolaridade' é o conjunto de vários países que estão adquirindo poder."
"O outro lado seria a bimultipolaridade. […] ela é essencial para o funcionamento dessas duas economias — a chinesa e russa — e ela precisa que outros países da Europa, da América Latina e do Oriente Médio se alinhem, se predisponham, mas também não se sabe como isso vai ser implementado."
Kocher avalia que, apesar das tensões internacionais e do risco de novos conflitos, China e Rússia atravessam um momento de relativa estabilidade interna e coordenação estratégica. "É um momento tenso e até delicado por causa da possibilidade de guerra, mas também não é um estresse total, porque pelo lado russo-chinês a situação está sob controle."
Em sua avaliação, o encontro refletiu justamente esse equilíbrio entre cautela diante do ambiente internacional e confiança nas perspectivas econômicas e tecnológicas da parceria.
Ao comentar a relação energética entre China e Rússia — especificamente o gasoduto conjunto Força da Sibéria 2, que levaria o gás russo aos chineses —, Kocher avalia que ela não representa uma dependência limitadora para Pequim, mas parte de uma estratégia mais ampla de diversificação.
Segundo ele, o fornecimento de gás por gasodutos cria vínculos específicos entre produtor e consumidor, mas isso não impede a autonomia chinesa. Além de Moscou, o país importa gás de mercados como Catar, Austrália e Estados Unidos, e recebe gás por outras conexões terrestres da Ásia Central.
Para o pesquisador, essa dimensão da economia chinesa e investimentos contínuos em fontes alternativas reduzem riscos de vulnerabilidade energética. "É um país gigantesco, consome rios de energia em escalas colossais, mas também trabalha muito para produzir energias alternativas."
Kocher argumenta ainda que relações energéticas envolvem dependência mútua, não apenas do comprador. Ao citar o histórico dos gasodutos entre Rússia e Europa, ele afirma que mudanças políticas alteraram esse cenário. "O próprio vendedor também tem que tomar cuidado", diz, ressaltando que existem "ambiente e meios materiais para compensar qualquer tipo de desigualdade nessa troca".
Sobretudo o professor destaca o papel da China como um ator internacional importante para o
cenário geopolítico. Uma semana antes do encontro de Putin com Xi, o presidente dos EUA, Donald Trump, também foi a Pequim para tratar assuntos de chefes de Estado. Antes dele, outras autoridades, como o premiê do Reino Unido, Keir Starmer; o premiê do Canadá, Mark Carney; e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, também foram à China.
Para Ricardo Cabral, editor do canal Geopolítica & História Militar e coautor do livro "Guerra na Ucrânia: análises e perspectivas", a visita de Putin reforçou a dimensão estratégica da relação entre Moscou e Pequim em meio às tensões internacionais, complementando o ponto de Kocher. Ele destaca também que a agenda entre os dois presidentes vai além da diplomacia protocolar.
"O melhor para a Rússia e para a China foi a extensão dessa parceria, que é uma parceria estratégica, não vinculativa, de certa forma flexível e extremamente abrangente."
Cabral menciona que a cooperação entre Moscou e Pequim ultrapassa o comércio tradicional de energia e commodities, avançando para áreas como meio ambiente e tecnologia.
Para ilustrar seu ponto, os russos buscam desenvolver sistemas próprios de inteligência artificial, como o GigaChat AI, que podem ser foco de cooperação com a China através de data centers, softwares e semicondutores, permitindo "não só a compra dos chineses, como também aportes tecnológicos aos russos".
Em sua avaliação
sobre a multipolaridade, o analista geopolítico vê que a parceria sino-russa ganha mais peso no cenário internacional, combinando cooperação estratégica e projeções econômicas favoráveis ao BRICS. Cabral pontua também que
o crescimento dos dois países, além de outros membros do grupo, como Índia e Brasil, poderá reposicionar o equilíbrio global nas próximas décadas.
"A China cresce para assumir, talvez daqui a uns dez anos, a primeira economia mundial, e a Índia seria provavelmente a segunda […]. Se a Rússia mantiver o ritmo de desenvolvimento, nós teríamos, entre as cinco maiores economias do mundo, quatro do BRICS — quem sabe o Brasil também."
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).