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China e Rússia são campeões da multipolaridade, afirmam especialistas
China e Rússia são campeões da multipolaridade, afirmam especialistas
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Visita de Vladimir Putin a Pequim reforça parceria estratégica com Xi Jinping em energia, tecnologia e comércio, enquanto analistas veem fortalecimento da... 20.05.2026, Sputnik Brasil
2026-05-20T19:39-0300
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A visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin, à China representa o estreitamento de laços entre os dois países. Tendo se reunido com autoridades chinesas, sobretudo seu homólogo chinês, Xi Jinping, a agenda oficial ocorreu com guarda de honra, hinos nacionais e abraços calorosos em meio às celebrações do 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança e o 30º aniversário da parceria estratégica.Dentre os assuntos abordados, acordos como setor energético, energia nuclear e outras fontes, cooperação espacial, agenda econômica bilateral foram os principais temas. No comércio, o volume chega a superar US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhão).Na ocasião, os dois presidentes assinaram uma declaração conjunta sobre o mundo multipolar, reafirmando a posição da Rússia e China na promoção e defesa de um estado de multipolaridade em contrapartida à ordem hegemônica promovida pelos EUA."China e Rússia são dois campeões de um processo de formação de multipolaridade", afirma Bernado Kocher, professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele avalia que os dois países se consolidam como protagonistas de uma transição na ordem internacional, ainda marcada pelo unilateralismo de Washington.Em sua visão, o papel hegemônico dos Estados Unidos apresenta sinais de estar em crise, agindo de maneira instável a fim de impedir esse declínio de influência. Para Kocher, está em jogo não um novo tipo de bipolaridade de potências – semelhante a Guerra Fria – mas, no caso, uma disputa de dois lados. "O primeiro é o projeto americano de 'unimultipolaridade'. Ou seja, os EUA são o uni e a multipolaridade é o conjunto de vários países que estão adquirindo poder".Kocher avalia que, apesar das tensões internacionais e do risco de novos conflitos, China e Rússia atravessam um momento de relativa estabilidade interna e coordenação estratégica. "É um momento tenso e até delicado por causa da possibilidade de guerra, mas também não é um stress total, porque pelo lado russo-chinês a situação está sob controle", afirma.Em sua avaliação, o encontro refletiu justamente esse equilíbrio entre cautela diante do ambiente internacional e confiança nas perspectivas econômicas e tecnológicas da parceria sino-russa.Ao comentar a relação energética entre China e Rússia – especificamente o gasoduto conjunto Força da Sibéria 2, que levaria o gás da região para os chineses – Kocher avalia que não representa uma dependência limitadora para Pequim, mas parte de uma estratégia mais ampla de diversificação. Segundo ele, o fornecimento de gás por gasodutos cria vínculos específicos entre produtor e consumidor, mas isso não impede a autonomia chinesa. Além do gás russo, o país importa gás de mercados como Catar, Austrália e Estados Unidos e recebe gás por outras conexões terrestres da Ásia Central.Para o pesquisador, essa dimensão da economia chinesa e investimentos contínuos em fontes alternativas reduzem riscos de vulnerabilidade energética. "É um país gigantesco, consome rios de energia em escalas colossais, mas também trabalha muito por produzir energias alternativas".Kocher argumenta ainda que relações energéticas envolvem dependência mútua, não apenas do comprador. Ao citar o histórico dos gasodutos entre Rússia e Europa, ele afirma que mudanças políticas alteraram esse cenário. "O próprio vendedor também tem que tomar cuidado", diz, ressaltando que existem "ambiente e meios materiais para compensar qualquer tipo de desigualdade nessa troca".Sobretudo, o professor também destaca o papel da China como um ator internacional importante para o cenário geopolítico. Uma semana antes do encontro de Putin com Xi, o presidente dos EUA, Donald Trump, também foi a Pequim para tratar assuntos entre chefes de Estado. Anteriormente, outras autoridades como o premiê do Reino Unido, Keir Starmer, o premiê do Canadá, Mark Carney, e o chanceler da Alemanha, Friederich Merz, também foram para a China.Para Ricardo Cabral, editor do canal Geopolítica & História Militar e coautor do livro "Guerra na Ucrânia: análises e perspectivas", a visita de Putin reforçou a dimensão estratégica de relação entre Moscou e Pequim em meio às tensões internacionais, complementando o ponto de Kocher. Ele destaca também que a agenda entre os dois presidentes vai além da diplomacia protocolar, envolvendo temas diversos.Cabral menciona que a cooperação entre Moscou e Pequim ultrapassa o comércio tradicional de energia e commodities, avançando para áreas como meio ambiente e tecnologia.Para ilustrar seu ponto, os russos buscam desenvolver sistemas próprios de inteligência artificial, como o GigaChat AI, que podem ser foco de cooperação com a china através de data centers, softwares e semicondutores, permitindo "não só compra dos chineses, como também aportes tecnológicos aos russos".Para o analista, trata-se de uma relação que "não se limita apenas e tão somente" à exportação russa de energia, metais e minerais em troca de produtos industrializados chineses.Em sua avaliação sobre a multipolaridade, o analista geopolítico vê que a parceria sino-russa ganha mais peso no cenário internacional, combinando cooperação estratégica e projeções econômicas favoráveis ao BRICS. Cabral pontua também que o crescimento dos dois países, além de outros membros do grupo, como Índia e Brasil, poderá reposicionar o equilíbrio global nas próximas décadas."A China cresce para assumir, talvez daqui uns dez anos, a primeira economia mundial, e a Índia seria provavelmente a segunda [...] Se a Rússia mantiver o ritmo de desenvolvimento, nós teríamos entre as cinco maiores economias do mundo quatro do BRICS, quem sabe o Brasil também."
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China e Rússia são campeões da multipolaridade, afirmam especialistas
19:39 20.05.2026 (atualizado: 20:50 20.05.2026) Especiais
Visita de Vladimir Putin a Pequim reforça parceria estratégica com Xi Jinping em energia, tecnologia e comércio, enquanto analistas veem fortalecimento da agenda multipolar e do BRICS.
A visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin, à China representa o estreitamento de laços entre os dois países. Tendo se reunido com autoridades chinesas, sobretudo seu homólogo chinês, Xi Jinping, a agenda oficial ocorreu com guarda de honra, hinos nacionais e abraços calorosos em meio às celebrações do 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança e o 30º aniversário da parceria estratégica.
Dentre os assuntos abordados, acordos como setor energético, energia nuclear e outras fontes, cooperação espacial, agenda econômica bilateral foram os principais temas.
No comércio, o volume chega a superar US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhão).
Na ocasião, os dois presidentes assinaram uma declaração conjunta sobre o
mundo multipolar, reafirmando a posição da Rússia e China na promoção e defesa de um estado de multipolaridade em contrapartida à ordem hegemônica promovida pelos EUA.
"China e Rússia são dois campeões de um processo de formação de multipolaridade", afirma Bernado Kocher, professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele avalia que os dois países se consolidam como protagonistas de uma transição na ordem internacional, ainda marcada pelo unilateralismo de Washington.
Em sua visão, o papel hegemônico dos Estados Unidos apresenta sinais de estar em crise, agindo de maneira instável a fim de impedir esse
declínio de influência. Para Kocher,
está em jogo não um novo tipo de bipolaridade de potências – semelhante a Guerra Fria –
mas, no caso, uma disputa de dois lados. "O primeiro é o projeto americano de 'unimultipolaridade'. Ou seja, os EUA são o uni e a multipolaridade é o conjunto de vários países que estão adquirindo poder".
"O outro lado seria a bimultipolaridade [...] ela é essencial para o funcionamento dessas duas economias – a chinesa e russa – e ela precisa de que outros países da Europa, América Latina e Oriente Médio, se alinhem, se predisponham, mas também não se sabe como isso vai ser implementado."
Kocher avalia que, apesar das tensões internacionais e do risco de novos conflitos, China e Rússia atravessam um momento de relativa estabilidade interna e coordenação estratégica. "É um momento tenso e até delicado por causa da possibilidade de guerra, mas também não é um stress total, porque pelo lado russo-chinês a situação está sob controle", afirma.
Em sua avaliação, o encontro refletiu justamente esse equilíbrio entre cautela diante do ambiente internacional e confiança nas perspectivas econômicas e tecnológicas da parceria sino-russa.
Ao comentar a relação energética entre China e Rússia – especificamente o gasoduto conjunto Força da Sibéria 2, que levaria o gás da região para os chineses – Kocher avalia que não representa uma dependência limitadora para Pequim, mas parte de uma estratégia mais ampla de diversificação.
Segundo ele, o fornecimento de gás por gasodutos cria vínculos específicos entre produtor e consumidor, mas isso não impede a autonomia chinesa. Além do gás russo, o país importa gás de mercados como Catar, Austrália e Estados Unidos e recebe gás por outras conexões terrestres da Ásia Central.
Para o pesquisador, essa dimensão da economia chinesa e investimentos contínuos em fontes alternativas reduzem riscos de vulnerabilidade energética. "É um país gigantesco, consome rios de energia em escalas colossais, mas também trabalha muito por produzir energias alternativas".
Kocher argumenta ainda que relações energéticas envolvem dependência mútua, não apenas do comprador. Ao citar o histórico dos gasodutos entre Rússia e Europa, ele afirma que mudanças políticas alteraram esse cenário. "O próprio vendedor também tem que tomar cuidado", diz, ressaltando que existem "ambiente e meios materiais para compensar qualquer tipo de desigualdade nessa troca".
Sobretudo, o professor também destaca
o papel da China como um ator internacional importante para o
cenário geopolítico. Uma semana antes do encontro de Putin com Xi, o presidente dos EUA, Donald Trump, também foi a Pequim para tratar assuntos entre chefes de Estado.
Anteriormente, outras autoridades como o premiê do Reino Unido, Keir Starmer, o premiê do Canadá, Mark Carney, e o chanceler da Alemanha, Friederich Merz, também foram para a China.
Para Ricardo Cabral, editor do canal Geopolítica & História Militar e coautor do livro "Guerra na Ucrânia: análises e perspectivas", a visita de Putin reforçou a dimensão estratégica de relação entre Moscou e Pequim em meio às tensões internacionais, complementando o ponto de Kocher. Ele destaca também que a agenda entre os dois presidentes vai além da diplomacia protocolar, envolvendo temas diversos.
"O melhor para a Rússia e para a China foi a extensão dessa parceria, que é uma parceria estratégica, não vinculativa, de certa forma flexível e extremamente abrangente", afirma.
Cabral menciona que a cooperação entre Moscou e Pequim ultrapassa o comércio tradicional de energia e commodities, avançando para áreas como meio ambiente e tecnologia.
Para ilustrar seu ponto, os russos buscam desenvolver sistemas próprios de inteligência artificial, como o GigaChat AI, que podem ser foco de cooperação com a china através de data centers, softwares e semicondutores, permitindo "não só compra dos chineses, como também aportes tecnológicos aos russos".
Para o analista, trata-se de uma relação que "não se limita apenas e tão somente" à exportação russa de energia, metais e minerais em troca de produtos industrializados chineses.
Em sua avaliação
sobre a multipolaridade, o analista geopolítico vê que
a parceria sino-russa ganha mais peso no cenário internacional, combinando cooperação estratégica e projeções econômicas favoráveis ao BRICS. Cabral pontua também que o crescimento dos dois países, além de outros membros do grupo, como Índia e Brasil, poderá
reposicionar o equilíbrio global nas próximas décadas.
"A China cresce para assumir, talvez daqui uns dez anos, a primeira economia mundial, e a Índia seria provavelmente a segunda [...] Se a Rússia mantiver o ritmo de desenvolvimento, nós teríamos entre as cinco maiores economias do mundo quatro do BRICS, quem sabe o Brasil também."
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