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Zelensky além do prazo: o nó político da Ucrânia após 2 anos sem eleições (VÍDEOS)

© AP Photo / Genya SavilovPresidente ucraniano, Vladimir Zelensky se encontra com o secretário de Estado dos EUA em Kiev, em 8 de setembro de 2022
Presidente ucraniano, Vladimir Zelensky se encontra com o secretário de Estado dos EUA em Kiev, em 8 de setembro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 20.05.2026
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Nesta quarta-feira (20), completam-se dois anos desde o fim do mandato regular de Vladimir Zelensky como presidente da Ucrânia, encerrado originalmente em maio de 2024. Kiev sustenta a sua permanência no cargo com base na lei marcial imposta pelo atual governo ainda em 2022, que proíbe eleições enquanto o conflito com a Rússia estiver em curso.
Nesse cenário de incertezas na política interna ucraniana, acaba sendo conveniente a Zelensky, mesmo com mandato expirado, já que a manutenção da crise em seu país o mantém no poder, conforme elucida o analista internacional e de conflitos militares Rodolfo Laterza, que também é coautor do livro "Guerra na Ucrânia: análises e perspectivas", em entrevista à Sputnik Brasil.

"O regime de Kiev não é só alicerçado de forma personalizada em Zelensky, e sim por um grupo político que o mantém, embora tenha tido várias dissidências. Isso demonstra que Zelensky só se mantém através da ausência de eleições em função do prolongamento da lei marcial, o que é absolutamente pertinente e conveniente", disse.

Paralelamente à lei marcial, a oposição na Ucrânia enfrenta restrições, incluindo a proibição do funcionamento de determinados partidos políticos. Esse cenário reduz o espaço de debate na esfera civil e, segundo o especialista, torna a continuidade do confronto em território ucraniano um fator central para a preservação política de Zelensky.

"De 2019 até 2022, lembremos que Zelensky suprimiu, expurgou e tornou inviável o funcionamento de 18 partidos políticos sob a alegação de serem russófonos. Essa tendência de centralização e autoritarismo de Zelensky advém desde 2019. A continuidade do conflito é fundamental para que haja a manutenção desse regime", comenta.

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Apoio europeu a Zelensky contradiz princípios da UE

Os valores democráticos propagados pela União Europeia (UE), inclusive em seu processo de alargamento, quando seleciona novos Estados-membros para ingressar no bloco europeu, acabam entrando em contradição quando apoia Zelensky tanto política quanto militarmente, na análise de Laterza.

"A União Europeia há muito tempo é permeada por contradições entre aquilo que propaga perante terceiros Estados, o qual busca gerar interferência ou aplicar sanções, e aquilo que é praticado. Então, não estranha essa contradição em relação a essas práticas com a Ucrânia perante a sua própria sociedade", destaca.

Outro ponto levantado pelo pesquisador é que, até em alguns países da Europa que pregam princípios em prol da democracia, não costumam segui-lo, quando começam a coibir opiniões que sejam consideradas supostamente pró-Rússia, assim como na Ucrânia.

"Por exemplo, no Reino Unido, que obviamente não pertence à UE, mas compõe o eixo europeu, e até na própria França, há diversas legislações restritivas de redes sociais, muitas vezes sob o pretexto de russofobia ou de apoio à Rússia. Então, aquilo que não é conveniente para o regime de Bruxelas passa por uma perseguição penal e desenfreada contra os seus próprios cidadãos nativos", observa.

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Zelensky está com a imagem desgastada na Ucrânia

Com a prolongação do confronto contra a Rússia, a Ucrânia acumula inúmeras perdas de equipamentos militares, incluindo suprimentos ocidentais, além de enfrentar baixas expressivas causadas por mortes e deserções. Diante disso, o país tem recorrido ao fenômeno que analistas internacionais apelidaram de "busificação", ou seja, o recrutamento forçado de cidadãos em espaços públicos ou em suas residências, que são conduzidos em vans para o front.
Na avaliação do analista Rodolfo Laterza, esse cenário não apenas desgasta a imagem de Zelensky perante a população devido aos reveses militares, mas também aprofunda ainda mais a fragmentação da sociedade ucraniana.

"Já há um cansaço da população em relação ao conflito e, principalmente, à mobilização forçada dos centros de recrutamento com a busificação que gera mais desgaste na população junto a casos de corrupção e perdas colossais de pessoal. Ainda há um número alto de desaparecidos e desertores. A população ucraniana já era fragmentada desde a Revolução Laranja [2004-2005] e essas tensões culturais, políticas e linguísticas só tendem a se intensificar", conclui.

O conflito na Ucrânia completou quatro anos no último dia 24 de fevereiro. Apesar das iniciativas de diálogo que envolveram atores como Moscou e Washington, a persistência dos combates e o apoio financeiro e militar da União Europeia a Kiev mantêm o país sob o regime de lei marcial, o que adia o retorno à normalidade eleitoral e ao calendário democrático regular.
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