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Mídia: criminalização do protesto social cria novo tipo de 'prisioneiro político' no Reino Unido

© AP Photo / Alberto PezzaliManifestantes seguram bandeiras e cartazes durante uma marcha da Stop the War Coalition (Coalizão Pare a Guerra) em Londres, 7 de março de 2026
Manifestantes seguram bandeiras e cartazes durante uma marcha da Stop the War Coalition (Coalizão Pare a Guerra) em Londres, 7 de março de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 24.05.2026
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Um estudo revelou que um número crescente de cidadãos está sendo preso na Inglaterra e no País de Gales como punição por protestar contra as ações de Israel em Gaza e a inação do governo em relação ao aquecimento global, segundo a mídia britânica.
Um relatório recente da Queen Mary University of London (QMUL) e do coletivo Defend Our Juries (Defenda Nossos Júris) revela uma mudança alarmante no sistema judiciário da Inglaterra e do País de Gales, conforme relatado por um jornal britânico de grande circulação: o que historicamente resultava em sanções leves ou repreensões tornou-se agora uma máquina de prisão sistemática destinada a sufocar o ativismo civil.

De acordo com a pesquisa, o Reino Unido está usando penas de prisão com severidade e frequência sem precedentes para punir cidadãos mobilizados contra o aquecimento global e o fornecimento de armas do governo britânico a Israel, dando origem a uma nova categoria de prisioneiros políticos no século XXI.

O estudo expõe a severidade com que o sistema judiciário responde à desobediência civil política. Após analisar os antecedentes criminais de 286 ativistas ambientais e pró-Palestina, pesquisadores documentaram um total acumulado de 136 anos de prisão. Com uma pena média de 28 semanas por réu, as estatísticas revelam uma inegável realidade punitiva: um em cada três manifestantes é condenado a mais de seis meses de prisão, enquanto 20% sofrem penas superiores a um ano.

Segundo a mídia, isso representa uma mudança drástica em direção a medidas punitivas, demonstrando uma clara intenção de aplicar punições exemplares a grupos cujas reivindicações, paradoxalmente, muitas vezes se alinham com os sentimentos da maioria da opinião pública.

A estratégia de desgaste do Estado britânico começa muito antes da sentença final ser proferida, explica o relatório, utilizando a prisão preventiva como uma sofisticada "primeira linha de ataque" destinada a dissuadir qualquer indício de protesto. O relatório denuncia que essa prisão preventiva funciona como um mecanismo preventivo, a ponto de, em 60% dos casos analisados, as sentenças finais terem sido muito mais brandas do que o tempo que os ativistas já haviam passado em custódia aguardando julgamento.
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O caso paradigmático dos chamados "Filton 24" — ativistas da Ação Palestina que protestavam contra uma fábrica de armas em Bristol que produzia armamentos destinados a Israelilustra esse abuso: eles foram mantidos em prisão preventiva por até 18 meses (triplicando o limite legal padrão) antes que a maioria fosse absolvida das principais acusações.
Um dos aspectos mais críticos e controversos expostos na investigação é o papel do desacato ao tribunal, um mecanismo legal que não exige deliberação do júri e já é responsável por 40% das prisões de manifestantes. O sistema permite que tanto empresas privadas quanto entidades públicas solicitem medidas cautelares civis para proteger seus interesses comerciais.
A violação dessas ordens pelos ativistas resulta automaticamente em penas de prisão efetivas. Essa privatização indireta da punição criminal concede, na prática, às corporações transnacionais o poder de acionar o sistema prisional do Estado contra dissidentes, como ocorreu com a prisão de 69 pessoas após os protestos do movimento Just Stop Oil (Pare de Usar Petróleo) em um terminal petrolífero.

A arquitetura institucional que sustenta essa ofensiva legal, explica o relatório, é alimentada por uma combinação de leis restritivas aprovadas pelo Parlamento britânico, pela expansão dos poderes policiais e por diretrizes judiciais que proíbem os réus de argumentarem suas motivações éticas ou políticas perante os júris.

Autores do relatório, como o professor de justiça climática David Whyte, argumentam que o nível de vingança judicial responde a uma agenda estritamente política para proteger o status quo de críticas. As sentenças excepcionalmente longas e o bloqueio de defesas legais legítimas demonstram uma preocupante erosão das garantias democráticas fundamentais no Reino Unido, conclui o estudo.
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