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Retomada da industrialização do Brasil pode passar pelo BRICS, diz analista (VÍDEOS)

© Foto / Agência Brasil / DivulgaçãoSoldados industriais, foto de arquivo
Soldados industriais, foto de arquivo - Sputnik Brasil, 1920, 25.05.2026
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Nesta segunda-feira (25), o Dia da Indústria expõe o dilema estratégico do setor no Brasil. O país precisa superar diversos desafios, entre eles: retomar a capacidade produtiva sob tensões geopolíticas, responder à transição energética com modernização acelerada e dominar a alta tecnologia, demandas que a atual industrialização exige.
Nesse sentido, o Palácio do Planalto precisa observar parceiros internacionais para alavancar sua política industrial, e o BRICS pode ser uma alternativa viável para esse projeto, segundo análise de Igor Estima Sardo, doutorando em Ciência Política pela UFRGS e pesquisador associado do ISAPE (Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia), em entrevista à Sputnik Brasil.

"Em relação ao BRICS, o Brasil pode ter um plano real para a retomada da indústria. Rússia e China seriam parceiros naturais. Na verdade, a China já tem sido um investidor muito forte no Brasil. Vimos, por exemplo, capitais de longa data dos EUA saindo do Brasil, como no caso da Ford, cujos galpões na Bahia se tornaram galpões da BYD, uma empresa chinesa", disse.

O especialista, que também é mestre em Estudos Estratégicos Internacionais, aponta que o Brasil, como acionista do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como Banco do BRICS, pode usar recursos para investir e modernizar seu parque industrial.

"Uma retomada da indústria brasileira, eu acho, passa pelo BRICS. Lembrando que o Brasil é acionista do NDB, podemos atrair muitos investimentos para infraestrutura. Já vimos casos desse tipo no Maranhão e em outros estados brasileiros", comenta.

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Acordo Mercosul-UE intimida a indústria brasileira

O acordo recentemente firmado entre Mercosul e União Europeia (UE) amplia as oportunidades de exportação. Contudo, na visão de Sardo, o tratado também expõe a indústria brasileira à concorrência de economias europeias mais sofisticadas, que detêm maior escala, financiamento e densidade tecnológica.

"Esse acordo entre Mercosul e UE intimida muito a indústria nacional. A tendência é realmente a reprimarização e uma especialização regressiva. Ou seja, vamos ficar cada vez mais especializados em produtos primários. Dessa forma, produtos que não têm grande complexidade acabam delegados, e reduzimos cada vez mais nossa complexidade econômica", destaca.

Outro ponto de crítica do analista é que, no âmbito geral, o desenvolvimento industrial é muito centrado no crédito, em vez do investimento direto em infraestrutura produtiva. Com isso, há um crescimento da dívida e poucas ações efetivas para a expansão industrial nacional.

"Questões de benefício com incentivo de crédito são paliativas. Sem investimento público, o Brasil perde sua capacidade [de industrialização] e reduz a formação de capital fixo no PIB. Isso realmente intimida cada vez mais nossa indústria. Se não houver reação, o país vai perder o pouco de flexibilidade industrial que ainda resta", observa.

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Etapas para o desenvolvimento industrial brasileiro

Sardo, ao traçar um panorama histórico do processo de industrialização do Brasil, também conjectura as necessidades atuais que o país precisa atender, uma vez que já se discutem os fundamentos da Indústria 4.0 em nível global.

"Na minha opinião, a prioridade é manter o que temos da primeira e da segunda revolução industrial e nos inserir cada vez mais na terceira e na quarta. Refiro-me a semicondutores, chips, informática, redes, o que chamamos de internet das coisas, com a indústria cada vez mais conectada. Mas, no âmbito da quarta revolução industrial, robótica e inteligência artificial, o Brasil ainda não tem nada", conclui.

Com o avanço das tecnologias e um cenário internacional cada vez mais marcado por disputas por controle de fluxos e relações políticas, a indústria tornou-se vital, especialmente num contexto de avanço de altas tecnologias como a inteligência artificial. Neste cenário, o Brasil, assim como outros países do Sul Global, precisa se adaptar à nova realidade.
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