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Não é só futebol: Copa do Mundo de 2026 terá o maior número de tensões latentes, diz analista
Não é só futebol: Copa do Mundo de 2026 terá o maior número de tensões latentes, diz analista
Sputnik Brasil
A próxima Copa do Mundo de futebol, a ser sediada em Estados Unidos, Canadá e México, será a maior em termos de seleções competidoras. Entretanto, gastos e... 27.05.2026, Sputnik Brasil
2026-05-27T20:41-0300
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Apesar da intenção de ser um Mundial da América do Norte, México e Canadá sediarão 13 jogos cada, enquanto os EUA receberão a maioria esmagadora das partidas, 78 no total. As atenções, portanto, estão todas voltadas para os Estados Unidos, e inúmeros pontos sobressaltam a poucas semanas do início do campeonato.Um deles está relacionado aos gastos do torcedor, que deixa hotéis esvaziados e constata que o preço dos ingressos está "muito alto, comparando com os eventos anteriores", descreve ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, Adriano Freixo, doutor em história social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (Inest/UFF).Outra mudança importante em relação a Mundiais anteriores que impacta negativamente o bolso do torcedor é o preço do transporte interno. Enquanto na Rússia e no Catar as passagens eram gratuitas, nos EUA tarifas serão cobradas e afetarão o dia a dia do cidadão norte-americano.Segundo reportagem do The Atlantic, o órgão responsável pelo transporte de Nova Jersey planeja cobrar mais de US$ 100 (cerca de R$ 507) por uma viagem de ida e volta entre Manhattan e o MetLife Stadium, que fica no estado americano. Normalmente o custo desse trajeto é de US$ 12,90 (R$ 65,40).Além dos valores, a lotação nos estádios, segundo o analista, ficará comprometida pela seguinte questão: boa parte dos fãs de futebol nos EUA são latinos ou descendentes de latinos que nasceram no país. Porém, a política de perseguição aos imigrantes e a atuação do ICE, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas, tensiona a situação, inclusive para os cidadãos e migrantes documentados.Freixo lembra que o termômetro já foi testado em um evento futebolístico nos Estados Unidos no ano passado, a primeira Copa do Mundo de Clubes da FIFA, que sofreu com esvaziamento. "Em alguns jogos, as empresas patrocinadoras do evento, na véspera, chegaram a distribuir ingressos para ONGs, para escolas, justamente para botar mais público nos estádios", recorda.Os Estados Unidos, conforme o analista, também vão inaugurar uma série de políticas enquanto anfitriões do evento. Uma delas é a delimitação da circulação de pessoas.O caso mais emblemático é o do Irã, cujos atletas correriam o risco de disputar o torneio sem qualquer garantia de segurança, segundo o presidente Donald Trump chegou a dizer. Em afirmação seguinte, sugeriu que o país, classificado para o Mundial dentro de campo, fosse substituído pela Itália. As outras seleções participantes com torcidas sancionadas são Haiti, Senegal e Costa do Marfim.Nesse sentido, as determinações norte-americanas vão na contramão do que é esperado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA, na sigla em francês) e pelos patrocinadores do evento — alto número de turistas, ocupação de hotéis, venda de ingressos, venda de cotas de patrocínio, venda de direitos de transmissão.EUA recebem Mundial com tensões domésticas e internacionaisA autonomia que órgãos como o ICE adquiriram neste governo Trump tende a afastar turistas dos Estados Unidos, de acordo com Freixo."Às autoridades alfandegárias norte-americanas foram dados poderes discricionários. Eles podem simplesmente, por algum motivo — e não precisam justificar —, barrar a entrada de qualquer pessoa nos Estados Unidos. É um risco viajar para os EUA. Inclusive, recentemente, uma série de organizações norte-americanas ligadas aos direitos humanos emitiu um alerta internacional aconselhando as pessoas a não viajar para os EUA, por conta, justamente, dessas medidas restritivas e desses poderes de exceção que foram dados às autoridades alfandegárias", explica.Mas o problema norte-americano extrapola as fronteiras do Tio Sam. Ao passo que recebeu das mãos do presidente da FIFA, Gianni Infantino, o primeiro prêmio da paz concedido pela entidade esportiva, Trump segue na crista da onda em conflitos ao redor do mundo. O mais recente, prestes a entrar no quarto mês, é o do Irã, que confirmou que disputará o Mundial.De acordo com Freixo, esta é a "Copa do Mundo com o maior número de tensões latentes"."Já tivemos Copa na Itália fascista; já tivemos Copa no regime ditatorial argentino; tivemos Copa num país islâmico com um regime bastante fechado, caso do Catar, e o nível de tensão não se igualou ao que estamos vendo para essa Copa de 2026", destaca.Apesar das evidências do esforço de guerra estadunidense, a FIFA não aplicou qualquer sanção ao país anfitrião, assim como a Israel. Parceiro direto da Casa Branca, que encampa um genocídio na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, o Estado judeu não vai jogar a Copa, mas pôde disputar a classificação.Para quem pensa que política e futebol não se misturam, os dois pesos e duas medidas mostram que a FIFA "sempre age como ator geopolítico", diz o especialista.
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Não é só futebol: Copa do Mundo de 2026 terá o maior número de tensões latentes, diz analista
20:41 27.05.2026 (atualizado: 22:14 27.05.2026) Especiais
A próxima Copa do Mundo de futebol, a ser sediada em Estados Unidos, Canadá e México, será a maior em termos de seleções competidoras. Entretanto, gastos e atenção ao cenário geopolítico também serão ampliados durante o torneio.
Apesar da intenção de ser um Mundial da América do Norte, México e Canadá sediarão 13 jogos cada, enquanto os EUA receberão a maioria esmagadora das partidas, 78 no total. As atenções, portanto, estão todas voltadas para os Estados Unidos, e inúmeros pontos sobressaltam a poucas semanas do início do campeonato.
Um deles está relacionado aos gastos do torcedor, que deixa hotéis esvaziados e constata que o preço dos ingressos está "muito alto, comparando com os eventos anteriores",
descreve ao Mundioka, podcast da
Sputnik Brasil,
Adriano Freixo, doutor em história social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (Inest/UFF).
Outra mudança importante em relação a Mundiais anteriores que impacta negativamente o bolso do torcedor é o preço do transporte interno. Enquanto na Rússia e no Catar as passagens eram gratuitas, nos EUA tarifas serão cobradas e afetarão o dia a dia do cidadão norte-americano.
Segundo reportagem do The Atlantic, o órgão responsável pelo transporte de Nova Jersey
planeja cobrar mais de US$ 100 (cerca de R$ 507) por uma viagem de ida e volta entre Manhattan e o MetLife Stadium, que fica no estado americano. Normalmente o custo desse trajeto é de US$ 12,90 (R$ 65,40).
Além dos valores,
a lotação nos estádios, segundo o analista,
ficará comprometida pela seguinte questão:
boa parte dos fãs de futebol nos EUA são latinos ou descendentes de latinos que nasceram no país. Porém, a política de perseguição aos imigrantes e
a atuação do ICE, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas, tensiona a situação, inclusive para os cidadãos e migrantes documentados.
"Eles se sentem inseguros para ir aos estádios, porque imagina a quantidade de agentes do ICE que não estarão infiltrados nesses jogos, monitorando a presença desses imigrantes. Tudo isso contribui para esse esvaziamento, até o momento, do evento", comenta.
Freixo lembra que o termômetro já foi testado em um evento futebolístico nos Estados Unidos no ano passado, a primeira Copa do Mundo de Clubes da FIFA, que sofreu com esvaziamento. "Em alguns jogos, as empresas patrocinadoras do evento, na véspera, chegaram a distribuir ingressos para ONGs, para escolas, justamente para botar mais público nos estádios", recorda.

21 de novembro 2025, 21:10
Os Estados Unidos, conforme o analista, também vão inaugurar uma série de políticas enquanto anfitriões do evento. Uma delas é a
delimitação da circulação de pessoas."Existem restrições parciais ou integrais à entrada de nacionais de 39 países — nós temos 19 com restrições integrais e 20 com restrições parciais. E, desses 39 países, quatro estão na Copa do Mundo."
O caso mais emblemático é o do Irã, cujos atletas correriam o risco de disputar o torneio sem qualquer garantia de segurança, segundo o presidente
Donald Trump chegou a dizer. Em afirmação seguinte, sugeriu que o país, classificado para o Mundial dentro de campo, fosse
substituído pela Itália. As outras seleções participantes com torcidas sancionadas são
Haiti, Senegal e Costa do Marfim.
Nesse sentido, as determinações norte-americanas vão na contramão do que é esperado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA, na sigla em francês) e pelos patrocinadores do evento — alto número de turistas, ocupação de hotéis, venda de ingressos, venda de cotas de patrocínio, venda de direitos de transmissão.
EUA recebem Mundial com tensões domésticas e internacionais
A autonomia que órgãos como o ICE adquiriram neste governo Trump tende a afastar turistas dos Estados Unidos, de acordo com Freixo.
"Às autoridades alfandegárias norte-americanas foram dados poderes discricionários. Eles podem simplesmente, por algum motivo — e não precisam justificar —, barrar a entrada de qualquer pessoa nos Estados Unidos. É um risco viajar para os EUA. Inclusive, recentemente, uma série de organizações norte-americanas ligadas aos direitos humanos emitiu um alerta internacional aconselhando as pessoas a não viajar para os EUA, por conta, justamente, dessas medidas restritivas e desses poderes de exceção que foram dados às autoridades alfandegárias", explica.
Mas o problema norte-americano extrapola as fronteiras do Tio Sam. Ao passo que recebeu das mãos do
presidente da FIFA, Gianni Infantino, o primeiro prêmio da paz concedido pela entidade esportiva, Trump segue na crista da onda em conflitos ao redor do mundo. O mais recente, prestes a entrar no quarto mês, é o do Irã, que confirmou que disputará o Mundial.
"Esta Copa está trazendo uma série de situações inéditas e esdrúxulas, porque pela primeira vez nós teremos uma Copa com a presença de dois países — um deles sendo a sede do evento — que estão em guerra. Isso é uma situação absolutamente inédita", ressalta.
De acordo com Freixo, esta é a "Copa do Mundo com o maior número de tensões latentes".
"Já tivemos Copa na Itália fascista; já tivemos Copa no regime ditatorial argentino; tivemos Copa num país islâmico com um regime bastante fechado, caso do Catar, e o nível de tensão não se igualou ao que estamos vendo para essa Copa de 2026", destaca.
Apesar das evidências do esforço de guerra estadunidense, a FIFA não aplicou qualquer sanção ao país anfitrião, assim como a Israel. Parceiro direto da Casa Branca, que encampa um genocídio na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, o Estado judeu não vai jogar a Copa, mas pôde disputar a classificação.
Para quem pensa que política e futebol não se misturam, os
dois pesos e duas medidas mostram que
a FIFA "sempre age como ator geopolítico", diz o especialista.
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