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Presença do CV na Ucrânia pode elevar disputas territoriais entre facções, aponta analista (VÍDEOS)

© AP Photo / Silvia IzquierdoSoldado faz guarda ao lado de muro marcado com a sigla "CV", do Comando Vermelho, durante operação na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro (RJ)
Soldado faz guarda ao lado de muro marcado com a sigla CV, do Comando Vermelho, durante operação na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro (RJ) - Sputnik Brasil, 1920, 02.06.2026
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Recentemente, investigações da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro indicam que o Comando Vermelho (CV) subvencionou alguns de seus faccionados para atuarem no conflito russo-ucraniano como mercenários. Nesse contexto, reacendeu a preocupação com os impactos do retorno desses homens ao Brasil.
Para Thales Cruz, mestrando em Sociologia e bacharel em Segurança Pública, ambos na Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista à Sputnik Brasil, um dos possíveis impactos é a disputa por territórios com imposição de força bélica entre facções, o que pode envolver até confrontos com a milícia.

"Acredito que essa questão do CV na Ucrânia pode ter pequenas mudanças nessas dinâmicas no enfrentamento e controle territorial, devido a um novo conhecimento que se adquire, como o uso de drone, do qual o CV já vem fazendo. Talvez isso altere a relação do CV com outras organizações criminosas, como o TCP, a ADA e até a milícia", disse.

Apesar do ethos bélico e do controle territorial que impulsionam o tráfico no Rio de Janeiro e com seus faccionados em solo ucraniano aprendendo novas técnicas, o analista compreende que o intercâmbio não deve alterar significativamente os confrontos entre policiais e grupos criminosos.
Segundo ele, mesmo diante de uma relativa paridade de armas, as forças de segurança conseguem intervir em áreas ocupadas quando há planejamento coordenado, como ocorreu na instalação inicial das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

"Esse ethos bélico do traficante de fazer o uso do controle territorial no Rio, a partir da demonstração de força com aparatos bélicos, faz parte da constituição dessa organização criminosa. Mas, quando se tem um planejamento coordenado, tivemos exemplos como o das UPPs, que conseguiram se instalar em territórios do CV, apesar de seu fortalecimento bélico", comenta.

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Ucrânia pode abrir espaço para conexões e negócios

Outro ponto levantado pelo especialista é que a ida de faccionados para o front ucraniano poderia ter não apenas como objetivo o treinamento militar para esses homens, mas também o estabelecimento de uma rede para negócios ilícitos.

"Essa relação com a Ucrânia, de facções enviarem pessoas para lá, creio que sejam novas possibilidades de mercado e de estabelecimento de redes, uma internacionalização. Ou seja, uma possibilidade de alcançar novos locais. Por isso, enfatizo bastante o aspecto econômico da coisa, além do fortalecimento bélico", destaca.

Cruz ressalta que o crime organizado se sofisticou a ponto de operar como uma espécie de holding econômica complexa. Para além do mercado tradicional de drogas e armas, as facções também utilizam a financeirização, que consiste em infiltrar o capital ilícito em negócios de fachada como forma de dificultar o rastreamento policial e transformar o lucro da violência em ativos legais rentáveis. Para isso, precisam expandir os contatos.

"Quando falo da ampliação de mercado, vou além de possíveis conexões de rotas de droga. Por exemplo, o CV já diversifica seu capital financeiro não apenas no mercado de drogas e armas. Então, só o fato de se ter toda uma logística para mandar pessoas para a Ucrânia com determinado objetivo mostra pequenos indícios de um estabelecimento de uma rede", observa.

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Experiência militar e o ambiente do crime organizado

O pesquisador alerta que a estratégia do CV de enviar criminosos para a Ucrânia reflete a constante mutação da facção para manter sua capacidade de letalidade. Historicamente, o grupo tem adaptado suas táticas de enfrentamento às forças de segurança e buscado novas formas de diversificar e modernizar seu arsenal bélico.

"Um soldado ucraniano tem conhecimento prático que um faccionado não tem, porque trocar tiros com a polícia na favela não se compara a viver uma guerra. O CV, historicamente, adota diferentes comportamentos em confrontos com a polícia e em conseguir armas. Por ser um grupo muito dinâmico, eu não ficaria surpreso se conseguissem trazer pessoas de lá [da Ucrânia]", conclui.

A Secretaria de Segurança Pública do Governo do Estado do Rio de Janeiro foi procurada duas vezes pela reportagem, mas não se manifestou até a publicação desta matéria. Caso envie um posicionamento, o conteúdo será atualizado.
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