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Com restrição em Ormuz países podem flexibilizar a compra do gás russo, diz analista (VÍDEOS)

© Sputnik / Sergei GuneevNavio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) Grand Aniva na primeira fábrica de GNL na Rússia
Navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) Grand Aniva na primeira fábrica de GNL na Rússia - Sputnik Brasil, 1920, 10.06.2026
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Apesar da redução das hostilidades no Oriente Médio após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, o estreito de Ormuz segue sob restrições que prejudicam as rotas comerciais globais, incluindo o fluxo de gás natural liquefeito. Nesse cenário, apesar das sanções ocidentais, a Rússia surge como uma opção na distribuição desse ativo energético.
Como a dinâmica de transporte de gás natural liquefeito (GNL) depende muito do transporte marítimo, outras rotas passaram a ser estruturadas, como alternativas a Ormuz. Dessa forma, parceiros mesmo sob sanções acabam sendo considerados na comercialização entre países, conforme explica Luiza Guitarrari, pesquisadora de óleo, gás e biocombustíveis da FGV Energia, em entrevista à Sputnik Brasil.

"E o GNL é um mercado altamente dependente da via marítima porque ele é capaz de transportar o gás de maneira liquefeita [...]. Foi uma saída muito importante para a União Europeia no contexto do início [do conflito ucraniano]. [...] Então, considerando a balança comercial do Catar, tanto a União Europeia quanto países da Ásia, sobretudo Paquistão, próprios vizinhos ali, são países que dependem muito do recurso e que vão talvez apostar em outro fornecedor à disposição, que no caso é a Rússia", disse.

A especialista também aponta que a instabilidade geopolítica que afeta diretamente a cadeia de segurança energética internacional gera uma necessidade entre os Estados na diversificação de parceiros fornecedores de ativos energéticos e, em alguns casos, até retornam a matrizes convencionais.

"Então, os países começam a tentar recompor esse fornecimento que foi restrito desde fevereiro, [...] seja com outros parceiros ou seja com outros recursos energéticos que têm à disposição. Alguns voltam para o que têm à disposição, como carvão e fontes mais poluentes [...]. E a opção mais imediata de curto prazo é realmente importar de outros parceiros", comenta.

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Flexibilização entre as sanções e a crise geopolítica

Devido à dinâmica volátil do mercado de energia, principalmente em um ambiente de tensões como o atual, isso abre brecha para que governos passem a flexibilizar, mesmo com ameaças de sanções, para ter acesso ao abastecimento necessário para suprir demandas internas, como elucida Guitarrari.

"É isso um pouco que o mercado de GNL tem experimentado [...]. A gente fala que geopolítica ou poder não admite vácuo, mas o mercado de energia também não vai permitir, porque no final do dia eu preciso que a minha população tenha energia. Então, apesar de ser um país sancionado, outros países vão estar importando porque é mais barato, seja de energia russa ou outra", afirmou.

Além do GNL, o cenário geopolítico instável também abre a possibilidade para a compra de outros recursos energéticos, nesse contexto a especialista cita o exemplo da comercialização entre Brasília e Moscou no âmbito do diesel.

"O próprio Brasil tem vindo nessa mesma esteira, não com GNL russo, mas com diesel russo. No passado, a gente não importava tanto quanto se importa hoje 1% do nosso market share de diesel, que os EUA eram o principal parceiro, hoje em dia a Rússia domina mais de 40% da nossa importação de diesel. Então, tem esse cálculo: os países vão preferir, vão optar por aquilo que seja mais barato para o seu bolso e também mais benéfico para a população", observou.

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Rússia adapta sua logística naval devido às sanções

Com sanções unilaterais impostas contra a Federação da Rússia pelo eixo Washington e Bruxelas, o país teve que se reinventar e criar alternativas para atender a demanda de demais Estados que precisam desses recursos russos. Dessa forma, Guitarrari conta como foi essa alteração nas rotas logísticas por parte de Moscou.

"Do ponto de vista logístico, o que se tinha [...] nos dois anos iniciais do conflito [ucraniano], era uma reorganização dos fluxos comerciais, não saindo mais do mar Negro, mas sim do mar Báltico [...]. Pelo menos o que eu observo um pouco do cenário com o Brasil [...] é um apoio logístico maior saindo do Báltico. [...] Mas ainda assim, permitiu à Rússia comercializar com outros países, principalmente na parte sul-americana, Brasil, a própria Venezuela, países na costa africana, na costa atlântica", concluiu.

As consequências de conflitos militares somados a sanções impostas unilateralmente afetam diretamente a segurança energética, o que traz impactos na política, na economia e na vida do cidadão comum, tais como a inflação de preços e até a restrição de insumos e serviços básicos.
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