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'Geopolítica das águas doces': analista explica como o Brasil atua para proteger seus rios (VÍDEOS)

© Flickr / Marinha do BrasilOperação ACRUX XI - 2024 Marinha do Brasil participa da maior Operação Ribeirinha Combinada da América Latina “ACRUX XI” reúne navios, aeronaves e Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil e das Armadas da Argentina, do Uruguai e do Paraguai
Operação ACRUX XI - 2024
Marinha do Brasil participa da maior Operação Ribeirinha Combinada da América Latina
 
“ACRUX XI” reúne navios, aeronaves e Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil e das Armadas da Argentina, do Uruguai e do Paraguai - Sputnik Brasil, 1920, 11.06.2026
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Diante das disputas geopolíticas por recursos naturais por parte de potências como os EUA na América Latina, a estratégia de defesa do Brasil tem expandido seus horizontes além do controle dos mares. Recentemente, o país liderou a Operação ACRUX XII, no Mato Grosso do Sul, que reuniu forças navais da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
Nesse cenário, Vinicius Modolo Teixeira, professor de geopolítica da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e analista de organizações militares, em entrevista à Sputnik Brasil, ressalta o papel da defesa naval por parte da esquadra brasileira, que, além da proteção da zona de mar aberto, também atua de forma constante entre os diversos rios no interior do país, inclusive nas áreas mais remotas.

"A Marinha regula não só as águas costeiras, mas também as águas interiores do Brasil. Nós temos um distrito que fica na região de Corumbá. Ladário é uma base importante. Temos navios ali, inclusive navios armados, artilhados, que são colocados nesses rios e na região do Amazonas também, que fazem a segurança dessa região, indo até o Acre, Rondônia e a região mais distante do Amazonas", disse.

O especialista também aponta que a Operação ACRUX, que reuniu forças de defesa de países sul-americanos e cuja edição mais recente, realizada em abril em Corumbá, no perímetro do Pantanal sul-mato-grossense, reuniu mais de 700 militares, é uma forma de dissuadir movimentos que contestem a força do Estado, como as facções criminosas.

"Mas essa operação, que é feita com forças de defesa, tem outros objetivos também, como impedir que uma força contestadora, um movimento de guerrilha, atue na região. No caso do PCC e do Comando Vermelho, pode ocorrer uma mutação no futuro, não é descartado esse tipo de atuação. Mas a questão da criminalidade é o que talvez mais interesse", comenta.

A boat travels near the Island of Silence along the Magdalena River, where hippos descended from animals introduced by the late drug trafficker Pablo Escobar have found refuge and multiplied, in Puerto Triunfo, Colombia, Thursday, April 23, 2026. (AP Photo/Fernando Vergara) - Sputnik Brasil, 1920, 11.05.2026
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ONGs estrangeiras também são ameaças ao país

Outro ponto levantado pelo analista é que, embora os rios frequentemente não sejam vistos como ferramentas centrais na geopolítica, eles possuem grande relevância. Isso ocorre porque, mesmo aparentando uma dimensão regional, os cursos d'água contam com elementos conectados à esfera de interesse mundial. Além disso, Modolo também menciona a atuação de ONGs financiadas por organismos estrangeiros, que propagam narrativas com o objetivo de impor restrições à dinâmica local.

"Muita gente se esquece, aparentemente é simples: um rio não tem tanta importância em nível geopolítico. Mas quando se esmiúça, se leva em consideração vários pontos que vão se entrelaçando com o jogo da geopolítica global. Há uma questão da produção agrícola, a utilização para produção de energia, a segurança interna e a 'securitização' feita por ONGs internacionais que vêm aí exercer certas restrições", destaca.

Nesse contexto, Modolo reforça que a presença e o trabalho realizado por essas ONGs precisam ser supervisionados e também relativizados, uma vez que há uma incoerência, segundo a sua análise, na forma como elas atuam entre os países do Sul e do Norte Global.

"Nós temos, lógico, que proteger o meio ambiente e levar em consideração que há crimes sendo cometidos dentro do país, mas também que há uma legislação interna. Eu sempre vejo com cuidado o discurso dessas ONGs, que fazem a vistoria em países da América do Sul e da África, mas não fazem levantamento de crimes ambientais na Europa e nos EUA, de onde esses organismos foram criados", observa.

Rios podem servir de alvos em disputas geopolíticas

Modolo enfatiza que a importância dos rios não é algo recente, mas sim histórico, uma vez que as vias fluviais são importantes no interior de qualquer país, e isso acaba sendo um ativo precioso na esfera tanto política quanto militar.

"Na América do Sul, historicamente, as nossas fronteiras passaram a ser demarcadas por rios, por acidentes geográficos que seriam facilmente delimitados. Nessa conjuntura, vários desses pontos foram questionados ao longo da história, e os rios passaram a ser disputados", conclui.

Em um mundo cada vez mais globalizado, com economias interdependentes, a busca por recursos em territórios estrangeiros para exploração comercial e estratégica torna-se cada vez mais uma constante. Assim, a proteção da soberania dos rios também significa a defesa da integridade do território nacional.
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