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'A vida muda, mas você continua': como os cubanos estão lidando com as sanções dos EUA?

© AP Photo / Ramon EspinosaCubanos transportam galões com água por Havana, em 3 de junho de 2026
Cubanos transportam galões com água por Havana, em 3 de junho de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 13.06.2026
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Havana, a capital de Cuba, vive há vários meses uma realidade que era mais comum no resto do país: apagões que duram quase 30 horas, eletricidade por apenas uma ou duas horas por dia e difícil acesso a outros serviços básicos, como consequência das medidas de Washington contra a nação caribenha.
A situação, cada vez mais complexa, com um impacto preocupante em setores considerados pilares do programa social da ilha, como educação e saúde, afeta todos os aspectos da vida e impacta o cotidiano das famílias, somando-se à incerteza gerada pelas tensões causadas por Washington.
Além disso, diante da falta de eletricidade ou gás para cozinhar, os cubanos têm recorrido a métodos tradicionais, incluindo o uso de carvão ou lenha, recursos já empregados em outros períodos da história recente, como o chamado Período Especial, uma crise econômica que começou na década de 1990.
Nesse contexto, um número crescente de triciclos elétricos com painéis solares circula pelas ruas da cidade, uma das soluções mais engenhosas para o transporte.
Em algumas residências, os moradores optaram por adquirir estações de carregamento, painéis solares, inversores, baterias ou ventiladores recarregáveis ​​para atenuar o impacto das longas e aparentemente intermináveis ​​horas sem energia elétrica. Algumas dessas medidas estão sendo replicadas em instituições estatais, como policlínicas, hospitais, escolas e empresas.
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O cotidiano

Para o professor universitário e doutor em ciências históricas Fabio Fernández, um dos aspectos mais visíveis das dificuldades diárias enfrentadas pelos moradores de Havana é a crescente frequência dos apagões, visto que "eles sempre ultrapassam 15 horas e facilmente chegam a 24, números absolutamente impensáveis ​​na capital há alguns meses".
Outro problema está relacionado às comunicações, já que a falta de energia elétrica "afeta os centros de retransmissão de sinal e, portanto, o serviço de telefonia celular e a cobertura de internet, aspectos que se deterioraram significativamente", disse ele à Sputnik.
No entanto, em comparação com janeiro e fevereiro, quando foi anunciado o endurecimento das sanções de Washington, "há uma estabilidade notável na área do transporte privado", embora as tarifas tenham sido ajustadas para refletir o aumento dos custos de combustível e do custo de vida em geral, disse o especialista.
"Os cubanos continuam a viver e a tentar sobreviver em todos os aspectos das suas vidas. As mães cubanas esforçam-se para garantir que os seus filhos tenham um bom desempenho na escola, e as famílias que enfrentam tratamentos médicos fazem tudo o que é possível para que tudo corra da melhor forma possível num contexto de dificuldades e escassez", observou.
A este respeito, o professor afirmou que "as pessoas adaptaram-se e encontraram formas de sobreviver, como cozinhar a sua própria comida [...]. O povo cubano é resiliente porque temos capacidade para o ser, e não temos outra escolha".
Em entrevista a esta publicação, a economista Omar Everleny Pérez, assessora acadêmica do Centro Cristão de Reflexão e Diálogo e ex-professora da Universidade de Havana, afirmou que a saída ou redução das operações de redes hoteleiras estrangeiras não resultou em mudanças significativas para o turismo, um dos principais setores econômicos da ilha.
Segundo a especialista, a situação em Cuba é muito difícil. "As sanções afetam as pessoas mais pobres, que vivem em situação de mera sobrevivência, como acontece no bairro onde moro", comentou, acrescentando que isso provavelmente se refletirá no PIB no final do ano.
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Adaptação a novos cenários

O agravamento da crise energética levou à adoção de estratégias como a antecipação do término do ano letivo, processo que deverá ser realizado gradualmente de 15 a 30 de junho, conforme explicou recentemente a ministra da Educação cubana, Naima Trujillo.
Yanae Naredo, uma jovem formada em Biblioteconomia e Ciência da Informação e mãe de duas crianças de nove anos, disse à Sputnik que, embora a medida seja necessária, obriga os alunos a encerrar o ano letivo abruptamente.
Ela acrescentou que eles tiveram que concluir as tarefas durante "muitas horas de apagões, o que impacta negativamente o desempenho acadêmico das crianças. Os intervalos foram passados ​​em condições precárias, e a maioria teve que fazer a lição de casa e estudar à luz de velas ou lâmpadas recarregáveis".
Como mãe, acrescentou, sua preocupação com a segurança alimentar dos filhos, tanto em casa quanto na escola, está aumentando, porque "os alimentos não recebem refrigeração suficiente durante as poucas horas de eletricidade disponíveis".
No entanto, para Vilma, a mãe cubana, a medida foi muito boa: "o filho tirou boas notas nas provas finais e nos trabalhos práticos". Sobre sua rotina diária, ela contou a esta publicação que mantém uma vida normal, "suportando os apagões, trabalhando e lutando. A vida muda, mas a gente continua".
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