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Entrada do Uzbequistão no NBD mostra a sua característica de banco do Sul Global, diz analista (VÍDEOS)

© Divulgação / Presidência do UzbequistãoDilma Rousseff, presidenta do NBD, ao lado do presidente uzbeque, Shavkat Mirziyoyev, em Tashkent, capital do Uzbequistão
Dilma Rousseff, presidenta do NBD, ao lado do presidente uzbeque, Shavkat Mirziyoyev, em Tashkent, capital do Uzbequistão - Sputnik Brasil, 1920, 16.06.2026
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O Uzbequistão tornou-se oficialmente acionista do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) após cumprir todos os requisitos necessários e se tornou acionista e o primeiro representante centro-asiático a ingressar na instituição. O movimento ocorre em meio ao processo de expansão do banco que está em curso.
Na 11ª Reunião Anual do NBD, realizada recentemente em Moscou, a instituição sinalizou uma nova expansão no seu quadro de acionistas, com destaque para as articulações envolvendo Colômbia, Etiópia e Uzbequistão. Este último formalizou seu ingresso neste mês de junho, marco consolidado pela visita oficial da presidenta do banco, Dilma Rousseff, a Tashkent, onde se reuniu com o presidente uzbeque Shavkat Mirziyoev.
Essa movimentação ratifica a gênese da entidade de voltar-se ao Sul Global, conforme analisa Ana Saggioro Garcia, professora de Relações Internacionais da UFRRJ, em entrevista à Sputnik Brasil.

"A entrada do Uzbequistão completa um ciclo de expansão [do NBD] com a incorporação do Egito, Bangladesh e Emirados Árabes. Isso mostra que o NBD precisa ser um banco do grupo BRICS, um banco do Sul Global, que reflete as necessidades por investimentos em infraestrutura, e é um banco que nasce corrigindo aspectos que foram, ao longo da história, criticados no Banco Mundial e em outros bancos multilaterais", disse.

A professora e pesquisadora do BRICS Policy Center (PUC-RJ) aponta que o ingresso do Uzbequistão no NBD, como primeiro representante da Ásia Central, pode abrir caminho para outros países da região que também integram a União Econômica Eurasiática (UEE), como Cazaquistão e Quirguistão, além de vizinhos como Tajiquistão e Turcomenistão.
Esse movimento pode também incentivar que outros Estados da UEE solicitem a adesão, como Belarus, expandindo assim o alcance do banco para além do território centro-asiático.

"É bem possível que o banco comece a receber essas solicitações [de países da Ásia Central e UEE]. Mas, certamente, não vão ser incorporados de forma muito rápida, porque todos esses países precisam passar por um processo de avaliação. Mas é bem possível que isso [pedidos de solicitações] aumente", comenta.

Na coletiva de imprensa do 11º Encontro Anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), em Moscou, Dilma Rousseff, presidente da instituição, conversa com Anton Siluanov, ministro das Finanças da Rússia - Sputnik Brasil, 1920, 15.05.2026
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NBD como alternativa às instituições hegemônicas

Com o cenário internacional recrudescido por sanções unilaterais impostas principalmente pelo eixo Washington-Bruxelas e por conflitos em diversas partes do mundo, que acabam afetando a economia global, Ana Garcia aponta que o NBD, assim como outras instituições multilaterais, surge como uma alternativa para os países que buscam financiamento.

"Quando as pressões vão aumentando do Ocidente, quando os recursos vão ficando escassos para créditos pelas outras instituições multilaterais, os países vão precisar recorrer a instituições mais alternativas, novas ou regionais. A questão é essa: qual é a capacidade do NBD de incorporar novos membros e em qual velocidade, e que vantagens isso traz para o NBD", destaca.

A especialista também lembra que nem todos os acionistas do NBD fazem parte do BRICS. Isso ocorre porque a instituição bancária, sediada em Xangai, criada por seus fundadores, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, iniciou sua expansão de membros antes mesmo de o próprio agrupamento político se ampliar.

"O Banco dos BRICS expandiu antes do grupo BRICS, buscando novos sócios para poder emprestar e receber, como um banco multilateral de desenvolvimento de países, e não de grandes capitalistas internacionais. Já no caso do BRICS, isso é um pouco diferente, porque, na verdade, é um grupo de articulação política", observa.

Dilma Rousseff, presidente do Novo Bnaco de Desenvolvimento (NDB), e Anton Siluanov, ministro das Finanças da Rússia, no  11º Encontro Anual do NDB, em Moscou - Sputnik Brasil, 1920, 01.06.2026
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Banco do BRICS é uma ferramenta de desdolarização

Com tantos desafios e instabilidade no cenário econômico global, a desdolarização tornou-se um tema em constante debate. Dessa maneira, o NBD, por priorizar o fomento do comércio entre moedas locais, acaba sendo um vetor importante para esse processo.

"O que é importante é que o banco se tornou um instrumento de uso de moedas locais cada vez mais. Isso é muito relevante para os BRICS. O banco hoje é um instrumento de desdolarização para o BRICS, apesar de ainda ser muito lento", conclui.

A expansão do NBD vai além de refletir uma aspiração de diversificação econômica entre os Estados. Ela ultrapassa a questão estritamente financeira, tocando na soberania nacional em virtude da própria reconfiguração do sistema-mundo.
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