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Na polarização, 'qualquer moderado acaba perdendo espaço': qual é o valor do voto independente?

© Foto / Rovena Rosa / Agência BrasilSimulação da eleição para demonstração do fluxo de votação, em seção eleitoral cenográfica no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), em São Paulo. Brasil, 2 de outubro de 2024
Simulação da eleição para demonstração do fluxo de votação, em seção eleitoral cenográfica no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), em São Paulo. Brasil, 2 de outubro de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 18.06.2026
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Embora representem uma parcela menor do eleitorado, indecisos e independentes seguem sendo alvo prioritário das campanhas, em uma disputa cada vez mais polarizada.
Neste ciclo eleitoral, embora as pesquisas indiquem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a tendência é que novamente será uma eleição apertada, com um público sendo decisivo para a vitória: o eleitorado independente, aquele que não se identifica necessariamente com a esquerda ou com a direita.
Nas últimas eleições presidenciais, em 2022, o placar foi o mais apertado da história: Lula foi eleito após receber 50,83% dos votos válidos, enquanto o então presidente, Jair Bolsonaro (PL), ficou com 49,17%.
Com uma diferença de 1,66%, o resultado superou o da eleição de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) derrotou Aécio Neves (PSDB) por 51,64% a 48,36%. O psdbista contestou os resultados.
Jorge Almeida, professor de ciência política e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal da Bahia (UFBA), afirma à Sputnik Brasil que a disputa eleitoral no país está fortemente marcada pela polarização.
Ele explica que o comportamento do voto é determinado por dois fatores principais: valores e racionalidade pragmática. O primeiro envolve aspectos políticos, ideológicos, morais, religiosos e identitários, enquanto o segundo está relacionado à avaliação dos resultados concretos produzidos por governos e candidatos.
Segundo o pesquisador, desde meados da década passada houve um fortalecimento do voto orientado por valores, fazendo com que muitos eleitores julgassem os resultados da gestão pública a partir de suas preferências políticas, e não o contrário. Ou seja, uma parcela significativa não vota necessariamente a favor de um candidato, mas contra seu adversário. É o chamado voto de rejeição.
Esse processo reduziu o espaço do eleitorado verdadeiramente indeciso, ao mesmo tempo que o deixou ainda mais relevante em disputas apertadas.
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Para o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, muitos dos indecisos ainda não se sentem representados pelos principais nomes colocados para a disputa ou sequer conhecem suficientemente as alternativas apresentadas. Por isso, esse grupo pode ter papel decisivo no resultado eleitoral.
Ele avalia que a comunicação dos candidatos deve priorizar justamente esses eleitores que ainda não definiram seus votos, uma vez que os apoiadores fiéis e os adversários mais convictos tendem a ser menos suscetíveis à persuasão. "Há que se prestar muita atenção nessa fatia do eleitorado brasileiro", afirma à Sputnik Brasil.
Para conquistar esses votos, mais focados em resultados do que em ideologia, os candidatos precisam apresentar uma visão de mundo clara, propostas concretas e uma capacidade de criar identificação com o eleitor, afirma o cientista político.
O especialista observa que as pesquisas indicam um cansaço crescente tanto do lulismo quanto do bolsonarismo, mas pondera que a elevada rejeição dos dois grupos acaba reforçando a própria polarização.
Dessa maneira, esse ambiente dificulta debates programáticos e favorece uma lógica de confronto permanente, potencializada pelas redes sociais e pela formação de bolhas políticas cada vez mais fechadas.
Para ele, a principal consequência desse quadro é a dificuldade de consolidação de candidaturas de centro ou de uma eventual terceira via. Segundo Prando, a força política acumulada por Lula e pelo bolsonarismo continua comprimindo alternativas da direita, mesmo diante de sinais de desgaste do presidente e do senador.

"É como se os polos fossem tão poderosos que acabariam espremendo aqueles que estão no meio. […] Qualquer moderado acaba perdendo espaço."

O mesmo também opina Almeida, que avalia que as chances de crescimento de outros pré-candidatos da direita, como Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, são limitadas enquanto houver um candidato do bolsonarismo na disputa.
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