Brasil prepara emissão de título panda e reforça avanço do yuan nos mercados globais, diz mídia
11:49 22.06.2026 (atualizado: 12:44 22.06.2026)

© Foto / moerschy
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Nesta semana, o Brasil deve emitir seu primeiro título panda no mercado chinês, aprofundando a adoção de dívida em yuan em meio à desdolarização global, enquanto a China aproveita juros mais baixos para ampliar o alcance internacional de sua moeda.
O Brasil deve se tornar a próxima grande economia a emitir títulos panda, aprofundando a adoção de dívida denominada em yuan em meio ao avanço da desdolarização. A iniciativa ocorre enquanto a China amplia o alcance internacional de sua moeda, aproveitando a diferença de juros entre o yuan e o dólar para atrair emissores estrangeiros.
Segundo o South China Morning Post, a expectativa ganhou força após a reunião de 9 de junho em Xangai, quando o presidente do Banco Central chinês, Pan Gongsheng, apoiou explicitamente a emissão brasileira como parte da cooperação financeira bilateral. A operação deve ocorrer nesta semana, durante a visita do ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, ao mercado interbancário de títulos de Xangai.
Se confirmada, a emissão colocará o Brasil entre os países soberanos que recorreram ao instrumento no último ano, ao lado de Emirados Árabes Unidos, Paquistão e Cazaquistão, além de outras nações da Ásia, Europa e América do Sul. Analistas veem o movimento como um marco para a China e um sinal de confiança crescente em seus mercados de capitais.
O mercado de títulos panda vive forte expansão segundo a mídia asiática. Em 2023, as emissões somaram ¥ 183,6 bilhões (aproximadamente R$ 139,28 bilhões), e nos primeiros cinco meses de 2024 já acumulavam ¥ 136,5 bilhões (aproximadamente R$ 103,54 bilhões), alta de cerca de 90% sobre o ano anterior. O apelo está no custo mais baixo de financiamento em yuan, favorecido pelas taxas de juros reduzidas da China em comparação com EUA e Europa.
Enquanto emissores emergentes pagam entre 5% e 6% para captar em dólares e de 3% a 5% em euros, os panda bonds recentes têm oferecido cupons entre 1,7% e 2,5%. A diferença de rendimento entre títulos chineses e norte-americanos de dez anos está em torno de 2,66 pontos percentuais, reforçando a atratividade do mercado chinês.
Para analistas chineses consultados pela mídia, a expansão dos panda bonds impulsiona a internacionalização do yuan em funções como liquidação, financiamento e reservas. O CICC, um dos principais bancos de investimento do país, destaca que esses títulos se tornaram ferramenta central para ampliar o uso global da moeda e fortalecer a diplomacia econômica de Pequim.
A China tem incentivado outros emergentes a seguir o mesmo caminho. Em junho, o presidente do Banco Central chinês discutiu com o ministro das Finanças da Indonésia um plano para emitir títulos panda, e no Fórum de Lujiazui prometeu desenvolver de forma constante esse mercado, consolidando-o como ponte entre capitais domésticos e investidores estrangeiros.


