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Abelardo de la Espriella: o advogado de grande projeção prestes a se tornar presidente da Colômbia
Abelardo de la Espriella: o advogado de grande projeção prestes a se tornar presidente da Colômbia
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Aos 48 anos, Abelardo de la Espriella transformou com sucesso uma carreira próspera como advogado em casos de grande repercussão em um perfil político que o... 23.06.2026, Sputnik Brasil
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Em uma tarde de maio de 2025 — quase exatamente um ano antes da eleição —, o advogado anunciou que suspenderia sua vida na Itália para retornar à Colômbia. Ele descreveu essa decisão como uma "batalha" contra o governo de Gustavo Petro. "A Colômbia corre perigo, e não ficarei calado", escreveu ele na ocasião.Esse foi o primeiro passo de uma trajetória política meteórica, na qual lançou seu próprio movimento político, Defensores da Pátria, e conquistou apoio suficiente para ser o candidato mais votado no primeiro turno, em 31 de maio de 2026, obtendo 10.361.499 votos — ou 43,74% do total.Naquela altura, porém, o advogado — nascido em Bogotá em 31 de julho de 1978 — já era uma figura muito conhecida na Colômbia. Ele era famoso principalmente por sua atuação em casos jurídicos de grande repercussão, mas também por uma carreira eclética que abrangia desde a moda até a música.Segundo dados preliminares divulgados pelo Registro Nacional da Colômbia, Espriella obteve 12.957.471 votos (49,66%), contra os 12.707.570 votos (48,70%) conquistados pelo candidato do Pacto Histórico, Iván Cepeda — uma diferença de apenas 250 mil votos. Um advogado em destaqueEspriella formou-se em Direito pela Universidade Sergio Arboleda, seguindo os passos de seu pai, que já era um advogado renomado na área. Em 2002, ele fundou o escritório De la Espriella Lawyers, focado em direito penal, mas que também abrange áreas como imigração, direito tributário e propriedade intelectual, entre outras.Com seu escritório sediado na cidade de Barranquilla, no norte do país, Espriella passou a representar clientes em casos que atraíram grande atenção da mídia, como o de Rosa Elvira Cely — uma mulher de 35 anos estuprada e assassinada por um homem em 2012 — e o de Natalia Ponce de León, uma jovem atacada com ácido por um homem em 2014.O impacto de ambos os casos levou o Congresso a aprovar novas leis: o caso Cely abriu caminho para a tipificação do feminicídio como crime específico, enquanto o caso Ponce de León inspirou uma legislação que aumentou as penas para ataques envolvendo agentes químicos.Entre seus clientes de maior destaque está o empresário e diplomata colombiano-venezuelano Alex Saab, preso em Cabo Verde em 2020 a pedido dos Estados Unidos. Espriella atuou como seu advogado entre 2013 e 2019, sob um contrato que, segundo o próprio advogado, "ultrapassava seis dígitos". Por sua vez, Saab descreveu-o como um "grande amigo", apesar de suas "divergências políticas".Além disso, o advogado foi alvo de questionamentos em diversas ocasiões por supostamente representar membros de grupos paramilitares ou indivíduos acusados de envolvimento com o crime organizado. Ele atuou como representante jurídico das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) durante as negociações de 2003 entre o grupo paramilitar e o governo do então presidente Álvaro Uribe Vélez (2002–2010).O advogado também foi apontado como representante legal do ex-líder paramilitar Salvatore Mancuso. Espriella negou qualquer vínculo jurídico, mas admitiu conhecer Mancuso desde a infância — época em que ambos viviam na cidade de Montería.Da moda à músicaNo entanto, o direito está longe de ser o único interesse do advogado. Isso fica evidente em sua incursão por áreas como a moda, com a criação da De la Espriella Style — uma empresa voltada para o vestuário masculino que também lhe permitiu lançar suas próprias linhas de rum, vinho e café. Conforme descrito em seu site, a De la Espriella Style é "um espaço para celebrar la dolce vita, o bom gosto e as coisas feitas com paixão".Talvez essa mesma visão tenha inspirado Espriella a se aventurar na música, lançando álbuns — como De mi alma italiana (2021), Navegantes (2022) e Nació mi poesía (2025) — que trazem boleros e versões de clássicos como "My Way" e "New York, New York".Um admirador de Trump e MileiEm dezembro de 2025, Espriella concretizou seu desejo de ingressar na política ao entregar mais de 4,8 milhões de assinaturas ao Registro Nacional da Colômbia para formalizar sua candidatura.Desde então, Espriella estruturou uma campanha que explora seu apelido, "El Tigre" (O Tigre), e se concentra no slogan Firme pela Pátria — uma frase acompanhada por uma saudação militar padrão que se tornou a marca registrada de seus apoiadores nos últimos meses.Embora a lista inicial de candidatos colombianos contasse com 14 concorrentes — entre eles o governista Iván Cepeda —, a estratégia do político de oposição concentrou-se amplamente em atacar Petro, com quem protagonizou inúmeras discussões acaloradas nas redes sociais e em eventos públicos.Ainda assim, Espriella conseguiu colocar certas propostas no centro do debate, como a erradicação de 330 mil hectares de cultivos de coca, o endurecimento da segurança prisional e a criação de uma "Linha de Frente de Segurança" composta por veteranos e reservistas para atuar no policiamento de bairros selecionados em todo o país. Paralelamente, anunciou planos para um ajuste no orçamento estatal visando "fechar o rombo fiscal" e criar um governo "menor e mais eficiente".Nessa linha, o candidato tem se alinhado ideologicamente a líderes regionais como o presidente argentino Javier Milei e o presidente equatoriano Daniel Noboa. Espriella recebeu apoio de ambos e propôs replicar algumas de suas ideias na Colômbia. No entanto, sua principal referência continua sendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem busca se alinhar.
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Abelardo de la Espriella: o advogado de grande projeção prestes a se tornar presidente da Colômbia
02:06 23.06.2026 (atualizado: 09:37 23.06.2026) Aos 48 anos, Abelardo de la Espriella transformou com sucesso uma carreira próspera como advogado em casos de grande repercussão em um perfil político que o coloca na liderança, segundo a apuração preliminar do segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia. A contagem oficial dos votos ainda aguarda confirmação para definir o resultado.
Em uma tarde de maio de 2025 — quase exatamente um ano antes da eleição —, o advogado anunciou que suspenderia sua vida na Itália para retornar à Colômbia. Ele descreveu essa decisão como uma "batalha" contra o governo de Gustavo Petro. "A Colômbia corre perigo, e não ficarei calado", escreveu ele na ocasião.
Esse foi o primeiro passo de uma trajetória política meteórica, na qual lançou seu próprio movimento político,
Defensores da Pátria, e conquistou apoio suficiente para ser
o candidato mais votado no primeiro turno, em 31 de maio de 2026, obtendo 10.361.499 votos — ou 43,74% do total.
Naquela altura, porém, o advogado — nascido em Bogotá em 31 de julho de 1978 — já era uma figura muito conhecida na Colômbia. Ele era famoso principalmente por sua atuação em casos jurídicos de grande repercussão, mas também por uma carreira eclética que abrangia desde a moda até a música.
Segundo
dados preliminares divulgados pelo
Registro Nacional da Colômbia, Espriella obteve
12.957.471 votos (49,66%), contra os
12.707.570 votos (48,70%) conquistados pelo candidato do Pacto Histórico,
Iván Cepeda — uma
diferença de apenas 250 mil votos.
Espriella formou-se em Direito pela Universidade Sergio Arboleda, seguindo os passos de seu pai, que já era um advogado renomado na área. Em 2002, ele fundou o escritório De la Espriella Lawyers, focado em direito penal, mas que também abrange áreas como imigração, direito tributário e propriedade intelectual, entre outras.
Com seu escritório sediado na cidade de Barranquilla, no norte do país, Espriella passou a representar clientes em casos que atraíram grande atenção da mídia, como o de Rosa Elvira Cely — uma mulher de 35 anos estuprada e assassinada por um homem em 2012 — e o de Natalia Ponce de León, uma jovem atacada com ácido por um homem em 2014.
O impacto de ambos os casos levou o Congresso a aprovar novas leis: o caso Cely abriu caminho para a tipificação do feminicídio como crime específico, enquanto o caso Ponce de León inspirou uma legislação que aumentou as penas para ataques envolvendo agentes químicos.
Entre seus clientes de maior destaque está o empresário e diplomata colombiano-venezuelano Alex Saab, preso em Cabo Verde em 2020 a pedido dos Estados Unidos. Espriella atuou como seu advogado entre 2013 e 2019, sob um contrato que, segundo o próprio advogado, "ultrapassava seis dígitos". Por sua vez, Saab descreveu-o como um "grande amigo", apesar de suas "divergências políticas".
Além disso, o advogado foi alvo de questionamentos em diversas ocasiões por supostamente representar membros de grupos paramilitares ou indivíduos acusados de envolvimento com o crime organizado. Ele atuou como representante jurídico das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) durante as negociações de 2003 entre o grupo paramilitar e o governo do então presidente Álvaro Uribe Vélez (2002–2010).
O advogado também foi apontado como representante legal do ex-líder paramilitar Salvatore Mancuso. Espriella negou qualquer vínculo jurídico, mas admitiu conhecer Mancuso desde a infância — época em que ambos viviam na cidade de Montería.
No entanto, o direito está longe de ser o único interesse do advogado. Isso fica evidente em sua incursão por áreas como a moda, com a criação da De la Espriella Style — uma empresa voltada para o vestuário masculino que também lhe permitiu lançar suas próprias linhas de rum, vinho e café. Conforme descrito em seu site, a De la Espriella Style é "um espaço para celebrar la dolce vita, o bom gosto e as coisas feitas com paixão".
Talvez essa mesma visão tenha inspirado Espriella a se aventurar na música, lançando álbuns — como De mi alma italiana (2021), Navegantes (2022) e Nació mi poesía (2025) — que trazem boleros e versões de clássicos como "My Way" e "New York, New York".
Um admirador de Trump e Milei
Em dezembro de 2025, Espriella concretizou seu desejo de ingressar na política ao entregar mais de 4,8 milhões de assinaturas ao Registro Nacional da Colômbia para formalizar sua candidatura.
"Tenho plena consciência de que conto com o fervor do povo colombiano me impulsionando a fazer o que é certo e a conduzir o destino desta nação, que merece ocupar uma posição de grandeza", declarou ele na ocasião.
Desde então, Espriella estruturou uma campanha que explora seu apelido, "El Tigre" (O Tigre), e se concentra no slogan Firme pela Pátria — uma frase acompanhada por uma saudação militar padrão que se tornou a marca registrada de seus apoiadores nos últimos meses.
Embora a lista inicial de candidatos colombianos contasse com 14 concorrentes — entre eles o governista Iván Cepeda —, a estratégia do político de oposição concentrou-se amplamente em atacar Petro, com quem protagonizou inúmeras discussões acaloradas nas redes sociais e em eventos públicos.
Ainda assim, Espriella conseguiu colocar certas propostas no centro do debate, como a erradicação de 330 mil hectares de cultivos de coca, o endurecimento da segurança prisional e a criação de uma "Linha de Frente de Segurança" composta por veteranos e reservistas para atuar no policiamento de bairros selecionados em todo o país. Paralelamente, anunciou planos para um ajuste no orçamento estatal visando "fechar o rombo fiscal" e criar um governo "menor e mais eficiente".
Nessa linha, o candidato tem se alinhado ideologicamente a líderes regionais como o presidente argentino Javier Milei e o presidente equatoriano Daniel Noboa. Espriella recebeu apoio de ambos e propôs replicar algumas de suas ideias na Colômbia. No entanto, sua principal referência continua sendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem busca se alinhar.
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