https://noticiabrasil.net.br/20260625/brasil-nao-esta-livre-impossivel-dizer-quando-e-onde-ocorrera-proximo-terremoto-dizem-especialistas-51666858.html
Brasil não está livre: impossível dizer quando e onde ocorrerá próximo terremoto, dizem especialistas
Brasil não está livre: impossível dizer quando e onde ocorrerá próximo terremoto, dizem especialistas
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Abalos de magnitude 7,2 e 7,5 deixaram mortos e destruíram estruturas; pesquisadores explicam por que tremores foram sentidos no Brasil e como funciona o... 25.06.2026, Sputnik Brasil
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Dois fortes terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, seguidos por cerca de 20 réplicas, atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), causando pânico na capital, Caracas, e nos estados de Miranda, La Guaira, Aragua, Carabobo e Falcón. Reflexos do abalo foram sentidos no norte do Brasil, com tremores leves nos estados de Roraima, Pará, Amazonas e Amapá.Os abalos derrubaram prédios e casas na Venezuela. Até o momento foram contabilizadas 188 vítimas fatais e 1.520 feridos. Os números, no entanto, devem subir conforme equipes de resgate trabalham na busca por sobreviventes presos nos escombros. Com base em sistemas preditivos, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) estima que o número de mortos pode chegar a 10 mil.A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou que especialistas das estruturas de resgate das Nações Unidas estão sendo enviados à Venezuela. Por meio das redes sociais, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, detido nos EUA, pediu união à população e expressou solidariedade às vítimas e familiares."Diante do forte terremoto que atingiu nossa pátria, nossas orações estão com as famílias venezuelanas afetadas. Neste momento difícil, clamamos por unidade nacional, serenidade e amor. Nossos corações estão com toda a Venezuela!", escreveu.Anatomia dos terremotosÀ Sputnik Brasil, José Alexandre Nogueira, mestre e pesquisador do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que a Venezuela é um país sismicamente ativo por estar na borda de duas placas tectônicas – a placa do Caríbe, no extremo norte do continente, e a Sul-Americana, inserida no meio de outros países da América do Sul.Segundo o pesquisador, é possível que um dos abalos tenha influenciado a ocorrência do outro, embora ele considere mais provável que se tratem de tremores em sequência, em função da dinâmica natural das estruturas tectônicas. Nesse tipo de sistema, o movimento das falhas pode gerar tanto eventos isolados quanto sucessivos em um curto intervalo de tempo.Ele explica que esse comportamento já foi observado em situações em que dois grandes terremotos ocorreram praticamente de forma consecutiva – como na Caxemira em 2005 ou no Nepal em 2015 –, separados por poucos segundos. De acordo com Nogueira, esse padrão pode intensificar os impactos nas áreas próximas ao epicentro, já que a repetição de abalos de alta magnitude tende a aumentar o nível de destruição nas regiões afetadas.Ao falar sobre os desafios para tornar construções mais seguras em caso de terremotos, Nogueira pontua que, apesar da existência de normas de prevenção e legislatura sobre casos, a aplicação dessas regras nem sempre ocorre na prática por encarecer as construções civis. O custo adicional, segundo um estudo da assessoria Earthquake Radar, depende do tipo de tecnologia aplicada, mas sistemas de isolamento sísmico na base de edifícios podem acrescentar cerca de 3% a 8% ao valor total da construção.Ele também destaca a dificuldade de adaptar prédios antigos às exigências atuais contra abalos sísmicos, apontando que poucos países e regiões seguem à risca medidas de proteção, como o Japão e a costa oeste dos Estados Unidos, como na Califórnia.Luiz Carlos Bertolino, professor titular de geologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), aponta que embora o território brasileiro não sofra de terremotos, não está "totalmente livre" de abalos. "Felizmente, os que ocorrem no Brasil são de baixa intensidade e, às vezes, nem perceptíveis para o ser humano", apenas sendo registrados por sensores e estações sismográficas.No entanto, a previsão desses eventos, segundo Bertolino, continua difícil por conta da movimentação da crosta terrestre, ocorrendo em grandes profundezas da Terra e sendo refletida na superfície.Ele explica a diferença entre os pontos de origem e de registro dos terremotos: o hipocentro é o local onde o abalo se origina, no interior da Terra, a cerca de 10, 15 ou 20 quilômetros de profundidade, enquanto o epicentro é a projeção desse ponto na superfície, onde o tremor é sentido com maior intensidade.Bertolino destaca que embora seja possível identificar regiões mais vulneráveis — geralmente associadas à confluência de grandes placas tectônicas —, ainda não há capacidade de prever com precisão quando um terremoto vai ocorrer. Segundo ele, o que a ciência consegue fazer é estudar padrões e a evolução desses eventos ao longo do tempo.Em alguns casos, abalos de maior magnitude podem ser precedidos por tremores menores, que ajudam na análise dos sismólogos. No entanto, o pesquisador ressalta que não é possível saber se esses eventos são sinais de um tremor maior ou se representam apenas atividade isolada da crosta terrestre.Em conclusão, ele afirma que esses fenômenos estão ligados à dinâmica interna da Terra, um sistema complexo e ainda pouco previsível, o que torna impossível determinar exatamente quando e onde ocorrerá o próximo terremoto.Reflexos no BrasilPartes da Zona Norte do Brasil, como no estado de Roraima, sentiram reflexos do abalo sísmico na noite de ontem. Cidades como Manaus, Belém e Boa Vista tiveram prédios evacuados por segurança. Nogueira ressalta que os efeitos de ondas de um terremoto intenso podem chegar a regiões afastadas, citando o caso de um sismo no Chile sendo sentido no estado de São Paulo no mês de maio.Sobretudo, destaca que a sensação pode ser mais comum em prédios altos por amplificar pequenos movimentos – principalmente em momentos de maior tranquilidade – o que poderia justificar a evacuação de prédios em cidades brasileiras.Além disso, o geólogo pontua que a localização geográfica e o tipo de solo podem influenciar na forma como um terremoto é percebido pela população. Manaus, por exemplo, está sobre uma bacia sedimentar, estrutura que pode favorecer a propagação e amplificação das ondas sísmicas, principalmente em alturas altas.Apesar da surpresa, Nogueira assegura que sentir um terremoto distante não significa necessariamente uma situação de perigo, pontuando que esses registros fazem parte do monitoramento da atividade sísmica do planeta e podem ajudar no estudo do interior da Terra.Mesmo não tendo terremotos de grande magnitude com frequência, o Brasil possui a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), responsável pelo monitoramento sísmico em todo o território nacional. Bertolino destaca que o país avançou significativamente na última década nesse tipo de observação.Atualmente, a RSBR está distribuída por diferentes regiões, coordenada por instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Brasília (UnB), além de outras estruturas de monitoramento espalhadas pelo país. Esses sistemas também acompanham movimentos registrados no fundo oceânico, que muitas vezes não são sentidos na superfície continental.O pesquisador explica que esse monitoramento é importante, inclusive, para atividades econômicas, já que há registros de abalos em áreas marítimas associadas à exploração de petróleo, especialmente na região do pré-sal. Por isso, empresas como a Petrobras, em conjunto com órgãos públicos, também acompanham esses fenômenos.Bertolino reforça que o Brasil possui profissionais dedicados ao estudo da distribuição dos eventos sísmicos no território, que ajudam a compreender como esses abalos se manifestam no país. Ele observa que algumas regiões apresentam maior incidência, como partes do Nordeste — incluindo Ceará e Rio Grande do Norte — além de áreas do interior de Minas Gerais, como o Triângulo Mineiro, onde já foram registrados tremores de baixa intensidade.Apesar disso, reforça que esses eventos são, em geral, leves e detectados apenas por equipamentos especializados. "Os pesquisadores tentam associar, entender esse fenômeno e também a sua distribuição espacial e temporal", afirma.
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Segurança sísmica custa caro e dificulta cumprimento de normas, explica especialista
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Pesquisador explica por que o terremoto da Venezuela foi sentido no Brasil e outros países
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Moradores evacuaram prédios após tremor no Norte do Brasil por medida de segurança, explica especialista
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Moradores evacuaram prédios após tremor no Norte do Brasil por medida de segurança, explica especialista
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Dois fortes terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, seguidos por cerca de 20 réplicas,
atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), causando pânico na capital, Caracas, e nos estados de Miranda, La Guaira, Aragua, Carabobo e Falcón.
Reflexos do abalo foram sentidos no norte do Brasil, com tremores leves nos estados de Roraima, Pará, Amazonas e Amapá.
Os abalos
derrubaram prédios e casas na Venezuela. Até o momento foram contabilizadas
188 vítimas fatais e 1.520 feridos. Os números, no entanto, devem subir conforme equipes de resgate trabalham na busca por sobreviventes presos nos escombros. Com base em sistemas preditivos, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) estima que
o número de mortos pode chegar a 10 mil.
A presidente interina da Venezuela,
Delcy Rodríguez, informou que
especialistas das estruturas de resgate das Nações Unidas estão sendo enviados à Venezuela. Por meio das redes sociais, o presidente venezuelano,
Nicolás Maduro, detido nos EUA,
pediu união à população e expressou solidariedade às vítimas e familiares.
"Diante do forte terremoto que atingiu nossa pátria, nossas orações estão com as famílias venezuelanas afetadas. Neste momento difícil, clamamos por unidade nacional, serenidade e amor. Nossos corações estão com toda a Venezuela!", escreveu.
À
Sputnik Brasil,
José Alexandre Nogueira, mestre e pesquisador do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que a
Venezuela é um país sismicamente ativo por estar
na borda de duas placas tectônicas – a placa do Caríbe, no extremo norte do continente, e a Sul-Americana, inserida no meio de outros países da América do Sul.
Segundo o pesquisador, é possível que um dos abalos tenha influenciado a ocorrência do outro, embora ele considere mais provável que se tratem de tremores em sequência, em função da dinâmica natural das estruturas tectônicas. Nesse tipo de sistema, o movimento das falhas pode gerar tanto eventos isolados quanto sucessivos em um curto intervalo de tempo.
Ele explica que esse comportamento já foi observado em situações em que dois grandes terremotos ocorreram praticamente de forma consecutiva – como na Caxemira em 2005 ou no Nepal em 2015 –, separados por poucos segundos. De acordo com Nogueira, esse padrão pode intensificar os impactos nas áreas próximas ao epicentro, já que a repetição de abalos de alta magnitude tende a aumentar o nível de destruição nas regiões afetadas.
Ao falar sobre
os desafios para tornar construções mais seguras em caso de terremotos, Nogueira pontua que, apesar da existência de normas de prevenção e legislatura sobre casos, a aplicação dessas regras nem sempre ocorre na prática por
encarecer as construções civis. O custo adicional, segundo um estudo da assessoria
Earthquake Radar, depende do tipo de tecnologia aplicada, mas sistemas de isolamento sísmico na base de edifícios podem acrescentar cerca de
3% a 8% ao valor total da construção.Ele também destaca a dificuldade de adaptar prédios antigos às exigências atuais contra abalos sísmicos, apontando que poucos países e regiões seguem à risca medidas de proteção, como o Japão e a costa oeste dos Estados Unidos, como na Califórnia.
Luiz Carlos Bertolino, professor titular de geologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), aponta que embora o território brasileiro não sofra de terremotos, não está "totalmente livre" de abalos. "Felizmente, os que ocorrem no Brasil são de baixa intensidade e, às vezes, nem perceptíveis para o ser humano", apenas sendo registrados por sensores e estações sismográficas.
No entanto, a previsão desses eventos, segundo Bertolino, continua difícil por conta da movimentação da crosta terrestre, ocorrendo em grandes profundezas da Terra e sendo refletida na superfície.
Ele explica a diferença entre os pontos de origem e de registro dos terremotos: o hipocentro é o local onde o abalo se origina, no interior da Terra, a cerca de 10, 15 ou 20 quilômetros de profundidade, enquanto o epicentro é a projeção desse ponto na superfície, onde o tremor é sentido com maior intensidade.
Bertolino destaca que embora seja possível identificar regiões mais vulneráveis — geralmente associadas à confluência de grandes placas tectônicas —, ainda não há capacidade de prever com precisão quando um terremoto vai ocorrer. Segundo ele, o que a ciência consegue fazer é estudar padrões e a evolução desses eventos ao longo do tempo.
Em alguns casos, abalos de maior magnitude podem ser precedidos por tremores menores, que ajudam na análise dos sismólogos. No entanto, o pesquisador ressalta que não é possível saber se esses eventos são sinais de um tremor maior ou se representam apenas atividade isolada da crosta terrestre.
Em conclusão, ele afirma que esses fenômenos estão ligados à dinâmica interna da Terra, um sistema complexo e ainda pouco previsível, o que torna impossível determinar exatamente quando e onde ocorrerá o próximo terremoto.
Partes da Zona Norte do Brasil, como no estado de Roraima, sentiram reflexos do abalo sísmico na noite de ontem. Cidades como Manaus, Belém e Boa Vista tiveram prédios evacuados por segurança. Nogueira ressalta que os efeitos de ondas de um terremoto intenso podem chegar a regiões afastadas, citando o caso de um sismo no Chile sendo sentido no estado de São Paulo no mês de maio.
Sobretudo, destaca que a sensação pode ser mais comum em prédios altos por amplificar pequenos movimentos – principalmente em momentos de maior tranquilidade – o que poderia justificar a evacuação de prédios em cidades brasileiras.
Além disso, o geólogo pontua que a localização geográfica e o tipo de solo podem influenciar na forma como um terremoto é percebido pela população. Manaus, por exemplo, está sobre uma bacia sedimentar, estrutura que pode favorecer a propagação e amplificação das ondas sísmicas, principalmente em alturas altas.
Apesar da surpresa, Nogueira assegura que
sentir um terremoto distante não significa necessariamente uma situação de perigo, pontuando que esses registros fazem parte do monitoramento da
atividade sísmica do planeta e podem ajudar no estudo do interior da Terra.
Mesmo não tendo terremotos de grande magnitude com frequência, o Brasil possui a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), responsável pelo monitoramento sísmico em todo o território nacional. Bertolino destaca que o país avançou significativamente na última década nesse tipo de observação.
Atualmente, a RSBR está distribuída por diferentes regiões, coordenada por instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Brasília (UnB), além de outras estruturas de monitoramento espalhadas pelo país. Esses sistemas também acompanham movimentos registrados no fundo oceânico, que muitas vezes não são sentidos na superfície continental.
O pesquisador explica que esse monitoramento é importante, inclusive, para atividades econômicas, já que há registros de abalos em áreas marítimas associadas à exploração de petróleo, especialmente na região do pré-sal. Por isso, empresas como a Petrobras, em conjunto com órgãos públicos, também acompanham esses fenômenos.
Bertolino reforça que o Brasil possui profissionais dedicados ao estudo da distribuição dos eventos sísmicos no território, que ajudam a compreender como esses abalos se manifestam no país. Ele observa que algumas regiões apresentam maior incidência, como partes do Nordeste — incluindo Ceará e Rio Grande do Norte — além de áreas do interior de Minas Gerais, como o Triângulo Mineiro, onde já foram registrados tremores de baixa intensidade.
Apesar disso, reforça que esses eventos são, em geral, leves e detectados apenas por equipamentos especializados. "Os pesquisadores tentam associar, entender esse fenômeno e também a sua distribuição espacial e temporal", afirma.
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