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Apoio à Ucrânia é uma das razões da crise no Reino Unido, afirma especialista (VÍDEOS)

© AP Photo / Kin CheungO primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recebe o líder ucraniano Vladimir Zelensky em Downing Street, 10, em Londres, 10 de outubro de 2024
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recebe o líder ucraniano Vladimir Zelensky em Downing Street, 10, em Londres, 10 de outubro de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 30.06.2026
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A recente renúncia de Keir Starmer do cargo de primeiro-ministro consolida a crise estrutural de governabilidade do Reino Unido. O país vive uma acentuada instabilidade política, que também trouxe impactos severos na economia britânica, comprometendo setores diversos da sociedade, tanto no âmbito social quanto em áreas estratégicas como a Defesa.
Apesar de todos os problemas no âmbito doméstico, Londres ainda é um dos principais financiadores de Kiev no conflito contra a Rússia. Embora não haja nenhum avanço significativo ou evolução das tropas ucranianas no campo de batalha, essa postura distancia o governo de sua sociedade e o coloca em contradição, como aponta Pedro Martins, doutorando em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em entrevista à Sputnik Brasil.

"Fundamentalmente, é o dinheiro do contribuinte que está indo para a Ucrânia. Então, um cidadão com dificuldade para fechar suas contas vê que o dinheiro do imposto indo para financiar outro país é politicamente ruim e há essa pressão social. Só que a elite política britânica ainda é muito atrelada àquele pensamento anterior da integração europeia, da aliança euroatlântica. Portanto, há um descasamento dessa elite, que não consegue entender os anseios da população", disse.

Além disso, segundo o analista, o apoio britânico ao regime de Zelensky se deve a uma tentativa de keynesianismo militar, ou seja, investir na indústria de defesa para aquecer a economia, o que não deu certo, e também à russofobia por parte das elites do país, que contradiz as demandas do cidadão comum.

"O apoio à Ucrânia foi usado politicamente tanto por causa dessa questão histórica antirrussa do establishment político britânico, mas também como uma forma de estimular a economia, com o keynesianismo militar. Só que isso está demorando muito tempo e não está dando os efeitos esperados. Então, o problema que já existia está sendo agravado. Isso também é um custo econômico muito alto", comenta.

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Saída do Brexit e os impactos na política britânica

O pesquisador ressalta que o Brexit – referendo que há 10 anos determinou a saída da União Europeia (UE) – foi um fator decisivo para combalir a economia sob a tutela de Westminster, e ele coloca esse processo de ruptura como uma resistência à globalização por parte de alguns setores da sociedade britânica.

"Entre 1900 até o Brexit [em 2020], o Reino Unido teve sete primeiros-ministros e, do Brexit para cá, teve outros sete. Isso é um pouco fruto da globalização, que, como qualquer disputa econômica, há ganhadores e perdedores, e muitos dos grupos perdedores, como os fazendeiros do interior da Inglaterra, foram prejudicados, e essas pessoas associaram a UE à globalização e a toda a campanha contra imigrantes", destaca.

Embora o Reino Unido seja um Estado unitário formado por Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales, internamente há profundas fricções. O caso mais evidente é o escocês: o país rejeitou a independência para garantir sua permanência na UE, mas acabou retirado do bloco anos depois com o Brexit. Para Martins, esse cenário evidencia como as decisões com interesses ingleses pesam muito mais do que a vontade das demais nações.

"Antes do Brexit, teve o referendo da separação da Escócia, e o argumento que o Reino Unido usou na época era de que não iria apoiar a entrada [dos escoceses] na UE. Tudo isso para, simplesmente, depois o Reino Unido sair da UE. Isso acaba sendo uma crise inglesa, mas, como a Inglaterra é o Estado mais importante do Reino Unido, isso acaba contaminando os outros países, que têm autonomia, mas estão sempre subordinados a Londres", observa.

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Economia em crise deixa o cenário político em xeque

No caso britânico, que ainda passa por um momento difícil e de incerteza, isso acaba impactando tanto a credibilidade do governo quanto outras áreas da sociedade. O especialista também enfatiza que a política é movida centralmente por aspectos econômicos.

"Quando a economia falha, a política vai pagar o preço. O comportamento do eleitor é dependente do comportamento da economia. Também houve uma coisa que foi exposta antes de Starmer renunciar: o seu ministro da Defesa [John Healey] renunciou, dizendo que é um absurdo o contingenciamento [em sua pasta]. Mas a gente sabe que a questão política está mais acima do que uma questão orçamentária", conclui.

Com as vísceras políticas expostas no cenário internacional, o Reino Unido acaba ficando em uma posição vulnerável, inclusive perante seus aliados tradicionais. Além disso, a crise econômica, além de gerar insatisfação dentro do bloco britânico, suscita movimentos políticos capazes de mudar a configuração e até mesmo influenciar o posicionamento da Câmara dos Comuns.
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