- Sputnik Brasil, 1920
Notícias do Brasil
Notícias sobre política, economia e sociedade do Brasil. Entrevistas e análises de especialistas sobre assuntos que importam ao país.

EUA prejudicaram investigação e forçaram PF a antecipar operação contra rede ligada ao PCC

© Foto / Divulgação / PF via Agência BrasilPolícia Federal poderá utilizar inteligência artificial em investigações após liberação de ministério, em portaria publicada no Diário Oficial em 30 de junho de 2025
Polícia Federal poderá utilizar inteligência artificial em investigações após liberação de ministério, em portaria publicada no Diário Oficial em 30 de junho de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 03.07.2026
Nos siga no
As sanções impostas pelos Estados Unidos contra brasileiros suspeitos de integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) provocaram reações do governo federal nesta sexta-feira (3) e acabaram interferindo diretamente no andamento de uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF).
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao portal G1 que as pessoas e empresas alvo das medidas norte-americanas já eram investigadas pelas autoridades brasileiras e demonstrou preocupação com a "interferência" dos Estados Unidos em assuntos internos do país.
Segundo Durigan, o Brasil mantém cooperação com os Estados Unidos em investigações sobre organizações criminosas, mas espera reciprocidade no compartilhamento de informações. "O que nos preocupa é esse espaço de ataque, esse espaço de interferência dos Estados Unidos no Brasil, sem que a gente saiba exatamente o que se pretende com isso", afirmou.
As declarações ocorreram horas depois de o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, revelar ao jornal O Globo que a divulgação das sanções pelo governo de Donald Trump obrigou a corporação a antecipar a deflagração da Operação Exchange.
De acordo com Rodrigues, a investigação brasileira já estava em andamento e ainda passava por diligências para confirmar informações e localizar um dos investigados quando as medidas anunciadas por Washington aceleraram o cronograma da operação.
A Operação Exchange cumpriu 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. Segundo a Polícia Federal, as investigações continuam para identificar outros integrantes da organização e aprofundar a cooperação internacional sobre a movimentação financeira do grupo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante reunião do Conselho da Paz no Instituto da Paz dos Estados Unidos - Sputnik Brasil, 1920, 01.07.2026
Panorama internacional
EUA sancionam brasileiros e empresas por suposta rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Cooperação internacional

A investigação teve origem a partir da prisão de Ygor Fokin Saviolli no aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida, em outubro de 2023. Na ocasião, autoridades norte-americanas apreenderam seu telefone celular e identificaram indícios de crimes relacionados à lavagem internacional de dinheiro e ao tráfico de drogas.
Segundo a PF, as mensagens revelaram uma estrutura transnacional voltada à movimentação de recursos provenientes do tráfico internacional de drogas, envolvendo operações financeiras no Brasil, Estados Unidos, Portugal, Paraguai e Colômbia, além do uso de criptomoedas para ocultação dos valores.
A partir da análise do material apreendido, os investigadores identificaram Victor Henrique de Oliveira Shimada como um dos principais operadores financeiros da organização. O empresário, que segue foragido, atuava como doleiro, realizando remessas internacionais de recursos em espécie, conversões para criptomoedas e transferências destinadas a ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Entre os alvos da operação de mais cedo, também está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como responsável pela coleta de dinheiro em espécie e pela administração financeira das operações. Ela, que foi presa nesta sexta, já estava incluída na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Polícia Federal (PF) - Sputnik Brasil, 1920, 28.05.2026
Notícias do Brasil
Operação da PF mira fintechs usadas pelo PCC para lavar dinheiro no setor de combustíveis

Primeiras sanções dos EUA

Na última quarta (1º), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Victor, Stella Stefanie e três empresas brasileiras por suposta participação na rede vinculada ao PCC. A medida foi a primeira após a classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais.
Na justificativa, Washington afirma que Shimada e sua organização lavaram mais de US$ 30 milhões (R$ 156,3 milhões) utilizando ativos digitais para remeter os recursos ao Brasil. O órgão americano também afirma que, em janeiro de 2025, o empresário chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil após uma investigação apontar que uma de suas empresas teria sido usada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro em um suposto esquema de fraude publicitária.
O bloqueio também se estende a empresas com controle de pelo menos 50%, direto ou indireto, por parte dos sancionados. Washington ainda alerta que instituições financeiras estrangeiras poderão ser alvo de sanções secundárias caso facilitem operações consideradas relevantes em benefício dos designados.
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала