Colômbia enfrenta desafios de segurança: o que De la Espriella deve fazer para lidar com a situação?
03:09 07.07.2026 (atualizado: 04:21 07.07.2026)

© AP Photo / Ivan Valencia
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O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, iniciará sua gestão com "a maior operação de segurança urbana" para combater a extorsão e os assassinatos por encomenda.
Especialistas consultados pela Sputnik observaram que as atividades dessas gangues haviam "saído de controle", mas poderiam ser resolvidas "sem militarizar as cidades".
O combate ao crime na Colômbia foi uma das principais promessas de campanha de Abelardo de la Espriella. Faltando ainda um mês para a posse, marcada para 7 de agosto, o futuro líder pretende começar a atender às expectativas anunciando a criação de uma "Força-Tarefa de Defesa da Segurança Urbana".
"Para implementar medidas eficazes e adaptadas às necessidades das cidades mais afetadas, estou convocando os prefeitos de Bogotá, Medellín, Cali, Barranquilla e Bucaramanga para criar — com base em suas necessidades específicas — a maior operação de segurança urbana da Colômbia."
O presidente eleito afirmou que a nova unidade de segurança seria instituída por meio de um decreto que ele planeja assinar no próprio dia de sua posse. "Chega de extorsão, roubos ou homicídios em nossa pátria", acrescentou.
Embora não tenha fornecido mais detalhes sobre seu plano, o conceito de formar unidades especializadas para enfrentar problemas de segurança nas grandes cidades foi um tema central durante toda a campanha do presidente eleito.
Em seu plano de governo, De la Espriella propôs uma "força-tarefa contra a extorsão" e uma "unidade de segurança de linha de frente" — ambas operando em bairros específicos das grandes cidades e compostas por "veteranos e reservistas".
Extorsão e sequestro: uma lógica diferente
Em entrevista à Sputnik, o especialista colombiano em segurança Andrés Nieto Ramírez confirmou que a extorsão "saiu de controle" nos últimos anos — particularmente em grandes cidades como Bogotá, onde o crime cresceu exponencialmente, ultrapassando 13 mil casos anuais tanto em 2024 quanto em 2025 — ao mesmo tempo em que apresenta uma nova dinâmica criminosa na nação sul-americana.
"A Colômbia estava acostumada a ver a extorsão e o sequestro associados a grandes grupos criminosos. No entanto, a partir de 2017, a extorsão contra comerciantes urbanos disseminou-se em áreas onde grupos como as FARC, o Clã do Golfo ou o ELN não atuam."
Nieto Ramírez observou ainda que as tentativas da Polícia Nacional e das autoridades locais de desmantelar esses grupos não conseguiram neutralizá-los totalmente, em vez disso, tais esforços apenas desencadearam "guerras de gangues que também elevaram as taxas de homicídio", a ponto de "sete em cada dez mortes violentas em Bogotá serem, atualmente, assassinatos por encomenda decorrentes de dívidas, vingança ou acertos de contas entre os próprios criminosos".
Na visão do especialista, a Colômbia ainda não encontrou uma solução para neutralizar esses grupos criminosos — que são menores em escala do que as organizações armadas que marcaram o conflito das últimas décadas, mas operam sob lógicas diferentes que dificultam os esforços para erradicá-los.
Nesse sentido, Nieto Ramírez apontou que as forças de segurança colombianas tendem a priorizar ações contra "estruturas que atacam as forças da lei ou a sociedade civil, ou que realizam ataques terroristas", enquanto as gangues criminosas que atuam nas cidades "não buscam o confronto com a Polícia ou o Exército".
"Esses grupos não têm interesse em confronto, enquanto suas fontes de renda criminosa — provenientes de roubo, extorsão, assassinato por encomenda ou sequestro — permanecerem intocadas, eles não revidam. Eles evitam a agressão para que os bairros onde traficam drogas e armas ou praticam a exploração sexual permaneçam menos visíveis e não caiam sob controle oficial."
Reservistas e veteranos?
Nieto Ramírez confirmou que, diante do aumento desses crimes, a segurança urbana nas principais cidades colombianas é atualmente uma grande preocupação da população e um fator-chave para a vitória eleitoral de De la Espriella, que havia feito dessa questão um pilar central de sua campanha.
No entanto, ele observou que a natureza exata do "Bloco de Defesa" anunciado pelo presidente eleito ainda levanta dúvidas.
"Não está claro se ele fala em aumentar o efetivo policial — embora, atualmente, não tenhamos de onde tirar novos recrutas, dada a queda no número de jovens que ingressam nas forças de segurança."
O especialista também expressou dúvidas quanto a outra proposta reiterada por De la Espriella: incorporar policiais e militares veteranos a essas tarefas ou convocar civis para integrar uma "força de reserva". Na visão do acadêmico, tais alternativas poderiam enfrentar obstáculos jurídicos que não podem ser superados simplesmente por meio de um decreto, como imagina De la Espriella.
Para Nieto Ramírez, é fundamental que a resposta aos problemas de criminalidade seja conduzida de forma "ordenada", evitando situações como as vivenciadas pelo país nos anos 2000, quando o incentivo estatal a uma resposta civil contra grupos armados acabou levando à ascensão do "paramilitarismo" — um problema que persiste na Colômbia.
"Não é que De la Espriella tenha proposto isso especificamente, mas, ao não esclarecer exatamente o que pretende fazer, ele cria uma ambiguidade que remete à história recente do país."
Inteligência e prisões, mas sem militarização
Também consultado pela Sputnik, o especialista colombiano em segurança Hugo Acero ressaltou que o que se sabe até agora não passa de "um anúncio" que o futuro líder "certamente detalhará nos próximos dias". Ainda assim, o analista apresentou algumas considerações sobre os elementos que o novo plano deveria abordar.
"O que se espera é que o governo, as autoridades locais e todas as partes interessadas reconheçam que enfrentamos atualmente o crime organizado em escala tanto nacional quanto transnacional. Combatê-lo exige o fortalecimento das ações de inteligência e investigação criminal, com a participação decisiva, em particular, da Procuradoria-Geral."
Nesse sentido, o especialista destacou que as soluções poderiam residir em uma melhor coordenação e que "não há necessidade de militarizar as cidades, como alguns podem estar pensando".
Acero também sugeriu que o novo plano de De la Espriella deveria promover a "construção de prisões adequadas". No entanto, em vez de optar por replicar "o modelo Bukele", ele defendeu que o novo governo estenda ao restante do país o modelo utilizado pela Penitenciária Distrital de Bogotá. Essa unidade opera atualmente fora do sistema prisional nacional, conta com equipe de segurança própria e utiliza "tecnologia de ponta", o que lhe conferiu a reputação de instituição "modelo" na Colômbia.
Além disso, os planos do novo governo devem concentrar-se em "medidas preventivas e de dissuasão" voltadas a evitar que jovens que estão ingressando em gangues criminosas escolham uma vida no crime.
"Devemos oferecer alternativas aos jovens e menores que, em muitos territórios e cidades atualmente, correm um alto risco de serem atraídos para essas organizações criminosas", afirmou Acero.




