Produção de mísseis Patriot na Ucrânia 'é inviável e só gesto político', diz especialista

© AP Photo / Mistislav Chernov
Nos siga no
A produção de interceptores Patriot na Ucrânia, sugerida por Donald Trump, é considerada irrealista pelo especialista sueco Mikael Valtersson. Em conversa com a Sputnik, ele afirma que o processo exige fábricas protegidas, pessoal altamente treinado, cadeias de suprimentos complexas e anos de implementação.
A proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de permitir que a Ucrânia produza seus próprios mísseis Patriot foi classificada como inviável pelo especialista sueco Mikael Valtersson, ex-oficial das Forças Armadas e ex-chefe de gabinete dos Democratas Suecos. Segundo ele, "não é nada realista a curto prazo", devido à complexidade industrial e ao contexto de guerra.
Valtersson afirma que a fabricação dos interceptores exigiria a construção ou conversão de uma planta industrial altamente protegida, preferencialmente subterrânea, para resistir a ataques russos. Além disso, seria necessário treinar pessoal técnico especializado e liberar autorizações de segurança para lidar com tecnologia sigilosa.
"O produto é muito complexo e secreto. Nos EUA, a capacidade de produção está aumentando de 720 para 2.000 unidades por ano, mas esse aumento só estará disponível em 2030, no mínimo. A Ucrânia precisa urgentemente de um grande número de Patriot agora, não em 2030", destacou.
Questionado sobre o tempo necessário para colocar uma fábrica em operação, Valtersson estima ao menos três a quatro anos, podendo ser muito mais caso instalações sejam atingidas por ataques. Ele ressalta que a produção não pode ser dispersa, o que torna qualquer linha industrial "extremamente vulnerável" em uma zona de conflito.
O especialista também rebate comparações com a "rápida produção" ucraniana de drones e mísseis. Segundo ele, os interceptores Patriot exigem maquinário de ponta, peças raras e componentes importados.
"Os EUA precisam dessas peças para si próprios, então a Ucrânia pode ser forçada a criar toda uma cadeia de suprimentos, o que poderia atrasar o processo por muitos anos", explicou.
Atualmente, os mísseis PAC‑3 são fabricados apenas nos Estados Unidos e no Japão. Criar uma terceira linha em território ucraniano seria possível, mas altamente improvável. O especialista lembra que cadeias de suprimentos internas e externas seriam facilmente interrompidas, como ocorreu com armas alemãs avançadas na Segunda Guerra Mundial.
Para Valtersson, a proposta de Trump funciona mais como gesto político do que como solução prática.
"Agora o presidente pode dizer: problema resolvido, eles podem construir seus próprios mísseis. Na realidade, isso não afetará o conflito por vários anos", afirmou. Ele argumenta que, se a intenção fosse ajudar de fato, Trump teria autorizado a Alemanha a produzir Patriot em segurança.
O especialista conclui que a Ucrânia precisaria de pelo menos mil mísseis por ano — mais do que os Estados Unidos produzem atualmente. Por isso, Valtersson considera que a promessa de produção local não resolve a escassez e pode apenas deslocar o debate político sobre a falta de interceptores no front ucraniano.


