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Análise: petroleira argentina apostará em área uruguaia com 'maiores probabilidades de sucesso'

© AP Photo / Rodrigo AbdHomem abastece carro em posto de combustível da YPF, em Buenos Aires, Argentina, em 14 de julho de 2025
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A petroleira argentina YPF pode ser a primeira a explorar a área offshore do Uruguai em busca de reservas de petróleo, atuando em uma zona com potencial "muito superior ao de Vaca Muerta". O especialista uruguaio Héctor de Santa Ana afirmou que as chances são altas e que o local pode abrigar um reservatório gigantesco.
Embora o Estado uruguaio já esteja aberto à exploração offshore há algum tempo — tendo concedido sete blocos de exploração a multinacionais como Chevron, Shell, Challenger Energy Group (CEG) e a norte-americana Apache Corporation (APA) —, o consórcio formado pela argentina YPF e pela italiana ENI é o primeiro a confirmar que avançará para a fase de exploração nos próximos meses.
Durante um evento na Argentina organizado pela Bolsa de Valores de Córdoba, o executivo da YPF Horacio Marini incluiu a área offshore uruguaia entre os projetos de curto prazo da empresa, classificando-a como um dos empreendimentos mais promissores da companhia para o futuro próximo.
"Se eu tiver que fazer uma aposta, eu a farei — e a faremos em parceria com a ENI no final de 2027 ou início de 2028", disse ele sobre o bloco da YPF na zona offshore uruguaia, ressaltando que "é uma área enorme e, se trouxer bons resultados, levaremos essa experiência de volta para a Argentina".
Marini baseou seu otimismo em estudos já realizados na região, bem como na recente descoberta de hidrocarbonetos na costa da Namíbia — uma nação africana situada a mais de 7.000 quilômetros de distância, mas que compartilha características geológicas com a costa sul-americana.
"O que vale para a África vale para as Américas, e eles encontraram vastas quantidades de petróleo na Namíbia."
Durante sua apresentação, o representante da YPF enfatizou que as oportunidades de negócios no Uruguai poderiam ser gigantescas para a empresa — potencialmente superando até mesmo as de Vaca Muerta, a maior formação de hidrocarbonetos não convencionais da Argentina (e uma das maiores do mundo), localizada na província de Neuquén.
"Isso pode ser muito maior do que Vaca Muerta e levar a volumes de produção de milhões e milhões de barris. Há uma alta probabilidade de que isso aconteça."
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Alta probabilidade

Héctor de Santa Ana, geólogo uruguaio e ex-gerente de produção da estatal petrolífera uruguaia ANCAP, disse à Sputnik que o otimismo na Argentina é justificado, pois a área offshore destinada à exploração apresenta "as melhores probabilidades para uma bacia dentro de um contexto exploratório".
O especialista observou ainda que outros países — como a Namíbia e até mesmo o Brasil — tiveram de perfurar "vários poços secos" antes de descobrir recursos. Assim, o trabalho realizado ao longo dos anos ainda poderia dar frutos para a economia uruguaia. Ele também destacou que o bloco assegurado pela YPF e pela ENI "pode ​​muito bem possuir a melhor quantidade e qualidade de dados de exploração".
"Sem dúvida, a escala das jazidas é enorme. Em outras palavras, se houver petróleo, a jazida é gigantesca, pois não há como a armadilha geológica não ter se preenchido ao longo de 60 milhões de anos."
Além disso, a importância da jazida poderia colocar a YPF em uma posição vantajosa em relação a Vaca Muerta, devido às condições em que a extração ocorreria. Embora a formação de Neuquén tenha um "potencial gigantesco", o local offshore poderia oferecer custos operacionais e logísticos "mais vantajosos".
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Uma nova era para a economia uruguaia

De Santa Ana expressou sua convicção de que, tendo descartado a presença de hidrocarbonetos em seu território continental, o Uruguai deve reforçar seu compromisso com a exploração de hidrocarbonetos em sua plataforma continental — uma área superior a 205.000 quilômetros quadrados, quase o dobro do tamanho do território terrestre do país.
"Estamos nos voltando para o mar, reconhecendo-o como a escolha estratégica — especialmente considerando que a área marítima do Uruguai é maior do que seu território terrestre", observou ele, lamentando que o país, tradicionalmente focado na agricultura e na pecuária, tenha frequentemente limitado o uso de seus recursos marítimos quase exclusivamente ao turismo.
Na visão de De Santa Ana, as implicações de uma exploração bem-sucedida pela YPF nos próximos anos ainda não foram totalmente compreendidas pela maioria da população da nação sul-americana. Ele recordou declarações feitas pelo CEO da YPF no final de 2025, em um evento empresarial em Montevidéu, em que o executivo afirmou que "se petróleo for encontrado, o Uruguai se tornará um país diferente", visto que nenhum outro setor econômico poderia igualar sua capacidade de gerar divisas.
"Eu acrescentaria que ninguém no Uruguai consegue compreender ou mensurar plenamente o impacto que isso poderia gerar", afirmou De Santa Ana, para quem saber "o que fazer com o dinheiro" também é fundamental.
Nesse sentido, o especialista ressaltou a necessidade de o país se comprometer com "um fundo de petróleo ao estilo da Noruega" — referindo-se ao Fundo de Pensão do Governo Global, criado em 1990 após a descoberta de petróleo pela nação nórdica no Mar do Norte.
De Santa Ana acredita que o Uruguai deveria "espelhar-se" no modelo norueguês para alocar as receitas excedentes do petróleo — por exemplo, para atender às necessidades do sistema previdenciário, atualmente um dos maiores desafios da economia nacional. Além disso, tal mecanismo poderia mitigar os riscos de "corrupção e má gestão dos recursos provenientes do petróleo".
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