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Comissão Europeia pede corte de verba da Bienal de Veneza por retorno da participação da Rússia

© AP Photo / Luca BrunoInstalação no pavilhão japonês da Bienal de Veneza de 2026. Itália, 6 de maio de 2026
Instalação no pavilhão japonês da Bienal de Veneza de 2026. Itália, 6 de maio de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 12.07.2026
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A Comissão Europeia recomendou à Agência Executiva Europeia da Educação e da Cultura (EACEA, na sigla em inglês) cancelar o financiamento de 2 milhões de euros (R$ 11,7 milhões) destinado à Bienal de Veneza após a reabertura do pavilhão da Rússia no evento.
"A decisão foi tomada após uma avaliação detalhada das justificativas apresentadas pela organização para a reabertura do pavilhão da Rússia", escreveu a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen.
A recomendação provocou reação imediata do governo italiano. A vice-ministra da Cultura da Itália, Lucia Borgonzoni, classificou a iniciativa como "simplesmente inaceitável" e afirmou que Bruxelas está interferindo em uma decisão autônoma da organização do evento.
"O que acontece em torno da Bienal de Veneza é simplesmente inaceitável. A União Europeia, um órgão político, recomenda à agência técnica EACEA interromper o financiamento antes mesmo de existir qualquer fundamento concreto para essa decisão, exista ele ou não", declarou.
Segundo Borgonzoni, a medida representa "o fim do Estado de Direito" e constitui "um veredito puramente político" que prejudica o trabalho desenvolvido pela Bienal ao longo de muitos anos.
"Itália e suas instituições artísticas são livres e democráticas. Aqui não há espaço para a chantagem econômica de Bruxelas", acrescentou.
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A controvérsia começou após o Ministério da Cultura da Itália informar que a direção da Bienal havia decidido, de forma independente, restabelecer a participação da Rússia. O presidente da Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, afirmou que sua intenção era reunir representantes de diferentes zonas de conflito para ouvir "outro ponto de vista", em vez de promover declarações políticas.
Após a decisão, a Comissão Europeia passou a exigir explicações da organização e ameaçou suspender o envio dos recursos ao evento.
Em meio à polêmica, o júri da Bienal retirou Rússia e Israel da lista de concorrentes aos prêmios Leão de Ouro e Leão de Prata. Os cinco jurados anunciaram que não premiariam países envolvidos em conflitos armados e, posteriormente, renunciaram aos cargos. Diante da crise, a Fundação Bienal de Veneza adiou a cerimônia de premiação, inicialmente marcada para 9 de maio, para 22 de novembro.
Criada em 1895, a Bienal de Veneza é uma das mais tradicionais exposições internacionais de arte contemporânea do mundo. O pavilhão da Rússia nos Jardins da Bienal foi inaugurado em 1914 e projetado pelo arquiteto Aleksei Shchusev.
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