- Sputnik Brasil, 1920
Panorama internacional
Notícias sobre eventos de todo o mundo. Siga informado sobre tudo o que se passa em diferentes regiões do planeta.

Coalizão antimíssil é 'via indireta para integrar Ucrânia à defesa europeia', afirma especialista

© Sputnik / StringerLançamento de um míssil tático móvel Iskander-M na região de Arkhangelsk (foto de arquivo)
Lançamento de um míssil tático móvel Iskander-M na região de Arkhangelsk (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2026
Nos siga no
A criação da chamada Coalizão Antimísseis Balísticos é, segundo o especialista sueco Mikael Valtersson em conversa com a Sputnik, uma forma de aproximar a Ucrânia de uma arquitetura europeia de defesa, contornando obstáculos à sua entrada na OTAN. Ele afirma que o projeto é limitado no curto prazo e movido por objetivos políticos.
O anúncio da formação de uma "coalizão puramente defensiva" envolvendo a Ucrânia e nove países europeus despertou dúvidas sobre sua real natureza. Para Mikael Valtersson, ex‑oficial das Forças Armadas Suecas e especialista em defesa aérea, a iniciativa funciona, na prática, como uma estrutura semelhante à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), moldada pelo conflito na Ucrânia.
Valtersson lembra que alianças militares costumam se declarar defensivas, mas ressalta que o problema surge quando diferentes pactos se sobrepõem. "É possível tentar inserir novos membros em uma aliança gradualmente", afirmou, citando o risco de integração indireta por meio de mecanismos paralelos.
Embora não seja formalmente uma aliança, a coalizão representa, segundo ele, uma arquitetura europeia unificada de defesa antimíssil.

"Se um país for atacado com mísseis balísticos, a capacidade combinada de defesa antimíssil será usada para defender os Estados-membros. Esta é uma tentativa flagrante dos Estados mais pró-Ucrânia na Europa de incluir Kiev indiretamente em uma estrutura unificada de defesa europeia e, assim, contornar possíveis vetos à entrada da Ucrânia na OTAN", destacou.

A fragilidade industrial europeia, porém, limita o alcance do projeto. Valtersson observa que o continente ainda depende de sistemas Patriot, Aegis e Arrow 3, além de carecer de produção própria de interceptores avançados. "Provavelmente levará pelo menos uma década para desenvolver capacidade independente de mísseis terra‑ar de alta tecnologia", afirmou.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, durante evento em 24 de junho de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2026
Operação militar especial russa
Europa tenta minar os acordos entre Rússia e EUA sobre a Ucrânia, afirma Sergei Lavrov (VÍDEO)
A participação ucraniana na coalizão se apoia, em parte, na reputação adquirida no campo de batalha, mas o especialista questiona a credibilidade das alegações de Kiev sobre interceptações bem‑sucedidas de mísseis Iskander e Kinzhal. "Essas informações são enganosas e fazem parte de uma estratégia de guerra de informação", disse. Segundo ele, as taxas reais de interceptação seriam muito inferiores às divulgadas.

"A Ucrânia afirma que frequentemente abate de 80% a 90% dos mísseis russos Iskander e talvez metade dos mísseis Kinzhal. Na realidade, o número provavelmente é inferior a 30% dos Iskander e uma porcentagem muito menor dos Kinzhal", destacou Valtersson, acrescentando que tais resultados exigiriam um volume de interceptores que a Ucrânia não possui.

Para o especialista, o programa europeu é mais político do que operacional no curto prazo. Ele avalia que a coalizão terá "aplicação prática muito limitada na próxima década", funcionando sobretudo como instrumento para ampliar gastos militares e aprofundar a integração europeia.
Valtersson conclui que a iniciativa também busca aproximar ainda mais a Ucrânia das estruturas militares e políticas da União Europeia (UE). "É parte do projeto das elites de Bruxelas de criar um superestado europeu", afirmou, sugerindo que a coalizão antimíssil é menos sobre defesa imediata e mais sobre arquitetura estratégica de longo prazo.
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала