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'Energia firme é a energia nuclear': evento da ABDAN defende novo marco para o setor

© Foto / ABDAN / DivulgaçãoPresidente da ABDAN, Celso Cunha, discursa durante evento na FIRJAN, no Rio de Janeiro, em 14 de julho de 2026
Presidente da ABDAN, Celso Cunha, discursa durante evento na FIRJAN, no Rio de Janeiro, em 14 de julho de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2026
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Encontro discutiu como o setor nuclear pode contribuir para a competitividade da economia, a inovação, a saúde, a segurança energética e a soberania nacional — temas cada vez mais presentes no cenário internacional.
A Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) debateram o uso da energia nuclear no Brasil durante a Agenda Nuclear para o Brasil Competitivo, realizada nesta terça-feira (14), no Rio de Janeiro.
Na abertura, o presidente da ABDAN, Celso Cunha, defendeu a atualização da legislação nuclear do país como uma ondição para ampliar investimentos e fortalecer a cadeia produtiva nacional.
Segundo o empresário, a regulação atual ainda reflete os temores desencadeados pelos acidentes do final do século passado, como Chernobyl, em 1986, e de Goiânia, em 1987, o que dificulta a adoção de novas tecnologias, como os pequenos reatores modulares (SMRs), considerados estratégicos para a expansão da geração nuclear.
Para isso, a entidade está preparando um estudo com propostas para modernizar a legislação, que será apresentado ao Congresso Nacional. Além disso, Cunha defendeu o fortalecimento da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) e pediu maior previsibilidade nos processos de licenciamento para dar segurança aos investidores e acelerar novos projetos.
"O marco regulatório precisa dar dinâmica ao setor. Sem isso, não vamos ter uma cadeia produtiva nacional, muito menos quando falamos dos pequenos reatores modulares."
A vice-presidente da ABDAN, Sibila Grallert, apontou o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), em construção em Iperó (SP), como uma alternativa para ampliar a autonomia nacional na produção desses insumos. Embora o projeto tenha sido aprovado em 2008, ela afirmou que a obra sofreu sucessivas interrupções por falta de investimentos e de continuidade administrativa.
Grallert também alertou para a forte dependência do país da importação de radioisótopos utilizados no diagnóstico e tratamento de doenças, principalmente o câncer.
O Brasil conta com mais de 400 serviços de medicina nuclear entre clínicas, hospitais e centros de pesquisa, mas importa praticamente a totalidade dos radioisótopos utilizados, sobretudo da Holanda, da Rússia e de Israel. Ela explicou que esses materiais possuem meia-vida curta, perdendo parte de sua radioatividade durante o transporte internacional, o que encarece os custos e reduz sua disponibilidade para os pacientes.
"Parte dessas famílias, o primeiro passo depois do diagnóstico é um exame que poucos brasileiros sabem nomear, mas que muitos já fizeram, como a cintilografia, o PET-CT ou uma dose de iodo radioativo para tratar a tireoide. Isso é medicina nuclear."
Para ela, o avanço do setor depende de investimentos permanentes e de uma política de Estado que garanta previsibilidade.

"Essa é a fila que importa: não a fila de projetos aguardando aprovação orçamentária, mas a fila de pacientes que dependem desses projetos para ter o seu diagnóstico e o seu tratamento disponíveis no momento certo."

Um funcionário caminha sobre uma passarela de acesso, tendo como pano de fundo o reator nuclear Angra 3, no complexo da Usina Nuclear de Angra. Angra dos Reis, Rio de Janeiro - Sputnik Brasil, 1920, 16.03.2026
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'O Brasil precisa ser forte em todas as energias': o que falta para o salto nuclear brasileiro?
Além dos representantes da ABDAN, congressistas participaram da Agenda Nuclear destacando o potencial desenvolvedor da energia nuclear no Brasil e, principalmente, para o estado do Rio de Janeiro. Foi o caso dos deputados federais Reimont Otoni (PT-RJ) e Daniel Soranz (PSD-RJ), e Julio Lopes (PP-RJ), presidente da Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares.
Em suas falas, eles defenderam o fortalecimento do setor como instrumento para impulsionar a economia, gerar empregos e ampliar a soberania energética do país. Segundo Lopes, expansão da geração nuclear permitirá que o Rio de Janeiro se torne exportador líquido de energia, ampliando sua competitividade em um cenário de crescimento industrial e atração de novos investimentos.
Ele também relacionou esse processo à reforma tributária, cuja alteração nas tributações sobre o consumo tornará o estado mais competitivo para receber empresas e novos empreendimentos.
Outra oportunidade para o setor é uma parceria com a Petrobras, que passou a demonstrar interesse em discutir o uso de energia nuclear em suas refinarias e plataformas de petróleo.
Além disso, Lopes dedicou parte de sua fala ao avanço dos data centers, setor que classificou como estratégico para o desenvolvimento econômico brasileiro. De acordo com ele, mesmo que o país dobre o número dessas instalações – atualmente em cerca de 200 – até 2035, ainda perderá participação no mercado global diante da velocidade de expansão observada em países como China e Estados Unidos.
Para manter sua posição atual, o Brasil precisará elevar o número de data centers para aproximadamente mil unidades.
"Se a gente fizer o nosso dever de casa, que é regulamentar essa lei e implementar os data centers, nós vamos obrigatoriamente ter muita energia firme disponível. E energia firme é a energia nuclear."
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