Mídia: Brasil tenta conter impacto do tarifaço dos EUA, enquanto governo adota cautela diplomática

© Palácio do Planalto / Ricardo Stuckert
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Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros elevou a tensão bilateral e levou o governo Lula a adotar cautela: após sinalizar possível uso da Lei de Reciprocidade, o ministro Dario Durigan recuou do discurso de retaliação, enquanto setores produtivos alertam para impactos econômicos e risco de escalada tarifária.
O anúncio de um novo tarifaço dos Estados Unidos reacendeu a preocupação do governo brasileiro com o rumo da relação bilateral. A tensão revive o discurso de soberania adotado em 2025, quando o presidente norte-americano Donald Trump iniciou sua primeira ofensiva comercial contra o Brasil.
Às vésperas da confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que o país poderia retomar o uso da Lei de Reciprocidade. No dia seguinte, reforçou que o Brasil "vai se proteger", mas, dias depois, suavizou o tom e descartou falar em retaliação.
Segundo apuração de um portal de notícias no país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu estudos de impacto e adotou cautela para evitar tanto uma escalada tarifária quanto aumentos de preços ao consumidor brasileiro. A orientação é agir com prudência e evitar respostas precipitadas.
O mercado e especialistas acompanharam os movimentos com apreensão. Para o economista José Niemeyer, consultado pelo portal, os EUA têm peso muito maior para o Brasil do que o contrário, e a postura do governo brasileiro prejudica a diplomacia. Ele defende diálogo constante com Washington, independentemente de quem esteja no poder.
Roberto Azêvedo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), avalia que a reversão das tarifas é improvável. Segundo ele, o Brasil negocia de forma pouco criativa e os EUA não respondem bem a uma dinâmica baseada apenas em pedidos e ofertas. Uma retaliação, afirma, poderia resultar em sobretaxas ainda mais duras.
A tarifa de 25%, prevista para entrar em vigor no dia 22, deve atingir US$ 11 bilhões (mais de R$ 56,2 bilhões) em exportações brasileiras, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que manifestou forte preocupação. Setores como o de madeira processada pedem uma atuação mais efetiva e menos politizada do governo para proteger empregos e relações comerciais.
Com a medida, o Brasil se torna o segundo país mais tarifado pelos EUA, atrás apenas da China, com taxas médias acima de 18%. O impacto estimado inclui redução de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,1 bilhões) no fluxo comercial e queda de cerca de 0,03% no produto interno bruto (PIB) brasileiro, segundo análise da Manchester Investimentos.


