Buraco negro 'cozinha' gás da galáxia 'batata vermelha' e bloqueia formação de estrelas (IMAGEM)

© Foto / Robert Lea
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Um jato de um buraco negro supermassivo parece estar aquecendo e agitando o gás da galáxia "batata vermelha", impedindo que ele esfrie e forme novas estrelas, segundo observações do Chandra que revelam a colisão entre o jato e o envelope gasoso dessa galáxia jovem.
Astrônomos investigaram por que a galáxia apelidada de "batata vermelha", observada como era quando o Universo tinha apenas 2 bilhões de anos, não está formando estrelas apesar de estar imersa em gás frio e denso. Usando o observatório de raios X Chandra, eles identificaram um jato de um buraco negro supermassivo atingindo diretamente esse reservatório de gás.
A galáxia, nomeada oficialmente como MQN01 J004131.9-493704, fica a 11,7 bilhões de anos-luz e foi descoberta pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês). Sua aparência arredondada e avermelhada lhe rendeu o apelido peculiar. O ambiente ao redor deveria favorecer a formação estelar, mas o gás apresenta turbulência incomum, sugerindo interferência externa.

Da esquerda para a direita: imagem anotada da nuvem de gás frio (cor vermelha); no centro, a galáxia "batata vermelha" MQN01 J004131.9-493704; o jato azul do buraco negro supermassivo no centro da galáxia vizinha atingindo parte da nuvem de gás
A equipe liderada por Weichen Wang buscou a origem dessa agitação e encontrou o jato de um buraco negro supermassivo colidindo com o envelope gasoso da "batata vermelha". Essa energia extra aquece o gás e impede que ele esfrie e colapse, bloqueando o nascimento de novas estrelas.
Segundo os pesquisadores, a agitação causada pelo jato reduz drasticamente a capacidade da galáxia de acumular material fresco. Sem esse suprimento, a taxa de formação estelar cai muito abaixo do esperado para galáxias semelhantes na mesma época cósmica.
Curiosamente, o buraco negro responsável está em outra galáxia, cerca de 200 mil anos-luz distante, que por sua vez está formando estrelas de maneira intensa. Outras galáxias próximas também exibem forte atividade estelar, reforçando que o fenômeno é específico da "batata vermelha".
A descoberta integra uma das primeiras investigações sobre o comportamento do gás em galáxias que não formam estrelas. Os resultados ajudam a entender como galáxias vizinhas podem influenciar, e até prejudicar, a evolução umas das outras.
Para os cientistas, a "batata vermelha" oferece pistas valiosas sobre processos que regulam a formação estelar no Universo jovem, desempenhando um papel importante na compreensão das interações galácticas.


