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Silveira anuncia plano para reduzir gás natural em mais de 50% e dar 'oxigênio' à indústria

© Tauan Alencar / MMEMinistro de Minas e Energia Alexandre Silveira durante evento realizado na sede do Ministério de Minas e Energia, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)
Ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira durante evento realizado na sede do Ministério de Minas e Energia, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) - Sputnik Brasil, 1920, 30.07.2026
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Governo lança plano de reestruturação do mercado de gás.
O governo do presidente Lula lançou nesta quinta-feira (30), em Brasília (DF), a reestruturação da política de comercialização do gás natural da União, com a promessa de reduzir o preço do insumo para a indústria de um patamar estimado entre US$ 12 e US$ 14 para cerca de US$ 5 a unidade, em uma iniciativa apresentada como estratégica para impulsionar a reindustrialização do país e fortalecer a soberania energética.
O anúncio foi feito pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante evento realizado na sede do Ministério de Minas e Energia, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Participaram do evento o deputado federal Arnaldo Jardim, a vice-presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (ABRACE Energia), Daniela Coutinho, e o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (ABIAPE), Mário Menel, além de autoridades federais, representantes de agências reguladoras e empresas do setor.
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A reformulação ocorre em um contexto de preços elevados do gás natural no Brasil, retração da demanda e perda de participação da indústria no produto interno bruto (PIB). As medidas anunciadas buscam ampliar a oferta do insumo e reduzir custos por meio da expansão do compartilhamento dos gasodutos da Petrobras, da revisão da reinjeção de gás nos poços de petróleo e do aumento da transparência nos leilões conduzidos pela União. As mudanças não atingem o segmento de distribuição estadual, cuja regulação permanece sob responsabilidade das concessionárias e dos governos estaduais.
Na abertura, Daniela Coutinho ressaltou a necessidade de que o gás natural chegue efetivamente à indústria. Na mesma linha, Mário Menel afirmou que o gás brasileiro custa atualmente cerca de quatro vezes mais do que nos Estados Unidos, "prejudicando a competitividade do Brasil em relação a outros países".
Ao apresentar a nova política, Silveira classificou a iniciativa como um marco para a economia brasileira. "Essa entrega hoje é histórica para o Brasil", afirmou. Segundo ele, a política energética do governo Lula está baseada em uma visão de "longo prazo" e "soberana", tendo como prioridade recuperar a capacidade industrial do país.
O ministro destacou que a meta é reduzir o preço do gás para aproximadamente US$ 5, valor muito inferior ao praticado atualmente, entre US$ 12 e US$ 14, tornando o combustível competitivo para setores industriais de grande consumo energético.

"Hoje, fortalecemos os instrumentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para que ela entregue à indústria nacional oxigênio, a condição para a nossa indústria nacional respirar. Esse será o primeiro passo."

Silveira afirmou ainda que "hoje é um dia histórico para a indústria nacional" e destacou que o gás natural representa um insumo estratégico para a siderurgia brasileira. Segundo ele, o alto custo da energia tem levado grandes empresas a transferir investimentos para os Estados Unidos.
Para o ministro, a redução do preço do gás deverá representar um "respiro" para o setor produtivo e contribuir para o robustecimento da indústria nacional, recuperando a competitividade perdida nos últimos anos. Segundo Silveira, o país deve receber mais de US$ 130 bilhões em investimentos no setor de distribuição nos próximos anos, enquanto a produção de gás continua a crescer ano após ano.
Durante o discurso, o ministro também defendeu mudanças estruturais no setor elétrico. "No Executivo, os enfrentamentos são maiores", afirmou ao comentar as negociações no Congresso Nacional sobre subsídios ao setor elétrico. "Não cabe mais", acrescentou, defendendo sua eliminação.
Silveira lembrou que a própria legislação determina que a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) maximize a geração de valor dos ativos da União e afirmou que a Petrobras ampliou sua competitividade financeira e seu escopo social nos últimos anos, mantendo, segundo ele, uma "governança forte".
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O ministro também fez referências à defesa do interesse nacional. Segundo ele, um agente público deve "honrar o hino nacional, que sabiamente chama o Brasil de gigante pela própria natureza", e acrescentou: "Temos de resgatar o sentimento de se indignar".
Ao comentar o cenário internacional, Silveira afirmou que "o mundo vem piorando. Veja só as guerras, que se dão em razão de disputas econômicas, todas elas ilegítimas na minha opinião", defendendo que recursos públicos sejam direcionados ao desenvolvimento social, e não a equipamentos militares.
Outro eixo da apresentação foi a defesa da agregação de valor aos recursos minerais brasileiros. O ministro criticou o modelo baseado na exportação de commodities minerais, especialmente minério de ferro, e afirmou que o país precisa avançar na industrialização dos minerais críticos. "Não podemos permitir", declarou ao comentar a diferença entre o baixo valor da extração e o elevado valor dos produtos industrializados comercializados no mercado internacional.
Na parte final do evento, Silveira defendeu o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. "Tínhamos um grave problema de crise energética no Brasil", afirmou. Em seguida, ponderou: "Tenho que entender também que há dificuldades, e é importante que haja uma visão menos desenvolvimentista e mais ambiental". "Temos que preservar dentro do possível", completou, defendendo "equilíbrio" entre os dois objetivos.

Minerais críticos

Durante entrevista coletiva após o evento, Alexandre Silveira afirmou que o Brasil pretende ampliar investimentos em minerais críticos e terras raras, mas rejeitou um modelo baseado apenas na exportação da matéria-prima.

"O Brasil nunca vai dispensar o investimento em terras raras [...] O Brasil não abre mão do capital estrangeiro, seja dos EUA, Rússia ou China."

Segundo ele, o governo pretende estimular investimentos em projetos como Serra Verde, mas agregando valor à produção nacional. "Queremos investimentos em Serra Verde, mas não apenas exportá-los", declarou.
Silveira observou que "China já domina a cadeia de minerais críticos" e afirmou que "já para os EUA interessa investir no Brasil". Acrescentou que "EUA e outros países podem se interessar", desde que os investimentos respeitem os interesses nacionais. "Lula não vai abrir mão da soberania nacional", afirmou o ministro.
Ao final, Silveira voltou a defender a aprovação do projeto de lei dos minerais críticos, classificando-o como fundamental para consolidar uma política industrial voltada à agregação de valor, atração de investimentos e fortalecimento da soberania econômica brasileira.
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