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Manifestações em 12 cidades do país cobram urgência na votação do PL da Misoginia

© Sputnik / Guilherme CorreiaMilitantes discursam em ato por urgência na tramitação do PL da Misoginia, em São Paulo. Brasil 2 de agosto de 2026
Militantes discursam em ato por urgência na tramitação do PL da Misoginia, em São Paulo. Brasil 2 de agosto de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 02.08.2026
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Manifestações organizadas pelo movimento Levante Mulheres Vivas ocorreram neste domingo (2) em 12 cidades brasileiras para pressionar o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a colocar em votação o Projeto de Lei 896/2023, conhecido como PL da Misoginia.
Os atos integraram a campanha nacional #VotaMottaPL89623 e estavam previstos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Campo Grande, Sorocaba, Pelotas, Parnaíba, Boa Vista, Formosa e São José. Em São Paulo, a mobilização reuniu manifestantes na Avenida Paulista, no Vão Livre do Masp.
Mandi Coelho, militante do coletivo Rebeldia e pré-candidata a deputada federal pelo PSTU, afirmou que o Brasil vive uma "epidemia de feminicídios e de violência às mulheres" e criticou o que classificou como omissão de setores da extrema direita e do centro no Congresso e no Senado diante do cenário, incluindo o que descreveu como questionamento de dados sobre violência de gênero e da importância da Lei Maria da Penha.
A candidata também disse que a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem, segundo ela, abandonado pautas de mulheres e de setores oprimidos em negociações políticas com o Centrão, com setores religiosos e com a bancada evangélica.
Manifestação em São Paulo contra a violência de gênero no Dia Internacional da Mulher  - Sputnik Brasil, 1920, 08.03.2026
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No 8 de março, mulheres relatam à Sputnik Brasil os desafios da vivência em sociedade
O PL 896/2023, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), altera a Lei nº 7.716/1989 (Lei do Racismo) para incluir a misoginia entre as motivações passíveis de punição, equiparando o ódio ou aversão às mulheres ao crime de racismo.
O texto foi aprovado por unanimidade no Senado em março deste ano e prevê penas de dois a cinco anos de reclusão e multa para quem praticar, induzir ou incitar discriminação motivada por misoginia. Por seguir o rito da legislação antirracista, o crime se torna inafiançável e imprescritível.
Desde que chegou à Câmara, o projeto tramita sob relatoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e obteve aprovação de regime de urgência no início de julho, mas segue sem data prevista para votação em plenário.
A proposta enfrentou resistência de parte da bancada de direita, que questiona os critérios utilizados para tipificar o crime de misoginia; como resposta, Hugo Motta formou grupo de trabalho, coordenado por Amaral, para tentar construir um texto de consenso entre diferentes bancadas.
Durante a tramitação do PL 896/2023 no Senado, a relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), citou modelos de França, Argentina e Reino Unido, que possuem legislação ou práticas semelhantes de combate a misoginia, como referências para a proposta brasileira.
O Levante Mulheres Vivas surgiu em dezembro de 2025, a partir de uma convocação da atriz Rachel Ripani nas redes sociais, e já organizou manifestações simultâneas em dezenas de cidades brasileiras contra o avanço do feminicídio no país.
Além da aprovação do PL da Misoginia, o movimento defende uma pauta nacional de enfrentamento à violência contra mulheres e meninas, com propostas que incluem a ampliação de Delegacias da Mulher 24 horas, mais casas-abrigo, resposta mais rápida do sistema de Justiça e regulação de plataformas digitais no combate ao discurso de ódio.
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