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Venezuela pode enfrentar seca extrema e crise energética sem precedentes com chegada do Super El Niño
Venezuela pode enfrentar seca extrema e crise energética sem precedentes com chegada do Super El Niño
Sputnik Brasil
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou toda a América Latina sobre a iminente chegada de um fenômeno El Niño cuja... 06.08.2026, Sputnik Brasil
2026-08-06T12:53-0300
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Para a Venezuela, a previsão assume dimensões de uma emergência nacional devido à sua forte dependência do sistema hidrelétrico, que supre mais de 70% do consumo energético do país.A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou recentemente um plano especial para economizar eletricidade e água, e detalhou os esforços para fortalecer o sistema termelétrico em antecipação ao Super El Niño. Os principais aspectos desse plano incluem:O engenheiro florestal e ex-ministro do Ecossocialismo, Ricardo Molina, em diálogo com a Sputnik, analisou as causas e consequências desse evento climático, referindo-se também ao plano de contingência anunciado por Rodríguez, e ofereceu recomendações específicas para a população.A origem do fenômeno e a razão de sua classificação como 'super'Molina explicou que a origem do El Niño se deve a um desequilíbrio térmico no oceano Pacífico.Essa diferença, segundo o especialista, altera o comportamento dos ventos alísios. "Ao mudarem de direção, a umidade que deveria chegar à América do Sul e Central não chega da maneira habitual. Em vez disso, o vento que chega é seco, sem umidade. É por isso que ocorre um período de seca mais longo do que o esperado", detalhou.O termo "super" não é arbitrário. Molina indicou que especialistas projetam que o fenômeno ultrapassará as temporadas anteriores em magnitude. "Especialistas anunciam que, de outubro a abril de 2027, o efeito do El Niño será maior do que em outras temporadas. O que isso significa? Que a temperatura subirá mais do que o normal e o ar seco impedirá a formação de nuvens e a precipitação. Menos chuva e muito mais calor são esperados", afirmou.O impacto direto na matriz energética e na produção nacionalMolina foi enfático ao descrever as consequências que esse cenário terá no território venezuelano. Ele apontou que o fenômeno não afetará apenas o conforto dos cidadãos, mas também impactará os ciclos naturais e a infraestrutura produtiva.O ponto crítico, enfatizou, será a geração de energia hidrelétrica. "Isso terá um efeito negativo na geração de energia hidrelétrica, onde ela existe, como é o caso da Venezuela, onde mais de 70% da energia é gerada por meio de um sistema hidrelétrico", reiterou. O ex-ministro projetou um cenário de múltiplas pressões: "Certamente será causado não apenas pelo conforto humano, mas também por severas limitações na produção de alimentos, na disponibilidade de água potável e na disponibilidade de eletricidade".Questionado sobre a estratégia do governo para mitigar os efeitos do fenômeno climático, Molina a descreveu como necessária.O engenheiro florestal, ao avaliar o impacto real da conservação sobre o fenômeno climático, considerou que "economizar energia e água não minimizará os efeitos do El Niño este ano. Mas contribuirá para a economia de energia e aumentará a conscientização sobre o impacto das mudanças climáticas no dia a dia", esclareceu.Além das medidas imediatas, Molina defendeu o aprofundamento da conscientização ecológica. "Devemos continuar trabalhando para conscientizar o público, continuar demonstrando que o sistema capitalista, o sistema que explora a humanidade e a natureza, não é viável e que precisamos modificar nossos métodos de produção, nossas formas de nos relacionarmos com a natureza", declarou. Nesse sentido, recomendou complementar as políticas oficiais com planos de reflorestamento, preservação de bacias hidrográficas e a manutenção de aceiros para prevenir incêndios florestais.Recomendações para o público diante da onda de calorDada a iminência do fenômeno, Molina ofereceu alguns conselhos aos cidadãos, incentivando-os a se prepararem para uma estação particularmente rigorosa. "Teremos uma temporada de outubro deste ano até abril de 2027 com muito pouca chuva, ou praticamente nenhuma", previu ele.Suas recomendações incluíam o uso de roupas leves e a ventilação dos ambientes. No entanto, ele alertou sobre o paradoxo do uso de ar-condicionado em um contexto de conservação de energia.O ex-ministro fez um apelo à responsabilidade social compartilhada. "Devemos apoiar a presidente Delcy Rodríguez e as políticas do nosso Governo relativamente ao desenvolvimento de planos de reflorestamento, à preservação das bacias hidrográficas, à manutenção de aceiros para garantir a sua eficácia em caso de incêndios florestais e à gestão segura e responsável da água potável – medidas que são sempre mencionadas, mas há sempre muito mais a fazer."Molina acredita ser necessário aproveitar a oportunidade oferecida pela chegada do super-El Niño para aprofundar o debate em torno de um novo paradigma civilizacional diante das mudanças climáticas."O El Niño deste ano promete ser muito mais forte do que nos anos anteriores, e estamos confiantes de que seremos capazes de resistir a ele. No entanto, precisamos estar cada vez mais conscientes de que o sistema capitalista está destruindo a natureza. A relação da humanidade com a natureza precisa mudar", concluiu.
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américas, américa latina, américa do sul, venezuela, delcy rodríguez, oceano pacífico, onu, fao, el niño, mudança climática, seca, escassez
Venezuela pode enfrentar seca extrema e crise energética sem precedentes com chegada do Super El Niño
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou toda a América Latina sobre a iminente chegada de um fenômeno El Niño cuja intensidade, segundo o Centro de Previsão Climática dos EUA, poderá estar entre as mais fortes desde 1950.
Para a Venezuela, a previsão assume dimensões de uma
emergência nacional devido à sua forte
dependência do sistema hidrelétrico, que supre mais de 70% do consumo energético do país.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou recentemente um plano especial para
economizar eletricidade e água, e detalhou os
esforços para fortalecer o sistema termelétrico em antecipação ao Super El Niño. Os principais aspectos desse plano incluem:
Fortalecimento da geração termelétrica: o país adicionará 480 megawatts à sua matriz energética, com o apoio de acordos comerciais e alianças estratégicas com empresas como a General Electric.
Campanha nacional para o uso racional de recursos: Será lançado um apelo à ação, dirigido a todos os cidadãos, para promover a conservação consciente de água e eletricidade, tanto em casa quanto no local de trabalho.
Implantação de proteção ambiental: Será lançada uma operação em todo o país para a prevenção de incêndios florestais, o monitoramento contínuo dos níveis dos reservatórios e a conservação das bacias hidrográficas.
Coordenação com o setor agroindustrial: por meio do Conselho Econômico Nacional, o governo coordenará ações diretas com o agronegócio para salvaguardar a segurança alimentar e mitigar o impacto da seca nas colheitas.
O engenheiro florestal e ex-ministro do Ecossocialismo, Ricardo Molina, em diálogo com a Sputnik,
analisou as causas e consequências desse evento climático, referindo-se também ao
plano de contingência anunciado por Rodríguez, e ofereceu recomendações específicas para a população.
A origem do fenômeno e a razão de sua classificação como 'super'
Molina explicou que a origem do El Niño se deve a um desequilíbrio térmico no oceano Pacífico.
"A causa do El Niño reside na diferença de temperatura entre a água do oceano Pacífico e o ar circundante. Essa diferença variou significativamente nos últimos 20 anos, período em que o aquecimento da água se intensificou, não só no oceano Pacífico, mas em todos os oceanos do mundo", explicou.
Essa diferença, segundo o especialista, altera o comportamento dos ventos alísios. "Ao mudarem de direção, a umidade que
deveria chegar à América do Sul e Central não chega da maneira habitual. Em vez disso, o vento que chega é seco, sem umidade. É por isso que
ocorre um período de seca mais longo do que o esperado", detalhou.
O termo "super" não é arbitrário. Molina indicou que especialistas projetam que o fenômeno ultrapassará as temporadas anteriores em magnitude. "Especialistas anunciam que, de outubro a abril de 2027, o
efeito do El Niño será maior do que em outras temporadas. O que isso significa? Que a temperatura subirá mais do que o normal e o ar seco impedirá a formação de nuvens e a precipitação.
Menos chuva e muito mais calor são esperados", afirmou.
O impacto direto na matriz energética e na produção nacional
Molina foi enfático ao descrever as consequências que esse cenário terá no território venezuelano. Ele apontou que o fenômeno não afetará apenas o conforto dos cidadãos, mas também impactará os ciclos naturais e a infraestrutura produtiva.
"Isso gerará um efeito negativo nos ciclos naturais; não se trata apenas do conforto dos seres humanos, mas também das florestas, da vida selvagem, da produção agrícola e dos níveis de água nos reservatórios", alertou.
O ponto crítico, enfatizou, será a geração de energia hidrelétrica. "Isso
terá um efeito negativo na geração de energia hidrelétrica, onde ela existe, como é o caso da Venezuela, onde mais de 70% da energia é gerada por meio de um sistema hidrelétrico", reiterou. O ex-ministro projetou um cenário de múltiplas pressões: "Certamente será causado não apenas pelo conforto humano, mas também por
severas limitações na produção de alimentos, na disponibilidade de água potável e na disponibilidade de eletricidade".
Questionado sobre a estratégia do governo para mitigar os efeitos do fenômeno climático, Molina a descreveu como necessária.
"Essas ações anunciadas pela presidente Delcy Rodríguez são medidas paliativas para tentar mitigar os efeitos da temporada do El Niño. É um fenômeno que não podemos impedir, e o que estamos tentando fazer é economizar eletricidade e fazer melhor uso da eletricidade e da água potável durante essas temporadas", afirmou.
O engenheiro florestal, ao avaliar o impacto real da conservação sobre o fenômeno climático, considerou que "
economizar energia e água não minimizará os efeitos do El Niño este ano. Mas contribuirá para a economia de energia e aumentará a conscientização sobre o impacto das
mudanças climáticas no dia a dia", esclareceu.
Além das medidas imediatas, Molina defendeu o aprofundamento da conscientização ecológica. "Devemos continuar trabalhando para conscientizar o público, continuar demonstrando que o sistema capitalista, o sistema que explora a humanidade e a natureza, não é viável e que precisamos modificar nossos métodos de produção, nossas formas de nos relacionarmos com a natureza", declarou. Nesse sentido, recomendou complementar as políticas oficiais com planos de reflorestamento, preservação de bacias hidrográficas e a manutenção de aceiros para prevenir incêndios florestais.
Recomendações para o público diante da onda de calor
Dada a iminência do fenômeno, Molina ofereceu alguns conselhos aos cidadãos,
incentivando-os a se prepararem para uma estação particularmente rigorosa. "Teremos uma temporada de outubro deste ano até abril de 2027 com
muito pouca chuva, ou praticamente nenhuma", previu ele.
Suas recomendações incluíam o uso de roupas leves e a ventilação dos ambientes. No entanto, ele alertou sobre o paradoxo do uso de ar-condicionado em um contexto de conservação de energia.
"Há um dilema aí, porque para economizar eletricidade, o ar-condicionado não deveria ser usado, mas as pessoas tendem a usá-lo. Se for para usar, que seja de forma racional. Não vamos deixar o ar-condicionado ligado enquanto vamos para o trabalho, universidade ou escola para encontrar a casa fresca quando voltarmos, porque isso representa um consumo de energia muito alto", enfatizou.
O ex-ministro fez um apelo à responsabilidade social compartilhada. "Devemos apoiar a presidente Delcy Rodríguez e as políticas do nosso Governo relativamente ao desenvolvimento de planos de reflorestamento, à preservação das bacias hidrográficas, à manutenção de aceiros para garantir a sua eficácia em caso de incêndios florestais e à gestão segura e responsável da água potável – medidas que são sempre mencionadas, mas há sempre muito mais a fazer."
Molina acredita ser necessário aproveitar a oportunidade oferecida pela chegada do super-El Niño para aprofundar o debate em torno de um novo paradigma civilizacional diante das mudanças climáticas.
"O El Niño deste ano promete ser muito mais forte do que nos anos anteriores, e
estamos confiantes de que seremos capazes de resistir a ele. No entanto, precisamos estar cada vez mais conscientes de que o sistema capitalista está
destruindo a natureza. A relação da humanidade com a natureza precisa mudar", concluiu.
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