Investimento alemão despenca nos EUA sob incerteza tarifária do governo Trump, diz mídia

© AP Photo / Markus Schreiber
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Investimentos de empresas alemãs nos EUA despencaram no primeiro semestre de 2026, quase 80% menos que no ano anterior, em meio à incerteza gerada pelas ameaças tarifárias do governo Trump.
Os investimentos de empresas alemãs nos Estados Unidos caíram drasticamente no primeiro semestre de 2026, atingindo € 4,3 bilhões (aproximadamente R$ 25,93 bilhões), o menor nível em três anos e quase 80% abaixo do registrado no mesmo período de 2024.
Segundo o levantamento do Instituto Alemão de Economia divulgado pela mídia britânica, a queda aprofunda uma tendência iniciada com o segundo mandato de Donald Trump.
Desde 2025, o governo norte‑americano tem ameaçado parceiros comerciais com tarifas de importação para obter concessões favoráveis a Washington. Para evitar sobretaxas, a União Europeia (UE) chegou a firmar um acordo que incluía um compromisso de investimento de US$ 600 bilhões (mais de R$ 3,128 trilhões), mas a incerteza regulatória continua afetando decisões empresariais.
Historicamente, empresas alemãs investiam em média € 15,8 bilhões (cerca de R$ 95,27 bilhões) no primeiro semestre dos anos pré‑pandemia de COVID-19, quase quatro vezes o nível observado em 2026. O período entre 2020 e 2023, porém, foi marcado por distorções provocadas pela pandemia, incluindo anos de saídas líquidas de capital.
De acordo com a mídia, a análise dos fluxos até 2025 mostra que lucros reinvestidos e empréstimos internos permaneceram elevados, enquanto o capital próprio — novos aportes, descontadas liquidações — ficou abaixo da média. Isso indica que empresas já instaladas continuam operando e reinvestindo nos EUA, apesar da cautela em expandir operações.
Segundo a pesquisadora Samina Sultan, consultada pela apuração, o comportamento revela que o mercado norte‑americano segue atraente, mas a disposição para aplicar novo capital diminuiu diante das incertezas políticas e tarifárias. A hesitação reflete o receio de mudanças abruptas nas regras de comércio exterior.
O cenário sugere que a relação econômica permanece robusta, mas sob tensão: empresas mantêm operações e reinvestimentos, enquanto adiam decisões de expansão até que o ambiente regulatório se estabilize.


