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'Guerra híbrida': ONGs tentam minar a ascensão do Brasil como 5º maior produtor de petróleo?
'Guerra híbrida': ONGs tentam minar a ascensão do Brasil como 5º maior produtor de petróleo?
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Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas apontam que entidades como o Greenpeace servem de "mão longa" a atores externos para conter o desenvolvimento do... 18.08.2026, Sputnik Brasil
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A confirmação da existência de petróleo em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, na chamada Margem Equatorial, anunciada pela Petrobras, lançou as bases para o Brasil ascender de sétimo para quinto produtor mundial de petróleo. Localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá, o poço Morpho é visto pelo Brasil como um passo importante na busca por soberania energética.A notícia foi recebida com cautela pelo Greenpeace, organização não governamental (ONG) estrangeira que há meses vem criticando duramente o Brasil pela exploração na Margem Equatorial. Em janeiro, a ONG pediu a suspensão imediata das atividades da Petrobras no bloco FZA-M-59, onde está localizado o poço Morpho.À Sputnik Brasil, o professor de relações internacionais Victor Oliveira destaca que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, projeta a existência de até 10 bilhões de barris recuperáveis na região da Margem Equatorial onde está o poço Morpho. Segundo ele, isso seria uma "nova página" na questão de segurança energética do Brasil."Acho que marcaria e reposicionaria o Brasil dentro desse negócio da commodity que é o petróleo", afirma.Ele acrescenta que entidades dentro da sociedade civil organizada, como o Greenpeace, atuam tanto internamente, mobilizando o debate público e enviando relatórios ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), quanto externamente, em um ativismo transnacional interconectado.Oliveira afirma que, no ativismo transnacional, o local e o global são quase indissociáveis. Logo, o ativismo precisa ser entendido "também como peça dentro do tabuleiro da geopolítica".Ele diz que as ações realizadas no ativismo em rede "são decisões políticas e respingam no que a gente entende por geopolítica", embora também haja o componente ambiental. E ao Brasil resta debater até que ponto essa discussão retira o foco do Estado e da sociedade como principais interessados nessa exploração ou aceitar a ingerência de outros atores externos que não necessariamente levam em consideração os interesses nacionais."Mas é um caso de soberania nacional quando a gente pensa na importância dessa discussão energética para o Brasil", afirma Oliveira.Ainda, frisa que a Petrobras tem apresentado contra-argumentos bem embasados relativos às questões ambientais levantadas, diz que os testes feitos pela empresa não têm mostrado riscos de produção na Margem Equatorial e aponta que as receitas a serem geradas por essa nova reserva são cruciais para financiar a transição energética do Brasil.No recorte da América do Sul, o professor aponta que a situação é ainda mais delicada. Ele enfatiza que os EUA já se apoderaram das reservas venezuelanas e há, dentro do governo norte-americano, um movimento bem vocal, com integrantes que mostram figuras de Lula sendo preso e levado do Brasil, e que esse movimento conta com o apoio de muitos brasileiros que desejam uma intervenção estadunidense no país.Segundo ele, temas como esse mostram que o Brasil ocupa um espaço fundamental no interesse geopolítico."O Brasil, embora muitos brasileiros queiram que a gente retroceda, devido a essas riquezas naturais, devido à economia nacional, devido aos contatos internacionais que tem, desenvolve um papel muito fundamental na geopolítica, regionalmente falando."O especialista acrescenta que considera a proposta de privatização da Petrobras, defendida por alguns presidenciáveis, "uma doação simbólica para interesses estrangeiros". Segundo Oliveira, a Petrobras torna o caso do Brasil diferente da vizinha Guiana, onde a exploração da Margem Equatorial é terceirizada a empresas estrangeiras que pagam royalties ao Estado.Marcelo Simas, professor de geopolítica das energias na Fundação Getulio Vargas (FGV), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), avalia que o Brasil não pode abrir mão de se tornar um dos cinco maiores produtores de petróleo, sobretudo no momento crítico que o mundo atravessa diante da crise energética desencadeada pela guerra no Irã."Nenhum país do mundo que tenha juízo pode abrir mão das suas reservas de petróleo com relação a tal coisa. Nós não podemos jamais abrir mão disso, porque isso é a própria segurança energética do país. E, mais do que isso, é uma questão de segurança nacional", afirma.Ex-executivo da Petrobras e mentor de negócios em energia e cursos de educação corporativa na empresa, Simas afirma que o Greenpeace é financiado pela Fundação Rockefeller, que foi criada pela ExxonMobil, que é a companhia que mais se beneficia da produção de petróleo na Guiana e no Suriname.Diante disso, ele considera que o que o Brasil vive hoje é uma guerra híbrida, que tem como pano de fundo a questão ambiental, travada por países desenvolvidos, especificamente os EUA, para conter o desenvolvimento do país, impedindo que ele fique no seleto grupo de países que têm um produto interno bruto (PIB) maior do que US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,21 trilhões na cotação atual), uma população maior do que 100 milhões de habitantes e um território superior a 2 milhões de quilômetros.Simas observa que as grandes potências, principalmente os EUA, sabem que o Brasil tem um potencial gigantesco de competição no mercado internacional. Além disso, o petróleo brasileiro tem baixo teor de CO2, algo que o mercado internacional demanda cada vez mais."O Greenpeace atua exatamente como um 'longa manus' [braço estendido, em tradução livre], fazendo esse papel que a gente vê aí de 'estamos preocupados com a questão ambiental', e isso é só um mero pano de fundo. A questão toda é o quê? É justamente impedir que o Brasil se desenvolva, se torne o quinto maior produtor de petróleo do mundo, que não concorra com as grandes corporações de petróleo", explica Simas.Ele acrescenta que "as antigas sete irmãs", que hoje são quatro porque se fundiram, a ExxonMobil, a BP, a Chevron e a Shell, buscam impedir a concorrência.Simas explica que, antes do primeiro choque do petróleo, em 1973, elas chegaram a dominar quase 100% do mercado da produção de petróleo do mundo, fatia que hoje caiu para cerca de 8%. Ele aponta que o cenário se inverteu e estatais de petróleo, entre elas a Petrobras e empresas do Oriente Médio, como a Saudi Aramco, assumiram o protagonismo e atualmente detêm cerca de 80% da produção mundial."As sete irmãs, que são empresas privadas, foram totalmente desidratadas, então elas têm que produzir em parceria, adquirir blocos ou produzir um sistema de partilha, dado que elas têm pouquíssimas reservas. Então, essa é a questão. Impedir a concorrência mundial é fundamental para elas, e ONGs como o Greenpeace e outras cumprem esse papel, sempre com esse pano de fundo profundo da questão ambiental. Mas, na verdade, não é isso."O professor conclui afirmando que essa corrida pela segurança energética é reflexo da desordem global causada pela "troca de guarda na hegemonia mundial".A Sputnik entrou em contato com o Greenpeace, mas ainda não obteve uma resposta da organização.
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'Guerra híbrida': ONGs tentam minar a ascensão do Brasil como 5º maior produtor de petróleo?
19:59 18.08.2026 (atualizado: 21:40 18.08.2026) Especiais
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas apontam que entidades como o Greenpeace servem de "mão longa" a atores externos para conter o desenvolvimento do Brasil e destacam que o ativismo precisa ser entendido "também como peça dentro do tabuleiro da geopolítica".
A confirmação da existência de petróleo em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, na chamada Margem Equatorial,
anunciada pela Petrobras,
lançou as bases para o Brasil ascender de sétimo para quinto produtor mundial de petróleo. Localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá, o poço Morpho é visto pelo Brasil como um passo importante na busca por soberania energética.
A notícia foi recebida com cautela pelo Greenpeace, organização não governamental (ONG) estrangeira que há meses vem criticando duramente o Brasil pela
exploração na Margem Equatorial. Em janeiro, a ONG
pediu a suspensão imediata das atividades da Petrobras no bloco FZA-M-59, onde está localizado o poço Morpho.
À Sputnik Brasil, o professor de relações internacionais Victor Oliveira destaca que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, projeta a existência de até 10 bilhões de barris recuperáveis na região da Margem Equatorial onde está o poço Morpho. Segundo ele, isso seria uma "nova página" na questão de segurança energética do Brasil.
"Acho que marcaria e reposicionaria o Brasil dentro desse negócio da commodity que é o petróleo", afirma.
Ele acrescenta que entidades dentro da sociedade civil organizada, como o Greenpeace, atuam tanto internamente, mobilizando o debate público e enviando relatórios ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), quanto externamente, em um ativismo transnacional interconectado.
"Mas, naturalmente, nós precisamos entender sobretudo que o Brasil é um país soberano e que nós não estamos mexendo na região de nenhum outro país. Nós não teremos a ingerência de outra nação na exploração ou não exploração. Também tem que pensar nesse lado aí, dessa riqueza, que é uma riqueza natural do Brasil."
Oliveira afirma que, no ativismo transnacional, o local e o global são quase indissociáveis. Logo, o ativismo precisa ser entendido "também como peça dentro do tabuleiro da geopolítica".
Ele diz que as ações realizadas no ativismo em rede "são decisões políticas e respingam no que a gente entende por geopolítica", embora também haja o componente ambiental. E ao Brasil resta debater até que ponto essa discussão retira o foco do Estado e da sociedade como principais interessados nessa exploração ou aceitar a ingerência de outros atores externos que não necessariamente levam em consideração os interesses nacionais.
"Mas é um caso de soberania nacional quando a gente pensa na importância dessa discussão energética para o Brasil", afirma Oliveira.
Ainda, frisa que a Petrobras tem apresentado contra-argumentos bem embasados
relativos às questões ambientais levantadas, diz que os testes feitos pela empresa não têm mostrado riscos de produção na Margem Equatorial e aponta que
as receitas a serem geradas por essa nova reserva são cruciais para financiar a transição energética do Brasil.
"E, obviamente, com o ambiente geopolítico no qual a gente está inserido hoje, pensar a nossa soberania energética é fundamental para a inserção do país, para que nós não tenhamos ingerência externa e que a gente também consiga, como sociedade, entender que essa riqueza também entra no cálculo de países que tentam se intrometer na política brasileira."
No recorte da América do Sul, o professor aponta que a situação é ainda mais delicada. Ele enfatiza que os EUA já se apoderaram das reservas venezuelanas e há, dentro do governo norte-americano, um movimento bem vocal, com integrantes que mostram figuras de Lula sendo preso e levado do Brasil, e que esse movimento conta com o apoio de muitos brasileiros que desejam uma intervenção estadunidense no país.
Segundo ele, temas como esse mostram que o Brasil ocupa um espaço fundamental no interesse geopolítico.
"O Brasil, embora muitos brasileiros queiram que a gente retroceda, devido a essas riquezas naturais, devido à economia nacional, devido aos contatos internacionais que tem, desenvolve um papel muito fundamental na geopolítica, regionalmente falando."
O especialista acrescenta que considera a proposta de privatização da Petrobras, defendida por alguns presidenciáveis, "uma doação simbólica para interesses estrangeiros". Segundo Oliveira, a Petrobras torna o caso do Brasil diferente da vizinha Guiana, onde a exploração da Margem Equatorial é terceirizada a empresas estrangeiras que pagam royalties ao Estado.
"Essa riqueza não ficaria aqui [com a privatização], ela não seria redistribuída da forma que a Petrobras redistribuiria, tornando isso uma fonte de ativos para o Estado brasileiro, para o desenvolvimento nacional, além de ser também um ponto fundamental quando a gente pensa na nossa soberania energética."
Marcelo Simas, professor de geopolítica das energias na Fundação Getulio Vargas (FGV), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), avalia que o Brasil não pode abrir mão de se tornar um dos cinco maiores produtores de petróleo, sobretudo no momento crítico que o mundo atravessa diante da crise energética desencadeada pela guerra no Irã.
"Nenhum país do mundo que tenha juízo pode abrir mão das suas reservas de petróleo com relação a tal coisa. Nós não podemos jamais abrir mão disso, porque isso é a própria segurança energética do país. E, mais do que isso, é uma questão de segurança nacional", afirma.
Ex-executivo da Petrobras e mentor de negócios em energia e cursos de educação corporativa na empresa, Simas afirma que o Greenpeace é financiado pela Fundação Rockefeller, que foi criada pela ExxonMobil, que é a companhia que mais se beneficia da produção de petróleo na Guiana e no Suriname.
Diante disso, ele considera que o que o Brasil vive hoje é uma guerra híbrida, que tem como pano de fundo a questão ambiental, travada por países desenvolvidos, especificamente os EUA, para conter o desenvolvimento do país, impedindo que ele fique no seleto grupo de países que têm um produto interno bruto (PIB) maior do que US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,21 trilhões na cotação atual), uma população maior do que 100 milhões de habitantes e um território superior a 2 milhões de quilômetros.
"Só cinco países têm essa característica, que é a Rússia, a Índia, a China, os EUA e o Brasil. Então o Brasil tem um potencial pelo volume de recursos naturais, recursos humanos e vai ter uma importância muito grande, caso ele se desenvolva. Então, o que acontece? O Brasil sofre uma guerra híbrida."
Simas observa que as grandes potências, principalmente os EUA, sabem que o Brasil tem um potencial gigantesco de competição no mercado internacional. Além disso, o petróleo brasileiro tem baixo teor de CO2, algo que o mercado internacional demanda cada vez mais.
"O Greenpeace atua exatamente como um 'longa manus' [braço estendido, em tradução livre], fazendo esse papel que a gente vê aí de 'estamos preocupados com a questão ambiental', e isso é só um mero pano de fundo. A questão toda é o quê? É justamente impedir que o Brasil se desenvolva, se torne o quinto maior produtor de petróleo do mundo, que não concorra com as grandes corporações de petróleo", explica Simas.
Ele acrescenta que "as antigas sete irmãs", que hoje são quatro porque se fundiram, a ExxonMobil, a BP, a Chevron e a Shell, buscam impedir a concorrência.
Simas explica que, antes do primeiro choque do petróleo, em 1973, elas chegaram a dominar quase 100% do mercado da produção de petróleo do mundo, fatia que hoje caiu para cerca de 8%. Ele aponta que o cenário se inverteu e estatais de petróleo, entre elas a Petrobras e empresas do Oriente Médio, como a Saudi Aramco, assumiram o protagonismo e atualmente detêm cerca de 80% da produção mundial.
"As sete irmãs, que são empresas privadas, foram totalmente desidratadas, então elas têm que produzir em parceria, adquirir blocos ou produzir um sistema de partilha, dado que elas têm pouquíssimas reservas. Então, essa é a questão. Impedir a concorrência mundial é fundamental para elas, e ONGs como o Greenpeace e outras cumprem esse papel, sempre com esse pano de fundo profundo da questão ambiental. Mas, na verdade, não é isso."
O professor conclui afirmando que essa corrida pela segurança energética é reflexo da desordem global causada pela "troca de guarda na hegemonia mundial".
"Como assistimos no passado de Portugal para a Espanha, da Espanha para a França, da França para a Holanda, da Holanda para o Reino Unido, do Reino Unido para os EUA. E agora nós estamos vendo os estertores da hegemonia americana, que está se esvaindo", conclui o especialista.
A Sputnik entrou em contato com o Greenpeace, mas ainda não obteve uma resposta da organização.
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