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Datafolha: Metade dos eleitores acreditam que outros países podem interferir nas eleições brasileiras

© Marcelo Casal/Agência BrasilUrnas votacao
Urnas votacao - Sputnik Brasil, 1920, 23.08.2026
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Uma pesquisa do Datafolha divulgada no sábado (22) mostra que 50% dos eleitores brasileiros consideram possível que outros países tentem interferir no pleito deste ano, enquanto 43% rejeitam essa hipótese. Outros 8% não souberam ou não quiseram opinar.
Entre os que enxergam risco de ingerência externa, as opiniões se dividem: 32% do total de entrevistados classificam essa possibilidade como um problema, ao passo que 18% não veem nisso motivo de preocupação.
A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo e pela TV Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026. O instituto ouviu 2.058 eleitores em todo o país, pessoalmente e em pontos de fluxo, entre a terça-feira (18) e a quinta-feira (20). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para um intervalo de confiança de 95%. Este foi o primeiro levantamento do instituto após o fechamento do registro das candidaturas e o início oficial da campanha eleitoral.

Divisão entre eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro

Segundo a pesquisa, o tema divide o eleitorado dos dois principais postulantes ao Planalto. Entre os apoiadores do presidente Lula (PT), apenas 9% dizem que uma eventual interferência estrangeira não representaria problema, ante 32% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL).
Já a percepção de risco com preocupação é maior entre petistas: 36% desse grupo acreditam que existe chance de intervenção externa e veem isso como algo negativo, contra 24% dos bolsonaristas. Por outro lado, a descrença na possibilidade de interferência é mais frequente entre os eleitores de Flávio (39%) do que entre os de Lula (46%).
Na formulação da pergunta, o Datafolha pediu que os entrevistados levassem em conta declarações de líderes de outros países sobre o processo eleitoral brasileiro.
Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, participou de audiência na Câmara dos Deputados - Sputnik Brasil, 1920, 12.08.2026
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Tarifas, ameaças e interferências na América Latina

As eleições de 2026 acontecem sob o contexto de ingerências norte-americanas sobre o Brasil. Nos últimos meses, o presidente dos EUA, Donald Trump, já aplicou sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e sobretaxou o Brasil com tarifas para produtos exportados. Na esteira das justificativas, Trump chegou a mencionar que as tarifas tinham relação com a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com a confirmação do que ficou amplamente conhecido como "tarifaço", o Itamaraty afirmou que as taxas não foram impostas apenas por motivos econômicos ou comerciais. "O Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na Justiça brasileira", disse em nota o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
No início deste mês, o perfil oficial do Departamento de Estado publicou um vídeo que remete à Doutrina Monroe, criada em 1823 sob a justificativa de proteger os recentes países das três Américas que se livraram do colonialismo europeu, mas que foi usada justamente para o contrário: Washington exercer domínio e provocar um legado de instabilidades.
Outro fato que chamou a atenção foi, também neste mês, a publicação do deputado republicano Carlos Gimenez com uma montagem do presidente Lula com a legenda "o que espera". Na foto, Lula aparece como se fosse Maduro após ser levado pelas forças norte-americanas depois da invasão em janeiro. A reação foi imediata, e o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, chegou a citar uma "ameaça" velada ao Brasil.
Além disso, o governo federal aponta também os riscos à segurança nacional decorrentes da classificação, pelos Estados Unidos, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O tema vem, inclusive, sendo defendido pela oposição.
Neste domingo (23), o ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro, foi às redes sociais acusar que meio milhão de bots foram usados em seu país durante as eleições para espalhar mentiras sobre ele e também sobre o candidato de seu partido, Iván Cepeda. As operações, segundo ele, "estariam a serviços a agrupações de extrema-direita na América Latina".
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