Oposição a data centers cresce e pressiona desenvolvimento da IA nos EUA, diz mídia

© AP Photo / Jenny Kane
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Temores com o aumento nas contas de luz nos EUA fez crescer à oposição a construção de novos data centers no país. Segundo a mídia norte-americana, uso excessivo de água e ocupação de terras agrícolas também estão entre as preocupações que transformaram um tema técnico em disputa política nacional.
A oposição a novos centros de dados cresceu de forma explosiva nos EUA, impulsionada por temores de que essas instalações elevem contas de energia, consumam água e ocupem terras agrícolas. A reação popular tem lotado audiências locais e alimentado pedidos de moratórias estaduais e nacionais, criando um obstáculo para uma indústria que planeja cerca de 1.500 projetos voltados ao avanço da inteligência artificial (IA).
De acordo com a mídia norte-americana, empresas do setor admitem que perderam a batalha narrativa ao manterem práticas de sigilo e pouca comunicação com comunidades.
Executivos afirmaram à mídia que o "vazio" informativo foi preenchido por interpretações negativas, e pesquisas mostram que a maioria dos norte-americanos agora acredita que data centers encarecem a eletricidade — uma mudança brusca em relação a seis meses atrás.
Tradicionalmente discretas, muitas empresas nunca lidaram com disputas políticas e não possuem estruturas robustas de relações públicas. O boom da IA as obrigou a se comunicar mais, mas acordos de confidencialidade e projetos iniciados sem diálogo prévio geraram desconfiança em cidades como Salem (Oregon) e Posey (Indiana), destaca a apuração.
A percepção pública sobre o tema piorou. De acordo com uma pesquisa realizada pelo portal, apenas 16% dos entrevistados acreditam que data centers beneficiam suas regiões, enquanto preocupações com energia e água cresceram mais de 15 pontos percentuais desde janeiro. Líderes locais, porém, hesitam em defender publicamente projetos controversos, temendo desgaste eleitoral.
Alguns executivos tentam reverter o cenário com engajamento direto — audiências públicas, presença em redes sociais e visitas guiadas —, mas muitos evitam exposição diante da retórica agressiva. Consultores defendem que empresas adotem estratégias semelhantes às de políticos, aproximando-se de igrejas, escolas e eventos comunitários.
Gigantes como Meta (empresa proibida na Rússia por atividade extremista) investiram milhões em campanhas nacionais, mas acordos secretos de impostos e uso de terras, como o firmado em Louisiana, ampliaram a desconfiança. Empresas menores afirmam não ter capacidade para disputar a narrativa em escala nacional, concentrando esforços apenas em comunidades onde constroem.
Para além disso, a pressão por moratórias também ganhou força. A mídia destaca que Nova York decretou a primeira suspensão estadual de grandes data centers, e propostas semelhantes surgem no Congresso e em municípios. Projetos já foram paralisados, como o de Monroeville (Ohio), onde uma proibição de um ano interrompeu a construção planejada pela Decimal Digital.
Analistas consultados pela apuração, afirmaram que as eleições de meio de mandato podem ser decisivas para o setor, que precisa reconstruir sua narrativa antes que a disputa política se intensifique.


