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Irã por quem esteve lá: analista conta como o país luta contra os EUA e mantém sua economia (VÍDEOS)

© AP Photo / Vahid SalemiIranianos vão às ruas para demonstrar apoio ao governo de Teerã, em 26 de agosto de 2026
Iranianos vão às ruas para demonstrar apoio ao governo de Teerã, em 26 de agosto de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 02.09.2026
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Após décadas de tentativas de isolamento por meio de severas sanções econômicas lideradas pelos EUA, a República Islâmica do Irã demonstrou resiliência. No cenário atual, o país não apenas supera as ofensivas estadunidenses, mas também inflige danos à máquina de guerra do inimigo, consolidando-se como uma potência e liderança regional dominante.
Para compreender o contexto sociopolítico iraniano, a Sputnik Brasil conversou com o analista político Marco Fernandes, que se dedica a estudos sobre o país e esteve em Teerã antes do início da guerra em 28 de fevereiro, deflagrada por ações de Washington e Tel Aviv. Sobre o conflito, o especialista aponta que o Irã demonstrou sua capacidade bélica para o mundo.

"O Irã é a Stalingrado da nossa época, a Stalingrado do Sul Global, porque essa guerra mudou o mundo e vai mudar não só a política regional, mas a geopolítica global. E o Irã, evidentemente, também, graças a essa guerra, pela primeira vez na história, fez algo que também se cogitava e que o Irã também não sabia se era capaz de fazer ou não, que foi o fechamento do estreito de Ormuz", disse.

O pesquisador também aponta que o Irã, além de se consolidar como um ator capaz de alterar a dinâmica local, expôs a fragilidade dos EUA perante seus aliados no golfo Pérsico. Para o analista, os EUA demonstraram incapacidade de garantir proteção, apesar de manter extensas bases militares na região.

"Os países do golfo [Pérsico] passaram pelo menos 40 anos pagando bilhões de dólares aos EUA para garantir a sua segurança. Tanto com venda de equipamentos quanto com todas as suas bases. O que essa guerra provou é que os EUA não têm a capacidade e talvez nem o interesse de defender os países da região", comenta.

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Economia estatal fortalece o país apesar de sanções

Fernandes, que está em vias de publicar o seu artigo "Como o Irã está vencendo a guerra que mudou o mundo? Estado planejador, jihad intelectual e xeque-mate geopolítico", explica que, no âmbito econômico, a participação direta do governo é um dos pilares para o desenvolvimento interno.

"O Irã nunca deixou de ter plano quinquenal, então isso é uma coisa já cultural. O que aconteceu, em parte por conta das sanções, foi que cada vez mais o Estado iraniano assumiu uma série de setores importantes da economia. O Irã hoje, provavelmente, está na lista dos países do mundo onde o Estado tem mais influência e comando sobre a economia, mais até do que a China", destaca.

Outro ponto levantado pelo analista internacional é que o Irã, em suas relações externas, construiu uma ponte diplomática que contorna o Ocidente, contando com Moscou e Pequim como parceiros estratégicos centrais.

"Entre 80% e 90% do petróleo iraniano vai para a China, com um ótimo desconto, aliás. O programa nuclear iraniano tem muito de cooperação com a Rússia. Há também toda uma questão logística [no Irã], que é estratégica hoje para a geopolítica e para o futuro econômico do Sul Global, que é a construção de rotas econômicas alternativas às rotas oceânicas controladas pelos Estados Unidos", observa.

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Religião é a 'liga' da coesão entre Estado e sociedade

Além do pragmatismo das políticas públicas que regem a população, a religião islâmica, segundo Marco Fernandes, é de vital importância. Uma vez que a fé atua como um pilar fundamental para o povo iraniano superar adversidades, inclusive diante das atuais investidas estadunidenses.

"Para o xiita, há dois caminhos possíveis diante da opressão, ou se luta e a justiça prevalece, ou se luta e é massacrado, virando mártir. mas, nos dois casos, ele sai vitorioso. Como é que se faz uma guerra com um povo que pensa que não há derrota? Esse país, essa sociedade, é praticamente indestrutível. Eu acho que é isso que nós estamos vendo no Irã nos últimos meses", conclui.

Compreender o Irã exige romper com as visões simplistas do Ocidente, que frequentemente reduzem sua rica história a estereótipos. O atual cenário de conflito deixa claro que as pressões e ataques de Washington falharam em desestabilizar o país. Pelo contrário, a agressão externa acabou servindo como um combustível para unificar a população, demonstrando uma forte coesão social e um nacionalismo resiliente.
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