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Análise: 'Equador deve se posicionar com uma proposta de qualidade' para ser líder mundial em cafés

© AP Photo / Aijaz RahiGrãos de café torrado são exibidos em uma loja premium do Cafe Coffee Day em Bangalore, Índia, 31 de janeiro de 2012
Grãos de café torrado são exibidos em uma loja premium do Cafe Coffee Day em Bangalore, Índia, 31 de janeiro de 2012 - Sputnik Brasil, 1920, 19.09.2026
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A capital do Equador é o cenário da primeira feira internacional dedicada a conectar produtores, torrefadores e consumidores, com a realização da The Global Coffee Fair (TGCF) e a cerimônia de premiação South America's 100 Best Coffee Shops.
O consumo mundial de café tem mantido uma tendência de crescimento constante, com uma taxa de avanço anual de aproximadamente 5,4% nos últimos anos. No entanto, em 2026, o mercado já não busca apenas uma bebida, mas sim conhecer a origem, os processos e o rosto por trás de cada xícara.
Especialistas e produtores concordam que o modelo comercial tradicional deve dar lugar a um esquema de transparência e integração direta.

A chave para a sustentabilidade

No circuito comercial tradicional, menos de 10% do preço final do café chega ao pequeno produtor, em contraste com os 70% ou 80% que ficam com os intermediários, segundo dados da Organização Internacional do Café (OIC). Esse desequilíbrio é o principal motor da transição para modelos de venda direta e transparente.
Klever Torres, diretor da The Best Coffee Shops Ecuador, enfatiza que os intermediários precisam evoluir para se tornarem pontos de conexão efetiva.
"A realidade dos produtores e do consumidor final está mudando de forma muito interessante: hoje, comercializadores e torrefadores querem saber de onde vem o café. O que precisamos melhorar? A comercialização e a transparência, bem como os laços diretos com os produtores, para que a remuneração chegue a quem realmente precisa e não fique retida no meio do caminho", explica em entrevista à Sputnik.
Para o especialista, quando o produtor melhora sua qualidade de vida, a qualidade e o volume do grão também mudam. Essa reconexão entre a origem e o consumidor também dinamiza a economia rural. No primeiro semestre deste ano, as exportações de café equatoriano registraram um crescimento interanual de 41,4%, atingindo um total de US$ 82,7 milhões, segundo a Associação Nacional Equatoriana de Café (ANECAFÉ).
"O café dinamiza a economia local pela mão de obra que demanda, mas o turismo ajuda a aproximar o campo da cidade. Permite valorizar o trabalho minucioso do café de especialidade e dar visibilidade a grãos de sabores complexos que hoje são reconhecidos internacionalmente", aponta durante uma conversa com este veículo.
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Posicionamento internacional e valor agregado

O encontro realizado em Quito busca consolidar a diversidade geográfica e microclimática do Equador como um fator de vantagem competitiva em mercados de nicho. "Iniciativas como esta dão impulso à origem, atestando o esforço dos agricultores e a variedade de café que temos em um território tão pequeno", comenta Jalál DuBois, produtor audiovisual e promotor do evento, em entrevista à Sputnik.
Em um contexto internacional marcado pela volatilidade dos preços, a aposta no segmento de alto padrão apresenta-se como a única via sustentável para os países produtores desse produto. Entre 2021 e 2026, a cotação internacional do café na Bolsa de Nova York registrou um salto drástico, passando de uma média de US$ 1,20 a US$ 1,50 por libra para faixas entre US$ 2,80 e mais de US$ 3,50, chegando até mesmo a picos de US$ 4.
Essa tendência de alta impacta com maior força o segmento de cafés especiais, no qual os prêmios por qualidade, a produção limitada e os custos logísticos elevam ainda mais o preço final pago pelo consumidor.
César Ramírez, fundador e diretor do The World’s 100 Best Coffee Shops, ressalta que a conjuntura do mercado favorece os produtores diferenciados:
"O preço do café está subindo, mas o de especialidade [sobe] ainda mais. O Equador deve se posicionar com uma proposta de qualidade; isso o transformará em uma das grandes potências e referências do mundo [do café]", afirma em diálogo com a Sputnik.
Essa projeção internacional já rende frutos no circuito local. Duas cafeterias do Equador figuraram no ranking das cem melhores da região, ocupando as posições 11 e 48, graças à excelência de seus insumos, à maestria no preparo do café e à inovação de sua proposta gastronômica.
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