Fundo de Florestas fica fora dos planos da maioria dos candidatos e enfrenta incertezas após 2026
12:34 23.09.2026 (atualizado: 13:07 23.09.2026)

© AP Photo / Andre Penner
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Lula é o único candidato a mencionar o TFFF, enquanto o fundo corre para captar US$ 10 bilhões até o fim do ano e evitar perder aportes internacionais. Sem governança consolidada e dependente do engajamento brasileiro, o mecanismo enfrenta incertezas caso haja mudança de governo e diante da falta de posição clara de Flávio Bolsonaro.
Um ano após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar um aporte inicial de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,15 bilhões) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), o fundo segue praticamente ausente dos planos de governo dos demais candidatos à Presidência. O único a mencioná‑lo é o próprio presidente, que trata o mecanismo como prioridade de política externa em um eventual novo mandato.
Especialistas consultados por um jornal de grande circulação no país avaliaram que o fundo ainda não possui estrutura de governança capaz de resistir a mudanças de governo. Para Taciana Stec, do Instituto Talanoa, o TFFF permanece fortemente associado à agenda ambiental de Lula, o que aumenta o risco de descontinuidade em caso de transição política.
Idealizado pelo Brasil, o TFFF pretende captar US$ 125 bilhões (cerca de R$ 643,75 bilhões) para formar uma carteira de investimentos de renda fixa, com rendimentos entre 7% e 8% ao ano. O modelo prevê que financiadores recebam parte dos lucros e que países conservadores de florestas recebam US$ 4 (R$ 20,60) por hectare preservado, com redução em caso de desmatamento.
O aporte brasileiro de R$ 5 bilhões está previsto no Orçamento de 2027 e depende de aprovação do Congresso. Enquanto isso, o plano do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, não se posiciona sobre o TFFF e afirma apenas que o candidato defende mecanismos de incentivo econômico à preservação ambiental, sem mencionar o fundo.
No entanto, a continuidade do engajamento brasileiro preocupa integrantes do governo, que veem o TFFF como responsabilidade global, ao passo que admitem que uma troca de gestão poderia alterar o ritmo de participação do país.
Até agora, o TFFF soma US$ 7,3 bilhões (cerca de R$ 37,6 bilhões) em compromissos e precisa atingir US$ 10 bilhões (mais de R$ 51,5 bilhões) até o fim do ano para começar a operar e manter o aporte da Noruega.
Caso não alcance a meta, o mecanismo corre risco de desidratar em 2027, segundo Stec. Há negociações com diversos países, mas novos anúncios devem ocorrer apenas na COP31, em novembro, quando já se saberá quem governará o Brasil.


