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Mídia: China rebate críticas ao superávit e diz que tensão global decorre de demanda fraca pós-2008

© Foto / XinhuaVista aérea do cais de contêineres do porto de Zhoushan, na cidade de Ningbo, província de Zhejiang, leste da China, em 12 de julho de 2017
Vista aérea do cais de contêineres do porto de Zhoushan, na cidade de Ningbo, província de Zhejiang, leste da China, em 12 de julho de 2017 - Sputnik Brasil, 1920, 23.09.2026
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A China voltou ao centro do debate após novo superávit acima de US$ 100 bilhões, reacendendo críticas ocidentais sobre desequilíbrios globais. Pequim rebate dizendo que suas exportações refletem demanda real por tecnologia e energia limpa, enquanto a fraqueza persistente da economia mundial desde 2008.
A economia chinesa avança rumo a um desenvolvimento de alta qualidade, apesar de um ambiente global mais complexo e de críticas recorrentes de parte da mídia ocidental. Para responder a interpretações consideradas distorcidas, o jornal asiático Global Times lançou uma coluna dedicada a esclarecer percepções sobre o desempenho econômico do país.
A divulgação dos dados comerciais de agosto reacendeu debates sobre o superávit chinês, que ultrapassou US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 511 bilhões) por quatro meses seguidos. Analistas como Michael Froman, presidente do think tank norte-americano Council on Foreign Relations, afirmam que o mundo estaria chegando ao limite para absorver a produção chinesa, sugerindo risco de crise global, argumento que ganhou repercussão em veículos ocidentais.

Segundo o artigo da mídia asiática, a China reconhece que seu superávit é elevado, mas atribui o fenômeno à divisão internacional do trabalho e aos padrões de poupança e consumo de cada país. Pequim sustenta que não busca deliberadamente superávits e que tem ampliado a demanda interna e as importações, para equilibrar possíveis discrepâncias na balança de pagamentos.

Já os déficits persistentes dos EUA e da Europa, segundo economistas chineses, são ignorados nas críticas sobre desequilíbrios globais, argumenta o jornal.
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O crescimento das exportações chinesas em setores como circuitos integrados, máquinas e veículos de nova energia reflete, segundo o governo, uma demanda real impulsionada pela transição energética e pela modernização industrial. Para Pequim, esses produtos ampliam a oferta global e não representam excesso de capacidade artificial.
Autoridades chinesas afirmaram que parte das críticas ocidentais politiza o tema ao associá-lo a narrativas como "aperto chinês" e "choque chinês", que colocam Pequim no centro de tensões econômicas supostamente produzidas de forma artificial que tomam espaço de economias menores que do gigante asiático. Como contraponto, citam o papel da China na industrialização de países em desenvolvimento, com exportações de maquinário, infraestrutura e tecnologia que ajudaram economias asiáticas a expandir sua produção têxtil e manufatureira.

Para economistas chineses consultados pela mídia ao longo dos últimos meses, a preocupação atual reflete a demanda global fraca desde a crise de 2008, que reduziu o ritmo do comércio mundial e afetou economias ocidentais com desaceleração, desindustrialização e desequilíbrios internos.

Assim, a mídia conclui que o risco de uma nova crise dependeria menos da China e mais da capacidade das grandes economias de enfrentar transformações industriais, riscos financeiros e pressões protecionistas, alertando que barreiras comerciais que visam "corrigir" superávits costumam aumentar tensões comerciais.

Historicamente, superávits prolongados não foram exclusivos da China nem causaram crises globais. Países como Reino Unido, EUA, Japão e Alemanha já registraram superávits elevados em fases específicas, resultado de mudanças na divisão internacional do trabalho.

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