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Por que a crise energética na Europa se agrava após sanções à Rússia? Analista explica (VÍDEOS)

© AP Photo / Ebrahim Noroozi/PoolO chanceler alemão Friedrich Merz (E) e o presidente francês Emmanuel Macron (D) participam de uma reunião com um grupo de investidores na Cúpula sobre Soberania Digital Europeia em Berlim, Alemanha, 18 de novembro de 2025
O chanceler alemão Friedrich Merz (E) e o presidente francês Emmanuel Macron (D) participam de uma reunião com um grupo de investidores na Cúpula sobre Soberania Digital Europeia em Berlim, Alemanha, 18 de novembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 25.09.2026
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A crise dos combustíveis na França reacende o debate sobre os efeitos colaterais da ruptura energética entre União Europeia (UE) e Rússia. Com preços em alta, postos registrando falta de ao menos um tipo de combustível e Emmanuel Macron defendendo uma reunião do G7 para discutir a crise energética, cresce a pressão interna dentro da Europa.
Um cenário marcado por hostilidades por parte de Bruxelas contra Moscou, com sanções impostas em diversos setores como economia e energia, acabou trazendo o impacto para fora do continente europeu, como explica Valdir Bezerra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo.

"A União Europeia, na tentativa de isolamento da Rússia a todo custo, implementou sanções diretas impostas a Moscou. Essas sanções, como muitos analistas já afirmaram, foram as mais draconianas. Isso tem custos não só para a UE em si, como para outras partes do mundo. Tivemos uma questão para além do problema da energia, que foi o encarecimento de preço de combustível e dos alimentos", disse.

Outro ponto levantado pelo analista é que as sanções têm um "efeito bumerangue". Elas não atingem apenas o país sancionado, mas também o Estado que as impõe, voltando-se contra ele na forma de danos colaterais, como acontece com a Europa atualmente.

"Hoje, no mundo em que nós vivemos, uma crise localizada, ela tem efeitos globais, e o conflito na Ucrânia não poderia ser diferente. Isso foi amplificado pelas sanções? Sim, foi amplificado pelas sanções, que acabam funcionando como um efeito bumerangue. Aqueles que as aplicam acabam sofrendo também um golpe quando esse bumerangue volta para as mãos do seu detentor", comenta.

Crise na França, sintomia europeu de uma grave crise

Para Bezerra, os problemas de abastecimento nos postos franceses e a reação do presidente Emmanuel Macron em convocar o G7 refletem uma crise profunda cujos desdobramentos já ultrapassam os limites territoriais da França. O cenário evidencia que as dificuldades energéticas ganharam proporções além das fronteiras francesas.

"Nós tivemos recentemente problemas graves na França. Há inclusive informação de que cerca de 10% dos postos franceses não possuem pelo menos um tipo de combustível. Emmanuel Macron [teve] a ideia de uso das reservas estratégicas europeias. Lembrando que, quando a gente fala de reserva estratégica, no campo das relações internacionais, a gente está falando de uma reserva a ser utilizada apenas em casos extremos", destaca.

O analista internacional enfatiza que a raiz desta crise energética europeia está diretamente ligada às sanções econômicas. Ao adotá-las, a própria Europa acabou limitando seu acesso aos recursos energéticos da Federação da Rússia, que até então figurava como o seu principal fornecedor.

"A França está começando a propor ideias no sentido de talvez utilizar esse tipo de reserva. E tudo isso vem na esteira, de fato, das sanções que a União Europeia decidiu por iniciativa própria impor contra a Rússia, tentando diminuir o que eles chamavam de dependência da energia russa, em primeiro momento do gás natural e depois o petróleo", observa.

A Usina Nuclear de Cernavodă, que teve de desligar um dos seus reatores devido aos níveis extremamente baixos de água no Rio Danúbio, é vista em Cernavodă, na Romênia. - Sputnik Brasil, 1920, 31.08.2026
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Como a crise energética na Romênia expõe as fraquezas da Europa? Analista explica (VÍDEOS)

Europa não pode produzir energia por conta própria

Outro agravante para Bruxelas é a incapacidade crônica da Europa de alcançar a autonomia energética. A tentativa de contornar a crise, importando recursos do Oriente Médio, foi duramente afetada após os ataques dos Estados Unidos contra o Irã. Como resposta, Teerã fechou o estreito de Ormuz, o que estrangulou as rotas de abastecimento e agravou ainda mais a delicada situação europeia.

"Antes do começo do conflito [na Ucrânia], a Rússia respondia sozinha por cerca de 30% de todo o petróleo importado pela UE, que não produz correspondentemente ao seu consumo doméstico. Depois do conflito, a importação de petróleo russo para UE caiu para menos de 5%. Como resultado disso e do fechamento de Ormuz após ataques americanos ao Irã, a Europa acabou numa situação bastante difícil", conclui.

A dinâmica econômica e as decisões no âmbito da política internacional geram impactos que superam as fronteiras do país sancionador, afetando uma cadeia diversificada de Estados. Em um mercado global profundamente integrado e interdependente, debates como o da transição energética deixam de ser locais e passam a perpassar setores estratégicos globais, moldando a segurança e o desenvolvimento de qualquer nação.
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