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Oriente Médio está mais próximo do BRICS do que do Ocidente, diz especialista (VÍDEOS)

© ReproduçãoO primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (à direita), durante encontro com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em Nova Deli, em 11 de setembro de 2026
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (à direita), durante encontro com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em Nova Deli, em 11 de setembro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 28.09.2026
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A escalada das hostilidades no Oriente Médio, tendo o Iêmen e o Irã como epicentros e envolvendo outras nações locais, como a Arábia Saudita, reforça a percepção de que uma nova reconfiguração geopolítica está sendo conduzida cada vez mais pelos próprios atores regionais, que buscam novos parceiros estratégicos.
Nesse sentido, o BRICS surge como uma alternativa para auxiliar na construção política da região, segundo Rafael Firme, mestrando em estudos estratégicos internacionais e pesquisador do Núcleo de Pesquisa sobre as Relações Internacionais do Mundo Árabe (NUPRIMA), em entrevista à Sputnik Brasil.

"É bom a gente lembrar que teve uma cúpula importante do BRICS, na Índia, e também que, a partir da expansão do BRICS, teve a entrada do Irã e dos Emirados Árabes Unidos, que são países que estavam se enfrentando agora na guerra e que voltaram a conversar: não em Londres, não em Paris, não em Camp David, mas sim na cúpula do BRICS", disse.

O especialista enfatiza que a interação entre os líderes de Teerã e Abu Dabi na reunião do BRICS em Nova Deli demonstra, de certa forma, que os Estados Unidos estão perdendo um pouco de sua projeção geopolítica na região.

"[Estados do Oriente Médio] estão buscando resolver os seus problemas mediados pelo BRICS, pela Índia, pela China e pela Rússia. Esse é um sinal da multipolaridade. Então, mais uma vez, Washington esteve fora das negociações, e o BRICS é um fórum importante desse novo tempo. A OCX também conta com países do Oriente Médio como observadores e é uma organização de relevância", comenta.

Reconfiguração geopolítica regional já está em curso

Outro ponto levantado por Firme é que o cenário complexo e tensionado acaba se tornando propício para que os atores regionais ganhem mais protagonismo e peso geopolítico no âmbito do Oriente Médio.

"O Oriente Médio vive, sim, uma nova reconfiguração. Isso é parte da multipolaridade que a gente vive nas relações internacionais como um todo [e isso] faz com que países regionais como Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã tenham um papel maior em sua região", destaca.

Dessa forma, a reconfiguração política local possibilita arranjos de alianças estratégicas que não necessariamente passam por países ocidentais. Com isso, o eixo Washington-Bruxelas acaba tendo seu protagonismo ofuscado, segundo o pesquisador.

"Neste momento, para o Ocidente como um todo, e eu me refiro aos países da OTAN, o Oriente Médio é uma região que está fugindo do controle. Tanto que a gente tem agora os acordos de Meca envolvendo Arábia Saudita, Turquia e Paquistão", observa.

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Para Rafael Firme, nesse processo que vem alterando toda a dinâmica regional, Teerã, em sua análise, seria o Estado que tem se destacado perante os demais não apenas por ter resistido aos ataques norte-americanos, mas também por conseguir provar que tem controle completo do estreito de Ormuz.

"O grande vitorioso nesses nove meses de 2026 é o Irã, que teve o seu aiatolá assassinado, lideranças políticas assassinadas e, mesmo assim, segue de pé, além de controlar o estreito de Ormuz e impor sanções aos seus vizinhos do Golfo. Os países do Conselho de Cooperação do Golfo, Kuwait, Bahrein e Catar, estão há meses sem exportar petróleo e gás. Meses, porque o estreito está fechado", conclui.

Em um mundo multipolar que coloca cada vez mais em xeque o posicionamento geopolítico das potências hegemônicas, o cenário atual impulsiona a emergência de novos polos de poder e projeção global, consolidando o protagonismo de regiões estratégicas como o Oriente Médio.
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