Analistas veem desafio para Lula e Flávio na conquista de votos do centro, diz mídia

© Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto
Nos siga no
Lula e Flávio Bolsonaro entram no segundo turno de uma das disputas presidenciais mais acirradas desde a redemocratização mirando os 33,4 milhões de eleitores que se abstiveram e os 8,7 milhões que votaram na terceira via. Analistas avaliam, porém, que conquistar esse eleitorado, sobretudo no Sul e no Sudeste, será um desafio para ambos.
Após o primeiro turno mais equilibrado desde a redemocratização, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltam suas estratégias para os eleitores que se abstiveram ou apoiaram candidatos da chamada terceira via. O objetivo é ampliar a base de apoio no segundo turno, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde esses votos se concentram.
Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos. Além disso, 33,4 milhões de eleitores se abstiveram e outros 8,7 milhões votaram em Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) ou Ronaldo Caiado (PSD), candidatos que ficaram fora da disputa final.
O desempenho da terceira via e o nível de abstenção foram ligeiramente superiores aos observados em 2022, o que abre espaço para a disputa por esse eleitorado. Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul registraram participação desses candidatos acima da observada na eleição anterior, enquanto Goiás se destacou com os 12% obtidos por Caiado.
Os maiores colégios eleitorais do país, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, também concentraram tanto votos da terceira via quanto elevados índices de abstenção. De acordo com a mídia brasileira, esses estados se tornam estratégicos para os dois finalistas na busca por ampliar seus resultados no segundo turno.
Especialistas consultados pela apuração de um jornal de grande circulação no país, porém, avaliam que converter esses eleitores não será simples. Em estados onde a disputa para governador já foi decidida, a expectativa é de redução da mobilização eleitoral, o que pode elevar ainda mais a abstenção na segunda rodada.
Para o cientista político Antonio Lavareda, o crescimento do filho de Bolsonaro no primeiro turno não decorreu necessariamente de um aumento do antipetismo, mas de uma migração de parte dos eleitores de Lula e da terceira via para a abstenção. Segundo ele, Lula precisará ampliar a rejeição de Flávio entre eleitores moderados e até mesmo entre parte dos atuais apoiadores do adversário, repetindo estratégia semelhante à adotada em 2006 contra Geraldo Alckmin, atualmente seu aliado.
Já o pesquisador Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), avalia que o eleitor que não se identifica nem com o lulismo nem com o bolsonarismo será decisivo na reta final. Para ele, esse segmento se mostrou pendular nos últimos anos, mas manteve preferência pela oposição entre 2022 e 2026, tornando sua reconquista um desafio central para a campanha de Lula, destaca a mídia.



