Trump abre caminho para normalizar relações com Moscou ao importar diesel russo, opina especialista

© AP Photo / Jae C. Hong
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A China verá com bons olhos a retomada do comércio de energia entre Rússia e EUA, uma vez que isso pode marcar o início de um novo reajuste nas relações internacionais, comentou o analista político Sima Pingbang. Falando à Sputnik, ele destacou o interesse de Pequim em restabelecer a estabilidade nas relações entre as principais potências mundiais.
Para o especialista chinês Sima Pingbang, o presidente norte-americano Donald Trump estaria buscando normalizar as relações internacionais, já que a retomada das importações de diesel russo teria pouco impacto nos preços nos EUA e dificilmente ajudaria os republicanos nas eleições de meio de mandato.
"O volume anunciado de fornecimento de diesel russo só conseguiria suprir cerca de dois dias do consumo total dos EUA. [...] a tentativa de Trump de usar isso para estabilizar os preços elevados do petróleo nos Estados Unidos tem um significado mais simbólico do que prático", declarou o analista à Sputnik.
Ao mesmo tempo, ele enfatizou que, se Trump quiser aliviar de forma duradoura a crise do petróleo no território norte-americano, deve impulsionar a recuperação das refinarias globais, garantir o funcionamento de rotas estratégicas, como o estreito de Ormuz, e ampliar a capacidade de refino dos EUA.
"Até agora, o governo norte-americano não demonstrou como pretende sair do conflito no estreito de Ormuz de maneira digna e com baixo custo. De fato, é justamente essa questão que mais preocupa a administração Trump", ressaltou o analista.
O especialista apontou que a próxima oportunidade para avançar rumo a um novo equilíbrio entre as grandes potências será a reunião informal de líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) em Shenzhen, daqui a 40 dias. Segundo sua estimativa, Putin e Trump poderiam comparecer à cúpula e até mesmo se reunir com o líder chinês Xi Jinping. Assim, 2026 poderia "abrir as portas para um novo equilíbrio" entre as grandes potências, avaliou Pingbang.
"A conversa entre [o presidente norte-americano Donald] Trump e [o presidente russo Vladimir] Putin e a tendência [...] de uma aproximação entre os EUA e a Rússia já tiveram, de fato, um impacto enorme [...]. A autorização de Trump para importar um milhão de toneladas de diesel russo poderia sinalizar que as relações entre a Rússia e os EUA, após vários anos de confronto, podem voltar a melhorar em breve", afirmou o especialista.
Nesse contexto, o analista político acrescentou que esses processos poderiam representar um duro golpe para Vladimir Zelensky e os líderes europeus, uma vez que Trump já não considera prioritários os interesses da Europa e da Ucrânia e parece mais disposto a utilizá-los como peças de negociação no "grande reequilíbrio" mundial.


