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Aproximação entre Bolívia e Peru é 'conveniente' para os EUA, avalia especialista

Rodrigo Paz eJosé Antonio Kast, presidentes de Bolivia e Chile, respectivamente
Rodrigo Paz eJosé Antonio Kast, presidentes de Bolivia e Chile, respectivamente - Sputnik Brasil, 1920, 18.10.2026
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Após 71 anos, um presidente chileno realizou uma visita oficial à Bolívia, com a chegada do mandatario José Antonio Kast a capital boliviana La Paz para se reunir com seu par, Rodrigo Paz.
Analistas consultados pela Sputnik fizeram um percurso histórico do vínculo até este 16 de outubro, quando se abriu "uma nova etapa", segundo ambos os governos.
Na ocasião, eles assinaram acordos comerciais, de segurança e sondaram a questão marítima, reivindicação histórica com status constitucional no Estado Plurinacional, após reivindicação boliviana por recuperar um acesso soberano ao mar perdê-lo na Guerra do Pacífico (1879-1885).
Em 2018, a Corte Internacional de Haia decidiu que o Chile não estava obrigado a discutir esse tema com a Bolívia.
Ambos os mandatários concordaram sobre a importância dos países deixarem de "dar as costas" um ao outro para construir no futuro um vínculo que beneficie os dois povos.
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Kast chegou a La Paz acompanhado de ministros e governadores de quatro regiões do norte chileno, onde o intercâmbio com a Bolívia é fundamental para o desenvolvimento das economias locais.
Declarado "hóspede ilustre", presidente do Chile foi recebido com honras. Houve até apresentação do Batalhão de Colorados - unidade militar que lutou na linha de frente na guerra contra o Chile - que entoou o hino nacional do outrora inimigo.
Kast por sua vez convidou seu homólogo a visitar o Chile em 2027.

"Não podemos continuar como dois países que ninguém vai tirar de onde estão, que vivem e dormem juntos, mas de costas um para o outro e não falam. Presidente Paz, hoje deixamos de dar as costas um ao outro", disse Kast em discurso durante a visita.

Já o chefe de Estado boliviano declarou: "O passado foi de conflito. O presente e o futuro têm que ser de desenvolvimento."
Segundo o governo boliviano, os pactos abrangem a cooperação em mineração, sobretudo lítio, para o intercâmbio de experiências e informações sobre exploração. Também atualizaram o Acordo de Complementação Econômica estabelecido em 1993.
A interconexão de fibra óptica também esteve na pauta, com possibilidade de construir cabos submarinos do Pacífico e melhorar a conectividade boliviana, bem como a integração energética.
Kast e Paz compartilham posições ideológicas, que se traduzem em sua participação na iniciativa do Escudo das Américas, criado pelo presidente estadunidense Donald Trump.

À sombra de Trump

Em diálogo com a Sputnik, o analista internacional Toshiro Miki destacou que as afinidades ideológicas foram decisivas para a aproximação, assim como a atual situação hemisférica com forte presença dos Estados Unidos e a criação do Escudo das Américas.
Ele recordou que mais de 50% das reservas mundiais de lítio se repartem entre Chile, Argentina e Bolívia, cujos governos atualmente estão em sintonia com os interesses de Washington.

"Para os interesses dos EUA é conveniente essa aproximação entre Kast e Paz, no sentido de que os distintos elementos que compõem hoje a geopolítica desta nova ordem internacional e a composição da região possam fluir sem que haja conflito entre as partes [...] "É favorável para uma potência como os EUA ter acesso a um recurso que está em três países, mas que se gerencie de forma integrada".

Além do canal do Panama, ponderou os corredores bioceânicos na América do Sul, de que fazem parte Bolívia e Chile, são importantes para a geopolítica estadunidense.
O analista Álvaro del Pozo destacou que durante os governos do MAS não houve avanços de verdade nessa relação, mas salientou que essa relação deveria se tornar estratégica:

"Temos uma história comum, objetivos comuns, desafios comuns frente à globalização e, é claro, creio que esta visita dá alguns primeiros passos rumo à redefinição dessa relação", disse ele "Nesse momento teremos muito mais clareza nos objetivos [...] são os primeiros passos depois de uma relação de absoluto distanciamento. Creio que é preciso olhar positivamente a visita de Kast".

Para Del Pozo, ambos os governos deveriam se concentrar no respeito ao Tratado de 1904, no qual o Chile se comprometeu a garantir o livre trânsito da mercadoria boliviana:
"Diante da falta de uma saída soberana, que a Bolívia tenha as maiores facilidades para o comércio e a chegada das nossas mercadorias aos destinos das nossas exportações", concluiu ele.
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