- Sputnik Brasil, 1920
Notícias do Brasil
Notícias sobre política, economia e sociedade do Brasil. Entrevistas e análises de especialistas sobre assuntos que importam ao país.

Lula cita reação nas redes, defende reduzir maioridade penal para crimes hediondos e desafia Flávio

© Foto / Foto: Ricardo StuckertPresidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista concedida ao SBT.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista concedida ao SBT. - Sputnik Brasil, 1920, 19.10.2026
Nos siga no
A seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma sabatina nesta segunda-feira (19), no SBT Brasil. Durante os 30 minutos de entrevista, Lula defendeu o legado do governo, afirmou que o "povo" assumiu a campanha e abordou mudanças em posições históricas do PT.
Ao abrir a entrevista, o presidente foi questionado se havia subestimado a força do adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), no primeiro turno, quando foi derrotado por pouco mais de dois milhões de votos. O presidente, que já havia admitido que esta era a campanha mais desorganizada desde que entrou na política, negou ter subestimado o adversário e disse conhecer a força do bolsonarismo no Brasil.
"O povo está assumindo a responsabilidade da campanha, sobretudo porque quer garantir a continuidade do processo democrático [no Brasil]. Acho que fazia muitos anos que nem eu e nem você víamos a quantidade de manifestações, muitas delas espontâneas, em tantas cidades. Só no final de semana foram quase 1.700 movimentos, desde passeatas até carreatas. Então é uma coisa extremamente importante e que me dá certeza de que vou ganhar as eleições em 25 de outubro", afirmou Lula.
Lula lembrou ainda que a campanha tem buscado reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro nas regiões Sul e Sudeste, além de ampliar o apoio ao petista em Minas Gerais, estado que considera decisivo para o resultado da disputa. "Se isso acontecer, nós ganharemos as eleições como ganhamos as outras", declarou.

Transporte gratuito nos fins de semana

Questionado sobre a possibilidade de o próximo Congresso fazer uma nova legislação que retome a escala de trabalho 6x1, Lula afirmou que a medida é uma reivindicação antiga e contou com forte apoio popular. "Agora todo mundo vai trabalhar 5 por 2. As pessoas vão ter mais tempo de lazer, as pessoas vão ter mais tempo para cuidar do filho, as pessoas vão ter mais tempo para visitar parentes, para viajar", afirmou.
Lula voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte coletivo gratuito nos fins de semana. A ideia, segundo ele, é permitir que os trabalhadores aproveitem os dias de descanso mesmo quando não têm dinheiro para se deslocar. "Não adianta você dar o dia para descansar e não ter dinheiro para sequer visitar um parente", disse o presidente.
Para financiar a medida, o presidente citou o uso de recursos das emendas parlamentares previstas no orçamento federal, o que, segundo ele, deve provocar divergências com o Congresso. "Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional, mas isso é a parte da democracia", declarou.
Debate presidencial feito pela Band entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, em 18 outubro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 18.10.2026
Notícias do Brasil
Troca de acusações pessoais marca 1º e único debate na eleição presidencial no 2º turno no Brasil

Mudança sobre maioridade penal

Lula também explicou por que passou a defender a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, apesar da posição historicamente contrária do PT à medida. O presidente afirmou que é possível mudar de opinião quando há convencimento sobre a necessidade de uma alteração.
"Primeiro, eu acho que nós, seres humanos, temos que ter a capacidade de mudar de opinião quando nós estamos convencidos de que é importante", disse.
Lula argumentou que a discussão já aparecia em propostas do campo político petista desde 2018, quando o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disputou as eleições presidenciais. Além disso, o petista afirmou que sua posição é diferente da defendida por setores da direita, que, segundo ele, queriam reduzir a maioridade penal para 14 anos.
"Na mesma forma que nós achamos que um jovem de 16 anos pode votar, ele pode escolher seu presidente da República, na mesma forma que ele pode dirigir, portanto nós temos que dar a ele a responsabilidade também e ter um comportamento adequado. Se ele cometer um crime hediondo, ele tem que ser punido rigorosamente", afirmou.
Sobre a política de segurança pública, Lula defendeu a manutenção das chamadas "saidinhas" para presos que atendam aos critérios legais e tenham bom comportamento. Para ele, a possibilidade de visitar familiares faz parte do processo de recuperação, embora condenados por crimes graves não devam receber o benefício.
"O sistema prisional deve ter como objetivo a tentativa de recuperar as pessoas. Ah, mas tem um cidadão que saiu e voltou a cometer um crime. Quantos foram? Você não pode, por causa de dois ou três, punir centenas ou milhares de pessoas", declarou.
Ao tratar do combate ao crime organizado, Lula afirmou que a responsabilidade pela segurança pública está distribuída entre União, estados e municípios. O presidente brasileiro defendeu a integração das forças policiais e disse que a PEC da Segurança Pública busca estabelecer as atribuições de cada esfera de governo.
"As polícias têm que trabalhar irmanadas, com a mesma informação, banco de dados, para que a gente saiba, todo mundo atrás do mesmo bandido", declarou. Ele também defendeu a cooperação entre governos federal, estaduais e municipais para combater a violência, especialmente nas comunidades mais pobres.
Lula disse ainda que pretende transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima para impedir que organizações criminosas continuem comandando atividades de dentro das cadeias. Segundo ele, a medida busca interromper a atuação de grupos como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) a partir do sistema prisional.

Indicações ao STF e reforma do Judiciário

Na entrevista, Lula afirmou que não considera ter sofrido desgaste político com a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente disse que escolheu o nome com base em critérios profissionais e jurídicos e afirmou que, se for reeleito, pretende manter esse princípio nas próximas indicações.
"Eu indiquei o nome que juridicamente tem toda a competência para ser ministro da Suprema Corte", declarou. Lula disse ainda que tem outros três nomes para indicar caso permaneça na Presidência da República.
O presidente também defendeu mudanças no processo de escolha dos ministros do Supremo, com participação da sociedade e discussão sobre a adoção de mandatos. Segundo ele, uma alteração desse tipo exigiria uma reforma do Poder Judiciário, cuja condução depende do Congresso Nacional.
"Eu acho que para ser ministro da Suprema Corte a gente vai ter que discutir outro critério para escolher. Não pode ser só o presidente da República. Eu quero ver se a sociedade participa disso. Eu quero que tenha mandato", afirmou.
Sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) - Sputnik Brasil, 1920, 08.10.2026
Notícias do Brasil
Judicialização das eleições: a polarização política entrou de vez nas cortes?

Presidente desafia Flávio Bolsonaro a abrir sigilos

Nas considerações finais, Lula voltou a desafiar Flávio Bolsonaro a autorizar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de seus familiares. O presidente afirmou estar cansado de acusações de corrupção que, segundo ele, não são esclarecidas durante as disputas eleitorais.
"Ontem eu fiz um desafio ao meu adversário: vamos quebrar o sigilo bancário, civil e jurídico, vamos quebrar o sigilo telefônico. Eu estou cansado nesse país, estou cansado de falar em corrupção, de falar em corrupção, e terminam as eleições, nada é apurado", disse.
Lula acusou Flávio de mentir sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e mencionou uma fotografia em que o senador aparece com o empresário, além de uma viagem em um avião ligado a ele. O presidente afirmou que pretende entregar procurações à Justiça Eleitoral e ao Supremo para permitir a investigação de seus dados e dos familiares.
"Eu quero que você faça o mesmo, da sua família, você, seus irmãos. Vamos deixar investigar para saber aonde é que está a corrupção nesse país", finalizou.
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала