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Angra 3: TCU determina 240 dias ao Executivo para decidir o futuro da usina nuclear

© Foto / Divulgação / Eletronuclear via Agência BrasilBrasil conta com usinas nucleares na cidade de Angra dos Reis, no sul do estado do Rio de Janeiro
Brasil conta com usinas nucleares na cidade de Angra dos Reis, no sul do estado do Rio de Janeiro - Sputnik Brasil, 1920, 21.10.2026
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O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quarta-feira (21) que o Ministério de Minas e Energia (MME) tem 120 dias para entregar a documentação necessária sobre o destino da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), que tem cerca de 60% das obras prontas, mas que estão interrompidas desde 2015.
Logo depois, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que por lei (14.120/2021) deve decidir o futuro da usina, terá mais 120 dias para escolher entre retomar a construção e fazer o "abandono programado" do empreendimento.
O relator do processo, ministro Benjamin Zymler, informou na decisão que a demora custou a Eletronuclear R$ 2,5 bilhões entre 2024 e meados de 2026 com dívidas feitas para financia a obra parada.
O documento apresentado terá colaboração Banco Nacional de de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Eletronuclear, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a holding ENBPar, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).
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O tribunal começou a analisar o caso em dezembro de 2024, mas foi adiado após pedido de vista coletivo. Em fevereiro de 2025, o MME votou a favor de concluir a usina. A Casa Civil então pediu vista, "em razão de ser tema complexo e ainda em análise governamental".
Em outubro de 2025, o conselho mandou atualizar a modelagem do projeto por causa do acordo entre a União e a Axia Energia (antiga Eletrobras).
Em novembro, estudos realizados pelo governo, sobre modelagem dos contratos e estruturação do financiamento para terminar Angra 3, sinalizavam que os gastos de cerca de R$ 23 bilhões estimados para a conclusão das obras quase se equiparavam às perdas, na ordem de R$ 22 bilhões, caso a usina não seja terminada. Em julho, o conselho reconheceu o interesse público na suspensão temporária das dívidas da Eletronuclear ligadas à obra.
O projeto de Orçamento de 2027 reserva R$ 1,1 bilhão para seguir com Angra 3, com custo total estimado em R$ 29,2 bilhões, de acordo com um levantamento do tribunal.
A Eletronuclear teve prejuízo de R$ 142 milhões em 2025. No fim do ano passado, a empresa tinha R$ 6,3 bilhões em empréstimos e financiamentos, e mais de R$ 5,7 bilhões, sendo que mais de 90% eram de Angra 3.
"Mantido esse cenário, há um risco ponderável de insolvência da estatal ou de ser necessário um aporte significativo por parte do Tesouro Nacional", opinou o relator em seu voto.
Embora desde setembro, as dívidas com o BNDES estejam suspensas até o fim de 2027, e a negociação com a Caixa continue, para o tribunal, o alívio é momentâneo.
O Brasil possui duas usinas nuleares Angra 1 e Angra 2, também localizadas em Angra dos Reis, na costa verde fluminense.
A usina Angra 1 foi fruto de um investimento de 40 anos e, para a extensão da vida útil da usina Angra 1, a Eletrobras obteve o financiamento de R$ 22,2 milhões com parceiros internacionais. Com as duas usinas, a matriz nuclear responde atualmente por cerca de 3% de toda a energia gerada no país.
A Eletronuclear é controlada pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), com 64,1% do capital, e tem como sócia a Eletrobras, com 35,9%, empresa privatizada no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva tentava obter o controle da empresa nuclear em negociação envolvendo ações da Eletrobras.
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