- Sputnik Brasil, 1920
Notícias do Brasil
Notícias sobre política, economia e sociedade do Brasil. Entrevistas e análises de especialistas sobre assuntos que importam ao país.

Incêndios em áreas privadas dominam queimadas no Amazonas e disparam após 1º turno, diz INPE

© AP Photo / Eraldo PeresEm meio à fumaça de queimadas, toras de madeira encontram-se ao lado de uma área cercada onde bois pastam, em uma propriedade rural na estrada para a Floresta Nacional de Jacundá, perto da cidade de Porto Velho, na região de Vila Nova Samuel, parte da Amazônia brasileira, 26 de agosto de 2019
Em meio à fumaça de queimadas, toras de madeira encontram-se ao lado de uma área cercada onde bois pastam, em uma propriedade rural na estrada para a Floresta Nacional de Jacundá, perto da cidade de Porto Velho, na região de Vila Nova Samuel, parte da Amazônia brasileira, 26 de agosto de 2019 - Sputnik Brasil, 1920, 21.10.2026
Nos siga no
Levantamento do INPE mostra que 79,1% dos 1.639 focos de calor registrados no Amazonas entre 1º e 15 de outubro ocorreram em propriedades rurais privadas. Em meio à seca agravada pelo El Niño, órgãos ambientais apontam origem humana e criminosa para as queimadas, que voltaram a disparar após o primeiro turno das eleições.
O Amazonas enfrenta uma crise de incêndios que vem sufocando cidades, incluindo Manaus. Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), feito a pedido de um portal de notícias brasileiro, mostra que 79,1% dos 1.639 focos de calor registrados no estado entre 1º e 15 de outubro ocorreram dentro de imóveis rurais privados com Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Os dados reforçam a avaliação de órgãos ambientais e de investigação de que os incêndios têm origem majoritariamente humana e caráter criminoso. O uso do fogo para manejo do solo depende de autorização específica do governo estadual, e desde 9 de setembro a prática está proibida no Amazonas. Mesmo assim, os focos continuaram avançando.

A situação ocorre em meio à seca agravada pelo fenômeno El Niño, que favorece a propagação das chamas pela vegetação ressecada. Segundo o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, a estiagem cria condições propícias para os incêndios se espalharem, mas o início do fogo decorre da ação humana, aproveitando-se justamente da vulnerabilidade ambiental do momento.
Cenas da Amazônia: pôr do sol no rio Negro. Manaus (AM), 6 de julho de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 16.10.2026
Notícias do Brasil
Desmatamento atinge menor nível da série histórica na Amazônia e no Cerrado
As investigações já mobilizam Ibama, Polícia Federal (PF), Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Polícia Civil do Amazonas. Segundo a apuração, em operações de fiscalização, agentes encontraram garrafas com combustível lançadas ao longo de estradas. Desde a semana anterior ao levantamento, o Ibama aplicou R$ 2 milhões em multas, enquanto a Polícia Civil instaurou mais de 120 procedimentos para apurar o uso criminoso do fogo.
Os incêndios ocorrem simultaneamente a uma queda recorde do desmatamento na Amazônia, o menor índice desde 1988 segundo o INPE. A aparente contradição se explica pelo fato de que a maior parte do fogo não atinge floresta preservada, mas áreas já desmatadas. Em outubro, 52,8% dos focos ocorreram em áreas abertas nos últimos três anos, 30,6% em áreas desmatadas há mais tempo e apenas 15,9% em vegetação nativa.

Entretanto, os especialistas consultados pela mídia destacam que desmatamento e queimadas são fenômenos diferentes, e que embora a derrubada da floresta tenha diminuído, áreas abertas anteriormente continuam sendo queimadas para limpeza do terreno ou renovação de pastagens. Segundo pesquisadores, o fogo integra um processo contínuo de ocupação e manutenção de áreas já degradadas.

Mesmo representando uma parcela menor dos registros, os focos que atingem vegetação nativa preocupam. Com a seca extrema, incêndios iniciados em propriedades rurais podem escapar ao controle e avançar por quilômetros, alcançando florestas, unidades protegidas e territórios indígenas uma vez que o déficit de chuvas na região tem agravado o cenário de seca, especialmente em Manaus.
O rio Curuá passa perto do projeto Esecaflor, onde cientistas simulam condições de seca para entender como a floresta tropical poderia responder a um futuro mais seco, na Floresta Nacional de Caxiuanã, no estado do Pará, Brasil - Sputnik Brasil, 1920, 15.10.2026
Panorama internacional
Desmatamento global cai 15% em 2025: América Latina lidera os esforços, aponta relatório
O Ibama afirma ter autuado 19 pessoas em uma semana nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea, na região metropolitana da capital. As multas somam R$ 2 milhões e mais de 250 hectares foram embargados. Segundo o órgão, muitos casos envolvem proprietários que iniciam queimadas sem autorização e acabam permitindo que as chamas avancem para áreas protegidas.

Mas, a mídia destaca que um levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) aponta ainda uma mudança incomum no comportamento dos incêndios. Após seguirem o padrão sazonal até o fim de setembro, os focos voltaram a crescer rapidamente a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições.

Entre 4 e 14 de outubro, foram registrados 5.598 focos de calor, número 37 vezes superior ao observado no mesmo período do ano anterior e acima até dos níveis registrados durante a seca histórica de 2023. Para o Ibama, a causa da explosão ainda depende de investigação, mas relatos de campo indicam possível sensação de impunidade durante o período eleitoral.
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала