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Eleições em Israel: apoio a Netanyahu é o que mais divide a sociedade, diz especialista
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O bloco do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, somou 53 cadeiras nas eleições, longe das 61 necessárias; partidos árabes, por sua vez, alcançaram... 29.10.2026, Sputnik Brasil
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Netanyahu, não foi derrotado, mas tampouco venceu. Com o resultado das urnas, o bloco liderado pelo Likud, que reúne o partido e seus aliados, ficou com 53 cadeiras no Knesset (parlamento israelense), bem abaixo das 61 necessárias para governar. Antes da eleição, o grupo tinha 64. A queda de onze cadeiras é a marca do pleito, e o premiê deve permanecer no cargo de forma interina enquanto as negociações seguem.Em entrevistas ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, as professoras Karina Calandrin, do Ibmec, e Denilde Holzhacker, da ESPM, explicam: o eleitorado israelense está fragmentado e o desgaste de Netanyahu é real. Além disso, existe um núcleo duro de apoio que resiste à guerra em Gaza, às críticas sobre as falhas de segurança de 7 de outubro e à crise econômica, o que pode favorecer o ex-general Gadi Eisenkot, principal adversário de Netanyahu. Eisenkot lidera um bloco que conquistou 48 cadeiras. As pesquisas indicavam que a oposição chegaria à maioria, o que não se confirmou. Segundo Calandrin, Eisenkot é a grande liderança anti-Netanyahu, mas o resultado ficou aquém do esperado.Ambas as analistas ressaltam que a diferença entre os dois não está tanto no conteúdo. "É tudo direita, só que é direita pró-Netanyahu ou direita anti-Netanyahu", reforça a professora do Ibmec. Eisenkot tem perfil militar, defende uma postura dura em segurança, apoia a manutenção de uma zona de segurança desmilitarizada no sul do Líbano e considera o Irã o principal inimigo de Israel. A distinção é que Eisenkot não é Netanyahu, e não está aliado a extremistas nem a ultraortodoxos, o que muda a composição de um eventual governo.Segundo as professoras, o ex-general também tem trunfos próprios. Como foi um militar, isso lhe dá legitimidade para criticar a condução da guerra, além de gerar apoio de uma parte do eleitorado que tem afeição por votar em militares. O oposicionista também perdeu um filho em Gaza, o que reforçou seu apelo entre famílias que perderam parentes no conflito. Calandrin lembra ainda que ele poderia se tornar o primeiro premiê israelense de origem mizrahi, ou seja, de família judaica do Oriente Médio, e não europeia.Partidos árabes têm votação históricaOs principais adversários não alcançaram maioria e, para tê-la, terão que negociar com a principal surpresa das eleições: o desempenho dos partidos árabes, que somaram 19 cadeiras, superando o recorde anterior, de 15. Calandrin explica que a participação foi estimulada por um movimento de protesto: após eleições anteriores marcadas por desilusão, os eleitores árabes decidiram votar. Também pesou, segundo Holzhacker, a preocupação com o avanço de grupos de extrema- direita sobre os direitos dos árabes israelenses.A professora da ESPM avalia que esse bloco pode assumir o papel de fiel da balança, historicamente exercido pelos partidos ultraortodoxos. A negociação deve girar em torno de assentamentos, ocupação, direitos e segurança, o que também preocupa a população árabe no dia a dia.Ao todo, quatro partidos compõem o bloco árabe. A Lista Árabe Conjunta, formada por três partidos, defende o fim da ocupação e dos assentamentos e a criação de um Estado palestino. Já o Ra'am, que concorre sozinho e já integrou um governo, tem foco na melhoria de vida dos árabes israelenses, diferencia Calandrin. Se houver aliança com algum partido árabe, a hipótese mais plausível é com o Ra'am. Eisenkot, porém, apresentou quatro exigências para uma parceria, e as duas especialistas ressaltam que ele depende dos árabes mais do que eles dependem dele.Sistema fragmentado e um impasse provávelCom nenhum dos blocos perto da maioria, a formação do governo promete ser difícil. Holzhacker lembra que períodos de negociação são comuns em sistemas parlamentaristas, mas admite que há risco de novas eleições, o que manteria Netanyahu como chefe de governo provisório. Calandrin, por sua vez, diz que ele deve usar todos os instrumentos disponíveis, inclusive, ao citar a mídia, a analista lembrou que o premiê ligou para líderes árabes para que não se aliem à oposição, não para conquistar o apoio deles, mas para forçar uma nova eleição.Na avaliação de Holzhacker, a sociedade israelense está dividida menos por temas como religião ou segurança, embora essas fraturas existam, e mais pelo apoio ou rejeição à figura de Netanyahu. Há consenso de que o Irã representa uma ameaça, mas cresce a desconfiança sobre se a decisão de entrar em guerra junto com os Estados Unidos foi motivada por segurança ou por cálculo pessoal do premiê.Netanyahu enfrenta processos por corrupção em Israel e um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional. Para a professora da ESPM, as investigações mais amplas sobre as falhas de 7 de outubro de 2023 só avançarão de fato quando ele deixar o poder. Calandrin, por sua vez, não descarta que o premiê tente se instalar nos Estados Unidos, onde o filho mora e que não são signatários do Estatuto de Roma, embora trate o cenário como especulação.
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Eleições em Israel: apoio a Netanyahu é o que mais divide a sociedade, diz especialista
Especiais
O bloco do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, somou 53 cadeiras nas eleições, longe das 61 necessárias; partidos árabes, por sua vez, alcançaram votação histórica e podem ser o fiel da balança. Para especialistas, cenário mais provável é de longa negociação, ou até mesmo novas eleições.
Netanyahu, não foi derrotado, mas tampouco venceu. Com o resultado das urnas, o bloco liderado pelo Likud, que reúne o partido e seus aliados, ficou com 53
cadeiras no Knesset (parlamento israelense), bem abaixo das 61 necessárias para governar. Antes da eleição, o grupo tinha 64. A
queda de onze cadeiras é a marca do pleito, e o premiê deve permanecer no cargo de forma interina enquanto as negociações seguem.
Em entrevistas ao Mundioka, podcast da
Sputnik Brasil, as professoras
Karina Calandrin, do Ibmec, e
Denilde Holzhacker, da ESPM, explicam: o eleitorado israelense está fragmentado e o desgaste de Netanyahu é real. Além disso, existe um núcleo duro de apoio que resiste à guerra em Gaza, às críticas sobre as
falhas de segurança de 7 de outubro e à crise econômica, o que pode favorecer o ex-general
Gadi Eisenkot, principal adversário de Netanyahu.
Eisenkot lidera um bloco que conquistou 48 cadeiras. As pesquisas indicavam que a oposição chegaria à maioria, o que não se confirmou. Segundo Calandrin, Eisenkot é a grande liderança anti-Netanyahu, mas o resultado ficou aquém do esperado.
Ambas as analistas ressaltam que a diferença entre os dois não está tanto no conteúdo. "É tudo direita, só que é direita pró-Netanyahu ou direita anti-Netanyahu", reforça a professora do Ibmec.
Eisenkot tem perfil militar, defende uma postura dura em segurança, apoia a manutenção de uma zona de segurança desmilitarizada no sul do Líbano e considera o Irã o principal inimigo de Israel. A distinção é que Eisenkot não é Netanyahu, e não está aliado a extremistas nem a ultraortodoxos, o que muda a composição de um eventual governo.
Segundo as professoras, o ex-general também tem trunfos próprios. Como foi um militar, isso lhe dá legitimidade para criticar a condução da guerra, além de gerar apoio de uma parte do eleitorado que tem afeição por votar em militares. O oposicionista também perdeu um filho em Gaza, o que reforçou seu apelo entre famílias que perderam parentes no conflito.
Calandrin lembra ainda que ele poderia se tornar o primeiro premiê israelense de origem mizrahi, ou seja, de família judaica do Oriente Médio, e não europeia.
Partidos árabes têm votação histórica
Os principais adversários não alcançaram maioria e, para tê-la, terão que negociar com a principal surpresa das eleições: o desempenho dos partidos árabes, que somaram 19 cadeiras, superando o recorde anterior, de 15. Calandrin explica que a
participação foi estimulada por um movimento de protesto: após eleições anteriores marcadas por desilusão, os eleitores árabes decidiram votar. Também pesou, segundo Holzhacker, a preocupação com o
avanço de grupos de extrema- direita sobre os direitos dos árabes israelenses.
A professora da ESPM avalia que esse bloco pode assumir o papel de fiel da balança, historicamente exercido pelos partidos ultraortodoxos. A negociação deve girar
em torno de assentamentos, ocupação, direitos e segurança, o que também preocupa a população árabe no dia a dia.
"Os partidos árabes que ganharam, sim, muita força, principalmente na discussão sobre a política de Israel, na política externa, mas é principalmente na preocupação sobre o avanço de grupos israelenses e judeus de extrema-direita que têm atingido cada vez mais os direitos dos árabes israelenses, o que fez com que se tivesse uma plataforma maior de crescimento", diz Holzhacker.
Ao todo, quatro partidos compõem o bloco árabe. A
Lista Árabe Conjunta, formada por três partidos, defende o fim da ocupação e dos assentamentos e a
criação de um Estado palestino. Já o Ra'am, que concorre sozinho e já integrou um governo, tem foco na melhoria de vida dos árabes israelenses, diferencia Calandrin. Se houver aliança com
algum partido árabe, a hipótese mais plausível é com o Ra'am. Eisenkot, porém, apresentou quatro exigências para uma parceria, e as duas especialistas ressaltam que ele depende dos árabes mais do que eles dependem dele.
Sistema fragmentado e um impasse provável
Com nenhum dos blocos perto da maioria, a formação do governo promete ser difícil. Holzhacker lembra que períodos de negociação são comuns em sistemas parlamentaristas, mas admite que há risco de novas eleições, o que manteria Netanyahu como chefe de governo provisório.
Calandrin, por sua vez, diz que ele deve usar todos os instrumentos disponíveis, inclusive, ao citar a mídia, a analista lembrou que o premiê ligou para líderes árabes para que não se aliem à oposição, não para conquistar o apoio deles, mas para forçar uma nova eleição.
"É um caminho possível se ninguém forma a coalizão, o próximo caminho são novas eleições daqui a alguns meses. Para ele é positivo, porque o governo dele se mantém como um governo provisório até as novas eleições", diz.
Na avaliação de Holzhacker, a sociedade israelense está dividida menos por temas como religião ou segurança, embora essas fraturas existam, e mais pelo apoio ou rejeição à figura de Netanyahu. Há consenso de que o Irã representa uma ameaça, mas cresce a desconfiança sobre se a decisão de entrar em guerra junto com os Estados Unidos foi motivada por segurança ou por cálculo pessoal do premiê.
Netanyahu enfrenta processos por corrupção em Israel e um mandado de
prisão do Tribunal Penal Internacional. Para a professora da ESPM, as investigações mais amplas sobre as falhas de 7 de outubro de 2023 só avançarão de fato quando ele deixar o poder. Calandrin, por sua vez,
não descarta que o premiê tente se instalar nos Estados Unidos, onde o filho mora e que não são signatários do Estatuto de Roma, embora trate o cenário como especulação.
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