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Guerra comunicacional marca nova fase de tentativa externa de fragmentação da Rússia, comenta analista

© AP Photo / Bullit MarquezManifestantes protestam contra notícias falsas e discurso de ódio no Facebook, em 8 de maio de 2019, nas Filipinas
Manifestantes protestam contra notícias falsas e discurso de ódio no Facebook, em 8 de maio de 2019, nas Filipinas - Sputnik Brasil, 1920, 03.11.2026
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A tentativa milenar de países do Ocidente de fragmentar a Rússia passa por um momento singular na atualidade, que é a utilização da guerra comunicacional e tecnológica.
Em entrevista para a Sputnik Brasil, o doutorando em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Pedro Martins comentou que as novas estratégias de países hegemônicos para desintegrar a Rússia ocorrem majoritariamente no campo comunicacional.
Ele repercutiu a declaração do presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça-feira (3) durante reunião do Conselho de Relações Interétnicas, na Rússia. No discurso, Putin destacou que forças externas buscam semear a divisão na sociedade russa há cerca de mil anos.
Martins citou vários episódios de interferência, como durante a guerra civil e a Revolução de Outubro, em que nobres russos foram apoiados por agentes externos. Também lembrou de outros episódios em que países europeus buscaram criar conflitos entre as diferentes etnias durante todo o período da União Soviética, com apoios financeiros de opositores do governo, como na guerra da Chechênia, e nos conflitos no Cáucaso (1990-2000).
Entretanto, nos último anos, o principal método de interferência tem sido principalmente por meio da guerra de narrativas para manipular a opinião pública mundial e também nacional, por meio de produção de conteúdos críticos, boicotes a conteúdos positivos e revisionismo histórico:

"Há formas menos ostensivas, como, por exemplo, apoiar um grupo revoltoso, apoiar um grupo que tem por algum motivo reclamação com relação ao status quo, que é a de tentar manipular a opinião pública [...] é a fabricação de consensos. Você fica bombardeando, manipulando, seja por algoritmo, seja por pauta, seja por N motivos, N formas, você manipula a opinião pública para ela passar não a defender, mas a debater um certo arranjo de coisas e não outro, alguns aspectos da realidade, não outros", disse ele.

Segundo ele, essa dinâmica ocorre de forma instrumentalizada:

"É uma forma barata, uma forma menos explícita de fazer, para você provar, até mesmo juridicamente ou politicamente, isso é mais difícil do que era no passado. E a Rússia está conseguindo reagir muito bem dentro das suas capacidades e obstáculos em cima dessa campanha. Ela está conseguindo mobilizar os seus recursos de forma muito inteligente".

Big techs e inteligência artificial

Na era da inteligência artificial e da mediação algorítmica, essa interferência fica ainda mais óbvia, segundo o especialista. Nesse sentido, acrescentou, alguns países do Sul Global estão buscando alternativas para se defender das consequências do monopólio da comunicação digital.

"A China tem toda uma estrutura digital própria de aplicativos. A gente chama de The Great Firewall, a Grande Muralha. Alguns chamam também de Escudo Dourado. Você cria uma arquitetura de redes sociais própria [...] acaba não aceitando alguns aplicativos ocidentais, por exemplo [...] A Rússia também entrou um pouco nisso. Em cima do VK [plataforma estatal VKontakte], criou aplicativos próprios. O que o Brasil fez foi começar a briga de regulação, regulamentação das redes sociais, começou a encampar essa tese, essa briga com as big techs" exemplificou Martins.

A eleição presidencial brasileira, na avaliação do entrevistado, também oportunizou uma iniciativa inédita que também pode ser replicada no restante do mundo contra esse tipo contemporâneo de interferências ocidentais.
O movimento coletivo "Exército do Lula", que apoiou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo ele, conseguiu burlar as interferências e controles das big techs e aumentar o alcance de conteúdos pró-Lula "inundando as redes sociais com mais conteúdo".

"Aprenderam a manipular as regras das redes sociais, do algoritmo, a seu favor. Então, são soluções diferentes para problemas diferentes [...] as big techs têm muito poder político-econômico, são uma questão que você tem que discutir de frente, regulamentar, mas as pessoas ainda são livres, podem usar essas tecnologias de formas muito criativas."

BRICS: resposta coletiva de peso

Nesse embate de narrativas e discursos, o BRICS, não só pelo tamanho do PIB como também de sua população , têm poder real de causar mudanças na questão informacional das big techs e de promover a troca de experiências de "contra-ataque" às manipulações informacionais.
"Por exemplo, você já tem outros países que também estão em calendário eleitoral usando e importando a estratégia que o Brasil usou nas eleições presidenciais. As soluções que o BRICS desenvolve podem ser exportadas e emuladas para outros países dentro do BRICS e fora dele. E aí você tem cada BRIC que desenvolve a sua solução, debatendo entre si, pressionando por regulamentação da questão das big techs, mas também cada um dizendo para o mundo qual foi a solução que deu e o mundo pode escolher dentre esse amplo leque de soluções a que faz mais sentido para a sua realidade local", concluiu.
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