- Sputnik Brasil, 1920
Panorama internacional
Notícias sobre eventos de todo o mundo. Siga informado sobre tudo o que se passa em diferentes regiões do planeta.

Lula e a regulação das big techs: analista explica o que está em jogo para o Brasil (VÍDEOS)

© ReproduçãoPresidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. - Sputnik Brasil, 1920, 05.11.2026
Nos siga no
Especiais
A promessa do presidente brasileiro de regulamentar as redes sociais após as eleições reacende o debate sobre o poder econômico e político das grandes plataformas digitais, especialmente das empresas norte-americanas, em meio a denúncias de interferência algorítmica, desinformação e falta de transparência.
Segundo a análise de Isabela Rocha, pesquisadora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (IPOL/UnB), em entrevista à Sputnik Brasil, o país tem plenas condições de regular as big techs e puni-las com base no instrumento jurídico brasileiro.

"O que poderia ser [feito é] uma lei, por exemplo, que não permita que eles [as big techs] treinem algoritmo de recomendação a partir de tráfego brasileiro, e a empresa não pode ser treinada com esses dados. Eu acho que a gente pode ser criativo nisso [para punir] as corporações", disse.

A especialista enfatiza que o internauta não deve ser restringido de entrar em determinada plataforma, pois, em sua visão, a regulação precisa principalmente atingir as grandes empresas do setor que não se adequem às leis brasileiras.

"Colocar algum dispositivo jurídico que impeça qualquer tráfego pago vindo do Brasil de ser pago. Assim, os brasileiros continuariam acessando enquanto a big tech não está lucrando com isso. Essa poderia, por exemplo, ser uma medida que machucaria eles direto: impedir o pagamento de tráfego pago de cidadão brasileiro", comenta.

Protótipo de humanoide chinês - Sputnik Brasil, 1920, 29.07.2026
Panorama internacional
Como iniciativa chinesa em IA pode descentralizar o poder das big techs? Analista explica (VÍDEOS)

Países do BRICS como exemplos de soberania digital

Rocha, que também preside o Fórum para Tecnologia Estratégica do BRICS+, entidade responsável pela formulação de um índice de soberania digital, aponta que Moscou, Nova Deli e Pequim têm leis próprias para proteger seus cidadãos do controle irrestrito de dados por big techs estrangeiras. A partir disso, a pesquisadora traça um paralelo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) desenvolvida por Brasília.

"Outro aspecto que a gente também usou no índice de soberania digital é o que a gente chama de capacidade de determinar uma agenda internacional. Então, o Brasil vai para a ONU, ele consegue pautar a importância de existir uma LGPD nos países? A LGPD existe, há algo análogo na Rússia e na China. A Índia também tem algo como uma lei geral de proteção de dados, mas os EUA não têm", destaca.

Outro ponto levantado pela analista é que o Brasil pode pautar de forma política a regulação das big techs, inclusive no cenário internacional. O foco principal dessa iniciativa é a proteção do usuário, o qual está sujeito à utilização de seus dados para atender aos interesses de grandes corporações estrangeiras do setor.

"A gente precisa também ter essa capacidade de regular, de criar, na verdade, uma intermediação internacional. A gente pode facilmente falar que é a maior parte da população humana hoje [usa a internet e precisa ser] protegida nesse espaço. A regulação é extremamente importante porque a gente não tem acesso à caixa-preta desses aplicativos", observa.

Robô humanoide presente no Rio Innovation Week, no Rio de Janeiro (RJ), em 5 de agosto de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 09.10.2026
Panorama internacional
Por que a tecnologia do dia a dia virou uma 'guerra' entre governos? Analista explica (VÍDEOS)

Planalto terá que lidar com a pressão da Casa Branca

Diante de um projeto de tal envergadura para a regulação das big techs no Brasil, Rocha avalia que o governo federal deverá mostrar muita resiliência. Para a analista, é fundamental não ceder às pressões oriundas dos Estados Unidos, país de origem das principais empresas do setor.

"A gente tem a matéria-prima e pessoal qualificado para fazer isso [regular as big techs]. Só falta mais incentivo do governo para a gente poder desenvolver uma arquitetura tecnológica que seja própria. O governo precisa ter menos medo dos EUA e das big techs, porque, tendo medo ou não, a big techs vão continuar intervindo na nossa política e vai continuar intervindo na vida das pessoas", conclui.

O ecossistema digital consolidou-se como um dos principais teatros de operações da geopolítica contemporânea. Mais do que um ativo instrumentalizado por Estados e corporações, as redes tornaram-se uma fronteira decisiva de disputa de narrativas, onde o controle de dados e a soberania digital moldam os novos rumos do poder global.
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала