https://noticiabrasil.net.br/20261105/sol-artificial-o-brasil-pode-ser-uma-potencia-em-energia-nuclear-de-fusao-55869032.html
'Sol artificial': o Brasil pode ser uma potência em energia nuclear de fusão?
'Sol artificial': o Brasil pode ser uma potência em energia nuclear de fusão?
Sputnik Brasil
À Sputnik Brasil, especialistas apontam que a energia nuclear de fusão é uma das perspectivas mais promissoras para o futuro, que pode levar a uma revolução... 05.11.2026, Sputnik Brasil
2026-11-05T19:19-0300
2026-11-05T19:19-0300
2026-11-05T19:51-0300
notícias do brasil
brasil
china
estados unidos
usp
telegram
universidade de são paulo (usp)
energia nuclear
energia
transição energética
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/0b/05/55869957_0:161:3071:1888_1920x0_80_0_0_a720e4c15f925266e4e301e84afb9f4c.jpg
A energia nuclear de fusão é apontada como um marco futuro da transição energética. O método consiste em unir átomos leves para gerar energia, o mesmo processo que ocorre nas estrelas para a geração de luz e calor.A fusão torna o método livre dos resíduos radioativos gerados no modelo de fissão, a forma tradicional de obter energia nuclear nas usinas.No Brasil, para avançar no tema, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) instituíram, em 2025, o Programa Nacional de Fusão Nuclear. O Brasil é o único país no Hemisfério Sul a possuir um reator Tokamak, necessário para a geração de energia de fusão. Ele é capaz de atingir uma temperatura de 150.000.000 ºC, superior à do Sol, que alcança 15.000.000 ºC. Por conta disso, ele passou a ser chamado de "sol artificial".Em entrevista à Sputnik Brasil, o doutor Julio de Oliveira Jr., coordenador e professor do Departamento de Engenharia Nuclear Igor Kurchatov, do Instituto Soyuz, diz que o Tokamak é um anel de metal que aquece plasma em seu interior capaz de gerar pressão e condições de temperaturas equivalentes à de uma estrela.Ele diz que o Programa Nacional de Fusão Nuclear é um projeto para desenvolver novos reatores experimentais de fusão, inclusive um na cidade de Iperó, em São Paulo, ao lado do reator multipropósito brasileiro, que é um reator de fissão experimental para a pesquisa e produção de radiofármacos."O Brasil ainda não tem como alcançar os maiores players do mercado, porém não quer dizer que está fora da corrida porque nós temos bastante pesquisa feita na área. O Brasil tem três Tokamaks, são os únicos do Hemisfério Sul, então estamos atrás dos principais players, mas na frente de praticamente o resto do mundo inteiro em termos de fusão nuclear", avalia Oliveira.Ele acrescenta que o Brasil é um terreno muito fértil em termos intelectuais e de pesquisa, mas carece de uma maior industrialização para alcançar as grandes potências no setor."Nós precisaríamos de mais usinagem de materiais, produção de ferro, lítio, terras raras […] o Brasil precisaria passar pelos degraus de tecnologia necessários para chegar na China, nos Estados Unidos, na Inglaterra e, assim, ultrapassar eles em fusão nuclear. É possível, mas tomaria um tempo. Diferente deles, que têm expectativa comercial para 2040, no Brasil provavelmente seria para 2050."Segundo Oliveira, hoje quem lidera a corrida pela energia nuclear de fusão é a China, "que sempre está na frente de quase todo tipo de tecnologia" e pretende inaugurar, até 2030, um reator de fusão em escala comercial."Os Estados Unidos e a Inglaterra também são os outros players de destaque, principalmente porque eles têm uma vantagem que no Brasil ainda não acontece, que são as iniciativas privadas de desenvolvimento de fusão nuclear. Então não são só universidades, os institutos de pesquisa, que estão fazendo [pesquisas], têm empresas que investem dinheiro na produção de reatores de fusão", aponta o especialista.Leonam Guimarães, doutor em engenharia naval e oceânica pela Universidade de São Paulo (USP), coordenador do Comitê Científico e Tecnológico da Amazul e diretor técnico da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), avalia que a fusão nuclear representa uma das perspectivas mais promissoras para o futuro da energia.Segundo Guimarães, se alcançar a viabilidade comercial, a fusão nuclear poderia complementar as energias renováveis e a própria geração nuclear por fissão."Entretanto, é importante distinguir o potencial científico da realidade industrial. Embora tenham ocorrido avanços extraordinários nos últimos anos, ainda não existe uma usina de fusão produzindo eletricidade comercialmente."Ele afirma que ainda permanecem desafios tecnológicos a serem superados, mas a fusão apresenta vantagens relevantes de segurança e pode reduzir determinados problemas associados aos rejeitos radioativos da fissão, embora não seja completamente isenta de materiais radioativos. Por conta disso, ele enfatiza que não devemos considerar a fusão como uma solução imediata para a transição energética."Nas próximas décadas, precisaremos continuar ampliando as fontes de baixo carbono já disponíveis, inclusive a energia nuclear convencional. A fusão deve ser entendida como uma oportunidade estratégica de longo prazo, capaz de transformar profundamente o sistema energético mundial caso seus desafios técnicos e econômicos sejam superados", observa.Outro motivo apontado por Guimarães para ter um otimismo moderado em relação à energia de fusão é o fato de que o trítio é o principal combustível usado pelo Tokamak para a geração de energia nuclear de fusão."O trítio não existe na natureza, na sua forma livre. Ele tem que ser produzido, e essa produção pode ser feita em reatores de fissão nuclear ou, então, no próprio reator de fusão. Quando se opta por produzir no próprio reator de fusão, você cria um problema de equilíbrio de potência, acaba gastando mais energia para produzir do que o reator realmente, efetivamente, produz. Então a busca do balanço positivo, que vem sendo feita há décadas, ainda está longe de chegar no seu fim."Já em relação ao Brasil, Guimarães afirma que o país tem condições de conquistar uma posição relevante no desenvolvimento da fusão nuclear, mas isso não acontecerá espontaneamente.Ele considera pouco realista imaginar que o Brasil possa competir imediatamente com os grandes programas internacionais no desenvolvimento integral de uma usina comercial de fusão.Na visão de Guimarães, uma estratégia melhor seria identificar nichos tecnológicos nos quais o país possa desenvolver competências de classe mundial, como sistemas magnéticos supercondutores, eletrônica de potência, instrumentação, controle de plasmas, materiais especiais e engenharia de sistemas complexos.Segundo ele, essas tecnologias possuem aplicações que ultrapassam a própria fusão nuclear e podem gerar benefícios industriais e econômicos muito antes da entrada em operação das primeiras usinas comerciais.Diante disso, o Brasil não precisa necessariamente ser o primeiro a construir uma usina de fusão para se tornar relevante nesse setor. O país pode conquistar uma posição estratégica como desenvolvedor e fornecedor de tecnologias essenciais para essa nova indústria.
brasil
china
estados unidos
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
Brasil tem capacidade para avançar na fusão nuclear, mas enfrenta desafios tecnológicos e logísticos, diz especialista
Sputnik Brasil
Brasil tem capacidade para avançar na fusão nuclear, mas enfrenta desafios tecnológicos e logísticos, diz especialista
2026-11-05T19:19-0300
true
PT1S
China está entre os países mais avançados na corrida pela energia nuclear por fusão, afirma especialista
Sputnik Brasil
China está entre os países mais avançados na corrida pela energia nuclear por fusão, afirma especialista
2026-11-05T19:19-0300
true
PT1S
Fusão nuclear deve ter impacto limitado na transição energética em 20 anos, avalia especialista
Sputnik Brasil
Fusão nuclear deve ter impacto limitado na transição energética em 20 anos, avalia especialista
2026-11-05T19:19-0300
true
PT1S
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/0b/05/55869957_171:0:2902:2048_1920x0_80_0_0_8bea236bafddbb8779f078e5650c9128.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
brasil, china, estados unidos, usp, telegram, universidade de são paulo (usp), energia nuclear, energia, transição energética, eletricidade, energia renovável, tecnologia, reatores, reator nuclear, usina nuclear, sputnik brasil, видео, exclusiva
brasil, china, estados unidos, usp, telegram, universidade de são paulo (usp), energia nuclear, energia, transição energética, eletricidade, energia renovável, tecnologia, reatores, reator nuclear, usina nuclear, sputnik brasil, видео, exclusiva
'Sol artificial': o Brasil pode ser uma potência em energia nuclear de fusão?
19:19 05.11.2026 (atualizado: 19:51 05.11.2026) Especiais
À Sputnik Brasil, especialistas apontam que a energia nuclear de fusão é uma das perspectivas mais promissoras para o futuro, que pode levar a uma revolução energética, e o Brasil tem potencial para conquistar uma posição estratégica como desenvolvedor e fornecedor de tecnologias essenciais para essa nova indústria.
A energia nuclear de fusão é apontada como um marco futuro da transição energética. O método consiste em unir átomos leves para gerar energia, o mesmo processo que ocorre nas estrelas para a geração de luz e calor.
A fusão torna o método livre dos resíduos radioativos gerados no modelo de fissão, a forma tradicional de obter
energia nuclear nas usinas.
No Brasil, para avançar no tema, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) instituíram, em 2025, o Programa Nacional de Fusão Nuclear. O Brasil é o único país no Hemisfério Sul a possuir um reator Tokamak, necessário para a geração de energia de fusão. Ele é capaz de atingir uma temperatura de 150.000.000 ºC, superior à do Sol, que alcança 15.000.000 ºC. Por conta disso, ele passou a ser chamado de "sol artificial".
Em entrevista à Sputnik Brasil, o doutor Julio de Oliveira Jr., coordenador e professor do Departamento de Engenharia Nuclear Igor Kurchatov, do Instituto Soyuz, diz que o Tokamak é um anel de metal que aquece plasma em seu interior capaz de gerar pressão e condições de temperaturas equivalentes à de uma estrela.
"Ele parece um sol mesmo, atinge mais de 150 milhões de graus Celsius, é muito quente. E isso faz com que os átomos de hidrogênio comecem a fundir realmente como nas condições de uma estrela, então você replica localmente as condições de uma estrela na Terra", afirma.
Ele diz que o Programa Nacional de Fusão Nuclear é um projeto para desenvolver novos reatores experimentais de fusão, inclusive um na cidade de Iperó, em São Paulo, ao lado do reator multipropósito brasileiro, que é um reator de fissão experimental para a pesquisa e produção de radiofármacos.
"O Brasil ainda não tem como alcançar os maiores players do mercado, porém não quer dizer que está fora da corrida porque nós temos bastante pesquisa feita na área. O Brasil tem três Tokamaks, são os únicos do Hemisfério Sul, então estamos atrás dos principais players, mas na frente de praticamente o resto do mundo inteiro em termos de fusão nuclear", avalia Oliveira.
Ele acrescenta que
o Brasil é um terreno muito fértil em termos intelectuais e de pesquisa, mas carece de
uma maior industrialização para alcançar as grandes potências no setor.
"Nós precisaríamos de mais usinagem de materiais, produção de ferro, lítio, terras raras […] o Brasil precisaria passar pelos degraus de tecnologia necessários para chegar na China, nos Estados Unidos, na Inglaterra e, assim, ultrapassar eles em fusão nuclear. É possível, mas tomaria um tempo. Diferente deles, que têm expectativa comercial para 2040, no Brasil provavelmente seria para 2050."
Segundo Oliveira, hoje quem lidera a corrida pela energia nuclear de fusão é a China, "que sempre está na frente de quase todo tipo de tecnologia" e pretende inaugurar, até 2030, um reator de fusão em escala comercial.
"Os Estados Unidos e a Inglaterra também são os outros players de destaque, principalmente porque eles têm uma vantagem que no Brasil ainda não acontece, que são as iniciativas privadas de desenvolvimento de fusão nuclear. Então não são só universidades, os institutos de pesquisa, que estão fazendo [pesquisas], têm empresas que investem dinheiro na produção de reatores de fusão", aponta o especialista.
Leonam Guimarães, doutor em engenharia naval e oceânica pela Universidade de São Paulo (USP), coordenador do Comitê Científico e Tecnológico da Amazul e diretor técnico da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), avalia que a fusão nuclear representa uma das perspectivas mais promissoras para o futuro da energia.
"Trata-se da possibilidade de produzir grandes quantidades de eletricidade, com baixíssimas emissões de carbono, elevada densidade energética e disponibilidade independente das condições climáticas", afirma.
Segundo Guimarães, se alcançar a viabilidade comercial, a fusão nuclear poderia complementar as energias renováveis e a própria geração nuclear por fissão.
"Entretanto, é importante distinguir o potencial científico da realidade industrial. Embora tenham ocorrido avanços extraordinários nos últimos anos, ainda não existe uma usina de fusão produzindo eletricidade comercialmente."
Ele afirma que ainda permanecem desafios tecnológicos a serem superados, mas a fusão apresenta vantagens relevantes de segurança e pode reduzir determinados problemas associados aos rejeitos radioativos da fissão, embora não seja completamente isenta de materiais radioativos. Por conta disso, ele enfatiza que não devemos considerar a fusão como uma solução imediata para a transição energética.
"Nas próximas décadas, precisaremos continuar ampliando as fontes de baixo carbono já disponíveis, inclusive a energia nuclear convencional. A fusão deve ser entendida como uma oportunidade estratégica de longo prazo, capaz de transformar profundamente o sistema energético mundial caso seus desafios técnicos e econômicos sejam superados", observa.
Outro motivo apontado por Guimarães para ter um otimismo moderado em relação à energia de fusão é o fato de que o trítio é o principal combustível usado pelo Tokamak para a geração de energia nuclear de fusão.
"O trítio não existe na natureza, na sua forma livre. Ele tem que ser produzido, e essa produção pode ser feita em reatores de fissão nuclear ou, então, no próprio reator de fusão. Quando se opta por produzir no próprio reator de fusão, você cria um problema de equilíbrio de potência, acaba gastando mais energia para produzir do que o reator realmente, efetivamente, produz. Então a busca do balanço positivo, que vem sendo feita há décadas, ainda está longe de chegar no seu fim."
Já em relação ao Brasil, Guimarães afirma que o país tem condições de conquistar uma posição relevante no desenvolvimento da fusão nuclear, mas isso não acontecerá espontaneamente.
"Temos competências científicas acumuladas em física de plasmas, engenharia nuclear, materiais avançados e supercondutividade, além de instituições de pesquisa e uma base tecnológica que pode ser mobilizada para esse objetivo."
Ele considera pouco realista imaginar que o Brasil possa competir imediatamente com os grandes programas internacionais no desenvolvimento integral de uma
usina comercial de fusão.
Na visão de Guimarães, uma estratégia melhor seria identificar nichos tecnológicos nos quais o país possa desenvolver competências de classe mundial, como sistemas magnéticos supercondutores, eletrônica de potência, instrumentação, controle de plasmas, materiais especiais e engenharia de sistemas complexos.
Segundo ele, essas tecnologias possuem aplicações que ultrapassam a própria fusão nuclear e podem gerar benefícios industriais e econômicos muito antes da entrada em operação das primeiras usinas comerciais.
Diante disso, o Brasil não precisa necessariamente ser o primeiro a construir uma usina de fusão para se tornar relevante nesse setor. O país pode conquistar uma posição estratégica como desenvolvedor e fornecedor de tecnologias essenciais para essa nova indústria.
"O grande risco não é chegarmos atrasados à construção das primeiras usinas. É deixarmos de aproveitar, desde agora, a oportunidade de desenvolver tecnologias e formar profissionais que poderão determinar nossa participação na indústria energética do futuro", conclui o especialista.
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).