Apesar disso, a recuperação tem ocorrido de forma mais lenta do que o previsto, gerando preocupações sobre o impacto contínuo na economia e no meio ambiente do Pantanal.
Em outubro do ano passado, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) emitiu alerta para a situação crítica do rio, que chegou a 62 centímetros no ponto de medição em Ladário, superando negativamente o recorde anterior de 1964.
A crise hídrica do Rio Paraguai afeta diretamente comunidades ribeirinhas e atividades econômicas fundamentais, como a pesca e o turismo. O turismo no Pantanal, um dos principais atrativos da região, registrou queda devido à dificuldade de navegação e à redução na biodiversidade visível.
Já os pescadores relataram diminuição no volume de peixes capturados, agravando a insegurança alimentar local.
Mesmo abaixo da chamada "cota zero" – referência histórica que marca um nível crítico de profundidade –, o leito do rio ainda preserva cerca de 5 metros de profundidade em Ladário devido às características geológicas.
Essa condição tem permitido uma navegação mínima e o abastecimento de comunidades, embora de forma limitada.
Especialistas apontam que a recuperação do Rio Paraguai pode ser limitada, mesmo com o aumento das chuvas. A variabilidade climática, combinada com mudanças no uso do solo e ações humanas, representa uma ameaça contínua ao Pantanal, considerado um dos biomas mais frágeis do planeta.
A secretária-executiva do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Yanna Fernanda, explicou à Sputnik Brasil que a ação do homem tem sido responsável pela degradação do bioma e que os efeitos dos extremos climáticos têm potencializado a crise.