Os países europeus dependem dos EUA na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para várias capacidades e ativos de apoio que permitem que suas forças de combate operem efetivamente. Essa dependência é preocupante, especialmente com a possibilidade de os EUA abandonarem seus aliados tradicionais e estabelecerem um alinhamento à Rússia — vista por alguns Estados-membros da União Europeia (UE) como uma ameaça, algo refutado pelo Kremlin sucessivas vezes.
Segundo analistas e especialistas ouvidos pelo Defense News, sem os fatores críticos norte-americanos, como comando e controle de campo de batalha, ataque de longo alcance, supressão de defesas antiaéreas inimigas (SEAD, na sigla em inglês), reconhecimento aéreo/ISR aéreo, comunicações via satélite, vigilância aérea, reabastecimento aéreo e aeronaves de transporte/transporte aéreo estratégico, o bloco teria sérios custos em equipamentos e pessoal caso entrasse em conflito.
Para Sven Biscop, do Egmont Royal Institute for International Relations, a Europa não está totalmente operacional sem esses facilitadores, o que resultaria em operações mais improvisadas e sangrentas. As comunicações militares por satélite são a área onde a Europa está mais próxima de ter capacidade suficiente, com inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR, na sigla em inglês) não tripulado, capacidades que estão a menos de três anos de distância de outros atores.
Comando e controle de campo de batalha, ataque de longo alcance e supressão de defesas antiaéreas inimigas (SEAD, na sigla em inglês) são áreas onde a maioria dos analistas ouvidos pela mídia espera que a Europa poderia atingir a autossuficiência em cinco anos, mas ISR baseado no espaço é a capacidade para a qual os especialistas estão menos otimistas, estimando de cinco a dez anos para a autossuficiência ser adquirida.
Os especialistas estão divididos sobre reabastecimento aéreo e transporte aéreo estratégico. Alguns deles consideram que a Europa já tem capacidade suficiente, enquanto outros acreditam ainda ser necessário de três a cinco anos para atingir um nível considerado importante. A vigilância aérea também teve avaliações divididas, com metade dos analistas considerando que a Europa pode atingir capacidade crítica em três anos, e a outra metade esperando de três a dez anos.
Todas as estimativas dependem da disposição dos governos europeus em investir o dinheiro necessário para desenvolver os facilitadores. Apenas um punhado de membros da OTAN na Europa gasta mais de 2,5% de seu produto interno bruto (PIB) em defesa, e quase um terço não atinge a meta de 2% definida pela OTAN em 2014.
Alguns analistas afirmam ainda que as soluções europeias para facilitadores estão subfinanciadas, mas existem, e podem ser desenvolvidas em cinco anos se houver comprometimento de seus Estados-membros.
A Europa não precisa se igualar aos EUA em facilitadores, pois sua ambição é a defesa territorial, não global, mas a expansão militar da Polônia mostra que as capacidades podem ser construídas com celeridade se houver comprometimento financeiro.
Alguns analistas mencionaram facilitadores adicionais, como engenharia de combate e travessia de terreno alagadiço, ataque eletrônico aéreo e mobilidade militar aprimorada. A mobilidade militar é crítica para garantir a dissuasão, e a Europa também precisaria aumentar seus números de tropas e adicionar tanques, artilharia e outros equipamentos para compensar a retirada dos EUA.