Criado em 2014, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), também chamado Banco do BRICS, tem como princípio
financiar projetos de infraestrutura, e agora avança na diversificação de seu portfólio de financiamentos,
abrangendo também moedas locais.
Atualmente, uma das metas do banco, traçada por Dilma Rousseff, presidente da instituição, é terminar o ano de 2025 com 30% dos financiamentos feitos em moedas locais.
É o que aponta, em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Elias Jabbour, ex-economista do Banco do BRICS e professor licenciado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Segundo Jabbour, o Banco do BRICS ganha tração na medida em que coloca, como parte de sua estratégia, a utilização dos sistemas de moedas locais, o que leva incentivo aos recém-surgidos sistemas locais de pagamento.
Ele acrescenta que a tendência do NBD é expandir sua área de influência para além do financiamento de empréstimos a países-membros do banco, aumentando sua relevância.
Jabbour considera que não há dúvidas de que o BRICS, hoje, é a "mola propulsora" do Sul Global e do multilateralismo. Ele acrescenta que considera o BRICS um grupo antissistêmico e o "fundamento desse novo mundo" que está surgindo e que tem o Brasil em seu "núcleo duro".
Ele frisa que as
recentes declarações dadas pelo presidente estadunidense, Donald Trump, em relação ao BRICS, mostram, em suas entrelinhas, que
o grupo está causando incômodo a Washington.
O especialista afirma que o Brasil ter sido escolhido para sediar a cúpula do BRICS deste ano,
prevista para julho, no Rio de Janeiro,
é um grande desafio, que a capital, em particular, já provou ser capaz de enfrentar.
"Acho que já foi provado, com o G20, que somos capazes de fazer isso. Mas é aquilo que eu coloco sempre com o próprio Eduardo Paes [prefeito do Rio de Janeiro]: eu acredito que o fato de ter essas economias […] aqui nos obriga a ter uma estratégia para receber esses países e tirar proveito disso. É necessária uma estratégia para essa cúpula, […] sair daqui com investimentos produtivos fechados, ter uma agenda estratégica do Rio para essa cúpula que envolva essa possibilidade de captação de investimentos desses países no Rio de Janeiro. Então é muita coisa que a gente tem que fazer."
Jabbour afirma ainda que não há saída fora do mundo multipolar e que o multilateralismo pode beneficiar o Brasil.
"A Europa, os EUA, não têm o que entregar ao Brasil. Se os americanos pudessem nos entregar uma cadeia de ferrovias no Brasil de alta velocidade, é com eles que iríamos fechar negócio, ou com a Europa, mas não são eles [que vão entregar], é a China. E o mercado preferencial para os nossos produtos tem que ser o Sul Global", afirma.
Ele acrescenta que o futuro do Brasil passa por uma integração em três níveis com o Sul Global, sendo a primeira a integração produtiva, ou seja, interindustrial; a segunda a integração financeira; e a terceira a integração comercial.